quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Maranharte celebra: São Luís - 404 anos



"...certo, muita coisa ali está mudando, a ponto de eu me perder nas velhas ruas de minha infância e juventude. Mas a memória atenta repõe a cidade de outrora na cidade modificada, e vou novamente a pé, de minha casa, na Rua dos Remédios, ao Liceu Maranhense, entre a Praia Grande e o Desterro, todos os dias, quer na ida, quer na volta, e
sempre encontro, no velho itinerário, algo que ficou comigo para a hora de recordar."

                  Josué Montello, romancista
 

Opinião de Pedra: Os 404 anos de São Luís, por José Carlos Sousa Silva.


Em 8 de setembro de 1612, São Luís, hoje, capital do Estado do Maranhão, foi fundada por franceses. Apesar de ter sido invadida por holandeses, mas, na realidade, na sua amplitude, foi construída pelos portugueses. Tem, evidentemente, na sua estrutura arquitetônica o belíssimo estilo europeu.

Assim, está aí à vista de todos, para ser contemplada e exaltada como uma das mais lindas cidades brasileiras, considerando-se também para isso a sua posição geográfica, pois está assim numa lindíssima ilha.

Estará no dia 8 do mês em curso, aniversariando, completando 404 anos. Além de suas belezas natural e arquitetônica, tem uma magnífica história, que em muito acrescenta à história do Brasil, país que está, hoje, entre os melhores do mundo, graças à sua posição geográfica, às suas belezas e às suas riquezas naturais sob o comando de um povo, que, a cada dia, busca o aperfeiçoamento de seus modelos econômico e político na construção de uma melhor estrutura social.

Nós, maranhenses, temos, sim, vínculos fortes com franceses, holandeses e portugueses. De todos eles recebemos muita força no sangue, nas ações, nas omissões, na luta permanente no trabalho e nos estudos, buscando sempre o melhor na vida.
Em São Luís há ruas, avenidas, praças e muitos imóveis utilizados para fins residenciais, comerciais e por órgãos públicos, formando assim um quadro belíssimo da sua própria história e que tudo isso é, hoje, Patrimônio Cultural da Humanidade.

A velha São Luís é muito linda, mesmo quebrada, assim continua. A sua Praia Grande nos revela o início comercial e residencial no seu passado. A Praça Deodoro é muito linda. E cada bangalô ao seu lado acrescenta em muito a sua beleza. A Praça João Lisboa revela-nos a sua força histórica. A Praça Gonçalves Dias permanece como inspiração para a construção de lindas poesias, pois a sua própria paisagem une-se a uma outra do mar bem próximo. As Ruas do Sol e da Paz nos levam ao passado a fim de que possamos encontrar lições dos que nelas só fizeram o bem para a cidade. A Avenida Pedro II tem raízes na grandeza dos poderes políticos que se notabilizaram em fatos e atos em favor do povo brasileiro e, em especial, do povo maranhense. A Rua Grande sempre foi grande, abrigou e ainda abriga grandes cidadãos do comércio e grande quantidade de compradores na busca de comprar o melhor pelo menor preço.

A Igreja da Sé tem uma longa e belíssima história. Assim como também a Igreja do Desterro, a Igreja do Carmo, a Igreja dos Remédios, a Igreja de São João Batista, e a Igreja de Santo Antônio, todas, enfim, expressam que a fé em Deus fez a cidade São Luís muito linda.

O Palácio dos Leões e o Convento das Mercês são muito lindos. Têm muita história. Cada um revela a inteligência e a sabedoria de seus construtores.

Diante de tudo isso, é imprescindível a união de muitas gerações em favor da cidade São Luís, que merece maior cuidado, muito zelo, a fim de permanecer muito bela. Vamos todos olhar a cidade São Luís com muito amor, sem ódio ou preconceito, portanto, fazendo tudo de melhor por ela.

Em 6 de dezembro de 1997, a cidade São Luís foi definida pela Unesco Patrimônio Cultural da Humanidade. Ela não basta ser Patrimônio Cultural da Humanidade. Ela precisa, sim, dos sentimentos e das ações dos humanos sobre ela a fim de que possa permanecer linda.

José Carlos Sousa Silva
Advogado, jornalista e professor da UFMA e Universidade Ceuma, mestre em Direito pela UnB, membro da Academia Maranhense de Letras.

fonte; blog da AML

domingo, 4 de setembro de 2016

Maranharte Indica: livro “O século XX e a literatura maranhense: reflexões sobre a narrativa em prosa”


A constatação de que há poucos livros destinados a estudar a literatura maranhense do século passado foi o que motivou a organização da obra “O século XX e a literatura maranhense: Reflexões sobre a narrativa em prosa”. Organizada pelos professores Dino Cavalcante e José Neres, a publicação sai pelo selo da EdUfma, editora da Universidade Federal do Maranhão e será relançada neste quinta-feira (08/09/2016), o Shopping Pátio Norte.

