quarta-feira, 14 de maio de 2008

MARANHARTE n° 2 Ano I - Nos melhores murais da cidade



É com muito entusiasmo que concluímos o segundo número do nosso boletim informativo sobre a Literatura Maranhense, também, após tantos elogios através de e-mail e congratulações de escritores já famosos, a dúvida foi substituída por um ânimo que teve que ser abrandado para que não cometêssemos injustiça na hora de escolher os textos que iriam ser publicados nessa segunda edição, principalmente no que se refere as inúmeras produções mandada principalmente por estudantes ávidos por serem reconhecidos... MERA ILUSÃO. Gostaríamos muito de iniciar esse texto dessa maneira, infelizmente a realidade foi outra. Não recebemos e-mail, tivemos que pedir a conhecidos que contribuíssem com o nosso boletim e poucos foram os já renomados escritores que elogiaram a nossa iniciativa.Mas, o que fizemos de errado ? Primeiro deveríamos ter estimulado a seção Encontrando as Pedras com um pequeno concurso, uma pequena degladiação poética digna de um prêmio, em que sairia vencedor aquele que mais apresentasse metáforas, termos rebuscados (ou regionais) e tivesse um amigo na comissão julgadora. Não tivemos um padrinho, nem um imortal que desse o aval para que a sociedade ludovicense recebesse o nosso humilde folhetim. Todos nós sabemos o quanto é importante ter alguma celebridade das letras para prefaciar as obras literárias em nossa terra, principalmente se for parente de algum político ou fale mais de três línguas. E por último, entendemos que talvez entupimos o MARANHARTE com muito material no primeiro número. O Maranhão a é Atenas Brasileira, mas era Brasileira antes de receber o epíteto de Atenas e não foge a regra no quesito “indolência cultural”, ou seja, preguiça de ler. Por isso resolvemos mudar. Neste segundo número as letras estão menores para caber mais textos, muito mais textos.Encontramos alguém importante para nos “apadrinhar”; VOCÊ. E por último teremos um prêmio para cada novo escritor (poeta ou prosador) que participar do Encontrando as Pedras; o prêmio “Eu tenho talento e não importa o que digam”. E já que falamos da alcunha que nossa cidade recebe, resolvemos colocar três explicações sobre o epíteto de “Atenas Maranhense”. Teremos também José Chagas, Encontros de estudantes de Letras, novos talentos e muito mais.
Obrigado e até o próximo número. Com Certeza! A Redação




sexta-feira, 9 de maio de 2008

Encontrando as Pedras V

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“Dos Anjos” (Eduardo Fernandes)
Graduado em Letras e Pós-graduado em Crítica literária (UEMA)

quarta-feira, 7 de maio de 2008

terça-feira, 6 de maio de 2008

Opinião de Pedra II: Viriato Corrêa, Rossini Côrrea e Arlete Nogueira


O movimento espiritual, que se está operando em nossa terra é surpreendente. Nesses últimos trinta anos, o destino colocou, no Maranhão, os maiores homens do Brasil. Até parece uma ressurreição dos tempos luminosos de Atenas. E a geração intelectual floresce na nossa província, destaca-se pela quantidade e pela qualidade. É Sotero dos Reis, o mais respeitável filólogo que até hoje o Brasil produziu. É Odorico Mendes, o maior de todos os humanistas brasileiros. É João Lisboa, o nosso harmonioso João Lisboa, o mais fino e o mais límpido prosador de crônicas históricas. É Trajano Galvão, o ardente cantor das negras e mulatas bonitas. É Gomes de Sousa, o vulcânico Sousinha, o matemático genial. É José Cândido de Morais e Silva – o Farol – o jornalista da estirpe dos Evaristos da Veiga. E tantos e tantos outros! Quando e onde se viu no Brasil tão bela constelação de astros tão rutilantes?
Viriato Corrêa


Destaca-se no Grupo Maranhense, dentro outros, João Lisboa, na prosa , e Gonçalves Dias, na poesia. De renome nacional e formação e vivência internacionais, o conjunto foi integrado por Gomes de Sousa e Odorico Mendes, que chegaram até a morrer no estrangeiro, coisa recusada por Gonçalves Dias. Menos cosmopolita foi Sotero dos Reis, latinista e historiador literário e, não menos relevante, foi Antônio Henrique Leal, dotado de expressiva preocupação com a memória da inteligência maranhense.
A mitologia da Atenas Brasileira correlacionou o principium sapientiae grego, ao papel desempenhado pelo Grupo Maranhense no desafio de responder às exigências constitutivas de uma cultura brasileira. Representou, na verdade, um autorretrato dourado da sociedade senhorial gonçalvina, feito por meio da dimensão literária da intelectualidade, trazendo para os trópicos, em nível arquitípico, em espaço figurativo, enfim, em âmbito retórico, o ideal de formação do homem grego.
Rossini Côrrea
Fonte: Atenas Brasileira, 2001.
A partir de Odorico Mendes e Sotero dos Reis, ambos nascidos nos últimos anos do século XVIII, encontraremos, no mesmo grupo, Gonçalves Dias, Trajano Galvão, Belarmino de Matos, Sousândrade, João Lisboa, Gentil Braga, Gomes de Sousa, Henrique Leal, César Marques, Cândido Mendes, entre outros grandes intelectuais. A maioria dos representantes dessa geração, alinhando-se ao romantismo, estudou na Europa e viveu fora do Maranhão, como resultado e reflexo do desenvolvimento econômico que sobreveio com o ciclo do algodão maranhense. Foi por meio desse grupo que São Luis se notabilizou como Atenas Brasileira.
Arlete Nogueira da Cruz
Fonte: Nomes e Nuvens,2003

