
O livro Sertanejares foi o grande vencedor do prêmio Universal da Cultura Maranhense em 2011 e a quarta obra da autora Lília Diniz, os outros são: Babaçu, Cedro e outras Poéticas em Tramas (2001 – poesia), Miolo de Pote da Cacimba de Beber (poesia – 2003) e Ao que vai Chegar (Contos – 2007).
O lançamento será no Chico Discos (Centro), a partir de 19h. Sertanejares tem poesias inspiradas na linguagem regional (com um extenso léxico de expressões do nosso linguajar) e na literatura de cordel.
Segundo a autora: “Sertanejares continua nessa linha de experimentação e valorização da linguagem nordestina. A edição com a forma de um abano tem detalhes em chita colorida, que dialogam com a cor de palha do papel.”
A jornalista Yane Botelho (do Jornal O Estado do Maranhão) analisou a produção poética da maranhense.
Em Sertanejares, as poesias se encontram divididas em três blocos. No primeiro, os temas são mais politizados. A autora mergulha no universo das quebradeiras de coco babaçu, aborda a questão indígena, retrata a lida nos povoados maranhenses, abordando a complexa questão da terra.
No segundo bloco, as poesias são mais rimadas. Ele é composto por quatro grandes poemas baseados na literatura de cordel, revelando uma parte latente da autora, que teve sua primeira experimentação artística feita através desse estilo. O contato de Lília Diniz com o cordel ocorreu por meio de seu pai, que escutava diariamente a Rádio Nacional da Amazônia. Ainda garota, ela sempre acompanhava a programação, que apresentava a cantoria de muitos repentistas.
Os cantadores também costumavam visitar a cidade em que a autora morava, o extinto povoado de Alto Alegre, em Barra do Corda. Um dos irmãos de Lília Diniz costumava comprar cordel, e a mãe estimulava bastante os filhos a decorar os textos. Na cidade, a energia elétrica chegava tarde, e a brincadeira preferida entre as crianças era fazer duelo com os primos, para ver quem cantava melhor. Foi assim que o ritmo embalou a poeta desde cedo. “Depois, morei no Rio Grande do Norte durante três anos, e ali o cordel se apresenta de maneira bem mais forte que no Maranhão; daí eu participei de festivais, o que me estimulou ainda mais a seguir essa trilha”, diz.
Já a terceira parte do livro apresenta um caráter mais lírico. São quase 60 poemas de amor, a maioria deles escrita antes de 2007. Ao fim da publicação, há uma lista de expressões populares usadas no interior do Maranhão. O glossário, chamado de “palavreado” pela autora, funciona como uma tradução, que tenta recuperar o linguajar específico de certas localidades.
Lançamento – Lília Diniz fará uma performance com a declamação de seus textos. Ela também interpretará algumas cantigas, com base nos ritmos coco e baião, acompanhada de um pandeiro. A poeta prestará homenagens a Patativa do Assaré e a João do Vale, interpretando composições desses autores.
Após o lançamento do livro em São Luís, a poeta lançará Sertanejares em Imperatriz, dia 21, no auditório da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), e, posteriormente, em oito escolas do ensino médio do município localizado na Região Tocantina do estado.
Lília Diniz é maranhense. Ela nasceu em Creoli do Bina, povoado de Tuntum, e foi morar em Imperatriz aos sete anos de idade, transferindo-se para Brasília (DF) em 1996. Retornou para Imperatriz em 2007 e, atualmente, circula entre essa cidade e a capital federal para desenvolver seu trabalho.
O livro Sertanejares tem apresentação do professor J. Bamberg, da Universidade Federal de Goiás. Segundo ele, a “escrevinhadura” de Lília Diniz vem “da Zona-da-mata-de-transição, desse lugar-algum que é chamado de interior, do seu belo Maranhão”.
O lançamento é hoje (15/03/2012), às 19h , no Papoético, no Chico Discos (Rua 13 de Maio, esquina com Rua dos Afogados, Centro)
Brincadeira de menina
Então a gente brincava
imitando as lavadeiras
as dos açudes, dos poços
em cantigas corredeiras
fazendo espuma branquinha
lavando com as casquinhas
daquelas saboneteiras
as roupas das bonequinhas
todas bem prazenteiras
Gostou? Então visite o blog da autora: http://lilia-diniz.blog.uol.com.br/