A obra reúne artigos assinados por Márcia Manir Miguel Feitosa, que escreve sobre o livro “O Palácio das Lágrimas”, de Clodoaldo Freitas; Luan Passos Cardoso e Naiara Sales Santos Araújo optaram por analisar o conto “Os Olhos que Comiam Carne”, de Humberto de Campos; o livro “Uma Sombra na Parede”, de Josué Montello foi o foco de Régia Agostinho; “Teias do Tempo”, romance de Conceição Aboud Neves foi o objeto de estudo de Wandeilson Silva de Miranda; Dinacy Mendonça Corrêa escolheu dois livros de Arlete Nogueira da Cruz – “A Parede” e “Compasso Binário”; Rafael Campos Quevedo faz em seu artigo uma análise do romance “Um Destino Provisório”, de Lucy Teixeira; José Neres demonstra que o gosto por cenas inusitadas é uma das principais características da prosa de José Ewerton Neto; Dino Cavalcante e Samara Santos Araújo analisam o romance “A Tara e a Toga”, de Waldemiro Viana.

José Neres explica que a ideia da publicação surgiu durante o encerramento do “I Colóquio de Literatura Maranhense: múltiplos Olhares”, promovido pelo Grupo de Estudo em Língua, Discurso e Literatura (Gelld), do curso de Letras da Universidade Federal do Maranhão, realizado em 2013. “Durante o evento, foi observado que há poucos livros destinados a estudar a literatura maranhense do século XX. Então, os componentes do Gelld resolveram reunir artigos sobre o tema do colóquio”.
Ele explica que cada estudioso teve liberdade de escolher a obra ou autor que seria analisada, com as condições de que fossem obras em prosa e que tivessem sido publicadas no século XX ou, quando muito, nos primeiros anos deste século.

Organizadores

Para os organizadores, o livro tem como objetivo servir de subsídio para outras pesquisas sobre as literatura maranhense, trazendo trabalhos tanto sobre autores já estudados, como é o caso de Josué Montello, Humberto de Campos e Arlete Nogueira, como também outros com grande produção mas que não são tão analisados no mundo acadêmico.
Um dos organizadores do livro é Dino Cavalcante tem graduação em Letras pela Universidade Federal do Maranhão, mestrado e doutorado pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. É professor adjunto da UFMA com experiência na área de Estudos Literários, com ênfase em Literatura Brasileira. Desenvolve pesquisas nas áreas de História da Literatura, Literatura e Sociedade e Literatura Maranhense. É membro permanente do corpo docente do mestrado em Letras da UFMA. É coautor de “O Discurso e as Ideias” e “Os Epigramas de Artur e de Bar Brasil”.

José Neres é graduado em Letras pela Universidade Federal do Maranhão, especialista em Literatura Brasileira pela PUC-MG e em Pedagogia Empresarial. É mestre em Educação pela Universidade Católica de Brasília. Atualmente, é professor da Faculdade Pitágoras do Maranhão, da Secretaria de Estado da Educação e do Centro Educacional Montessoriano. É membro da Academia Maranhense de Letras. Se dedica ao estudo da literatura maranhense, tendo já produzido diversos livros, como “Nas Trilhas das Palavras”, “50 Pequenas Traições” e “Restos de Vidas Perdidas”.

fonte: blog da AML
 

domingo, 22 de maio de 2016

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Luz, Câmera... Literatura : José Chagas









Produção realizada pelos discentes do Curso de Letras - Pitágoras - São Luís - Maranhão

terça-feira, 5 de abril de 2016

Opinião de Pedra: Dino Cavalcante e José Neres



O CENTRO HISTÓRICO SOB O OLHAR DAS LETRAS


 Dino Cavalcante (Doutor em Literatura Brasileira e professor do Depart. de Letras da UFMA)
                              José Neres (Professor e membro da Academia Maranhense de Letras)


                     Quem se debruça sobre a história de São Luís descobre que, com a criação da Companhia de Comércio do Grão-Pará e Maranhão, a província experimentou um crescimento econômico jamais visto. O algodão transformou a paisagem urbana da cidade e, em pouco mais de 50 anos, São Luís tornou-se uma das principais cidades da colônia portuguesa, tanto que o botânico Carl Friedrich Philipp von Martius, quando visitou a cidade, ficou deslumbrado com tanta riqueza.


Mesmo quando o algodão já não era o principal produto de exportação do Brasil, na metade do século XIX, a imponência dos casarões de São Luís continuava tendo destaque e enchendo os olhos daqueles que caminhavam pelas ruas e becos da capital maranhense.