Adaptação: Flaviano Menezes

domingo, 4 de maio de 2008

PEDRA PRECIOSA II : José Chagas

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Nascido num pequeno sítio chamado Aroeiras, no distrito de Santana dos Garrotes, que hoje passou a município, no Estado da Paraíba, o jovem José Francisco das Chagas viveu uma infância e uma adolescência voltada para o plantar e o cuidar do cultivo da terra, pois seus pais eram lavradores. Em 1948, aos 23 anos de idade, viaja para o Maranhão e conhece o grande amor de sua vida; a cidade de São Luís. Nesse período foi companheiro do então professor Mata Roma numa pensão na Rua da Palma, sendo através deste apresentado a nova intelectualidade ludovicense.
Em pouco tempo torna-se um homem de imprensa, trabalhando no jornal O Correio do Nordeste, do Zuzu Nahuz, em que escrevia crônicas diariamente. Depois passou a trabalhar no Jornal do Dia, que hoje é o jornal O Estado do Maranhão. Escreveu também para o Jornal do Povo, de Neiva Moreira, e para O Combate, que era um jornal de oposição ao governo da época.
A grande consequência de trabalhar nesses jornais foi a influência que estes tiveram sobre um José Chagas até então apolitizado, mas que mais tarde chegaria a ser vereador à Câmara Municipal de São Luís, onde também serviria como diretor da Secretaria-Geral. Experiências estas que o poema diz não ter orgulho.
Autor de mais de 20 obras (estreou em 1955 com o livro Canção da Expectativa), possui entre suas obras mais conhecidas; Canhões do Silêncio, Os Telhados e Maré/memória, obras tidas com grandes hinos de amor a cidade de São Luís. José Chagas, que também já foi músico e funcionário tanto do IBGE quanto da Universidade Federal do Maranhão, hoje vive com um dia desejou, rodeado de livros, na casa onde mora, no bairro do Monte Castelo.


Texto: Flaviano Menezes

Para os estudiosos da obra de José Chagas, o poeta é um hábil sonetista, cultor de rimas preciosas e dedica uma preferência toda especial pelo metro curto, sendo assim, há numerosos quadrissílabos, pentassílabos e até linhas de apenas duas ou três sílabas métricas.
Em geral, Chagas elege um título e um tema e apresenta o livro na forma de um poema único, porém, aqui se deve ressaltar a multidimensionalidade dos temas criados pelo poeta. O que muitos afirmam ser um tema único (como seu afeto pela cidade que adotou com sua) é na verdade uma vastidão de temas ocultos dentro de um tema aparente, onde podemos encontrar tanto dados comuns como a solidão, o silêncio, a reflexão e a meditação, como singulares; os muros de Alcântara, o avanço das ciências, os amigos pedidos no tempo, etc.
Duas características se destacam em José Chagas, a entregue de corpo e alma para revelar ao povo maranhense a beleza (e os destroços) da Ilha dos Amores, através das descrições dos becos, dos mirantes, as pontes e da sua gente. A outra é a sua infância, da vida humilde de filho de lavradores, Chagas conseguiu cunhar-se como um simples palavrador , como ressalta Manoel Santos Neto; A poesia de José Chagas é um campo fértil para diálogos e indagações, se se considerar que a própria Bíblia impõe que homem e mulher ganhem a vida com o suor do próprio rosto. Se pela obra de um escritor se lê a alma, a vida dele, então os poemas de José Chagas são cartas para todas as criaturas do Universo, já que a matéria de seus poemas é a vida, o tempo presente.” (NETO, Guesa Errante, 2005)
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Os Canhões é uma obra em que José Chagas toma como ponto de partida o Desterro, um bairro de São Luís, e daí constrói, em mais de 200 páginas, com ritmo variado, uma crônica sobre a hitória, os prazeres e encantos de São Luís, sem nunca entretanto, refletir sobre a existência humana.
tEXTO: mANOEL sANTOS nETO
aDAPÇÃO: fLAVIaNO mENeZES