Com toda essa majestade e imponência de seu casario, São Luís não poderia deixar de servir de palco para a literatura. E assim o foi. Em quase duzentos anos de literatura, as ruas, os becos, as praças, as pequenas moradas, os bares, os casarões, os sobrados, os palacetes, as meias-moradas, os solares, etc. já serviram de cenário para uma vasta produção literária, desde poemas, até contos, passando pela grandiosidade do romance e da novela, a cidade serviu de pano de fundo para uma infinidade de histórias, recheadas de sangue, lágrimas, dores, saudades, traições, amores, entre tantos outros temas.


Revisitando todo esse casario que serviu como cenário para a literatura em prosa, o pesquisador Flaviano Menezes da Costa fez uma longa caminhada pelos percursos trilhado por diversos personagens da ficção e da memorialística maranhense. O resultado foi uma dissertação de mestrado defendida no ano de 2015, no Programa de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade, sob a orientação da professora Márcia Manir Miguel Feitosa, e que agora foi transformada em livro, publicado pela EdUfma, com o título de Moradas e Memórias: o valor patrimonial das residências da São Luís antiga através da Literatura.


O pesquisador, usando um aparato teórico que vai desde a fenomenologia - com Heidegger -, até a geografia humanista do chinês Yi-Fu Tuan, analisa, com apurado senso crítico, o sentido das moradias na construção do texto literário, isto é, de que maneira o lugar está associado às personagens dessas narrativas.


Damião, de Os tambores de São Luís, por exemplo, é uma das criações montellianas mais mergulhadas no universo de São Luís. Essa personagem caminha não só pelas ruas, praças e becos da cidade, mas adentra o mundo das moradas, seja de casas simples ou de verdadeiros palácios; ora num lugar - como define Yi-Fu Tuan-, ora simplesmente num espaço.



Em Graça Aranha, em Meu Próprio Romance, o autor mergulhou na construção literária através dos mais variados espaços relativos ao casarão em que o autor de Canaã viveu os primeiros anos.


O espaço interno das moradas da São Luís antiga, segundo Flaviano Menezes, não serviram apenas para a boa vida ou boa conversa das personagens de nossa literatura. Serviram também de palco para crimes hediondos, como ocorre em duas narrativas de nossas letras: O Palácio das Lágrimas, de Clodoaldo Freitas, e A Tara e a Toga, de Waldemiro Viana.


Flaviano Menezes mergulha com acuidade no universo das narrativas, vasculhando quartos, salas, ambientes sociais, varandas, para entender o sentido desses ambientes moldados pelos maiores prosadores de nossa terra.


Sem dúvida, a leitura do livro de Flaviano Menezes serve ao leitor como uma espécie de guia, em que vai nos abrindo cada uma das portas, para que possamos compreender o íntimo de Jerônimo de Pádua, de um Damião, de Maude, enfim, de uma infinidade de seres que povoam nossa rica, mas pouco lida, literatura.

         Fonte: jornal O Estado do Maranhão (04/04/2016)


segunda-feira, 28 de março de 2016

Maranharte Informa: lançamento do livro Recorte !, de Talita Guimarães






A jornalista e escritora maranhense Talita Guimarães lança o livro Recorte! (Pod Editora, 2015) em São Luís-MA no sábado (09/04) na Feira Criativa do espaço NAFONTE Coworking (Rua do Alecrim 39 – Centro) a partir das 14h e no domingo (10/04) no Movimento Sebo no Chão (Praça da Igreja Nossa Senhora de Nazaré – Cohatrac) a partir das 17h.



Recorte! reúne um apanhado de crônicas, contos e poemas escritos por Talita Guimarães entre 2010 e 2014 em dois cadernos manuscritos. “A proposta sempre foi registrar ao final do dia alguma cena ou diálogo potencialmente poético e reflexivo que brotasse da vida real. A ideia de ‘recorte’ nasce da necessidade de colecionar pedacinhos especiais de cada dia, ofertados pela realidade a minha volta.”, explica a ludovicense de 26 anos que prioriza no livro o registro não-ficcional de causos cotidianos. “Como jornalista me interesso muito pela realidade e pela forma como as pessoas vivem. Como escritora, tenho uma tendência a olhar para o mundo com um afeto que presta atenção nas miudezas poéticas do cotidiano. Há uma realidade pulsante e inspiradora que não precisa ser inventada pela ficção porque está diante de nós a todo instante em todo lugar. A minha busca sempre foi unir minha preocupação jornalística em apreender a realidade com todos os meus sentidos ao meu interesse pela poesia viva existente nas falas e gestos das pessoas nos ônibus, terminais de transporte, ruas e demais espaços por onde caminho”, afirma a autora, que é jornalista de formação.