quinta-feira, 26 de junho de 2008

Encontrando as Pedras IX

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Rodrigo França
Graduando do Curso de Educação artística (UFMA)

domingo, 15 de junho de 2008

Encontrando as Pedras VIII

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Poema: Flaviano Menezes

Encontrando as Pedras VII

(Clique para ampliar) Poema : Mariane Vieira

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Encontrando as Pedras VI

MORAES, Nascimento. Vencidos e Degenerados. Centro Cultural Nascimento Moraes; São Luís, 2000.

O livro “Vencidos e Degenerados” de Nascimento Moraes retrata a sociedade maranhense do final do século XIX. Segundo Jean-Yves Mérian trata-se de um documento sociológico dada a sua tão grande fidelidade ao apresentar a capital maranhense naquele fim de século.
Nascimento Moraes, um homem “preto e pobre”, citando as palavras de Neiva Moreira, venceu as barreiras do preconceito numa capital provinciana e tornou-se um respeitável jornalista que com afinco, dedicou-se ao trabalho até a morte. Nunca saiu de sua cidade, talvez por isso, soube tão bem retratá-la, desenhá-la, reconhecer nela as mazelas de uma cidade decadente.
Em Vencidos e Degenerados, o autor apresenta uma cidade alvoroçada pela abolição da escravatura e perfila uma sociedade hipócrita, superficial e mesquinha, chegando a renegar seus filhos mais ilustres e a expulsá-los para não ferir os “princípios” daquela sociedade.
O livro principia com a manhã de 13 de Maio de 1888, exatamente o dia da abolição da escravatura. Os abolicionistas estão exaltados com a idéia da vitória e reúnem-se na casa de um senhor chamado José Maria Maranhense, para juntos festejarem a “grande lei”. Surge neste cenário um dos personagens principais: João Olivier, jornalista brilhante e respeitadíssimo na cidade. Este vive de escrever pequenas crônicas para o jornal local e sobrevive a duras penas, mas não abdica de seus ideais, preferindo a quase miséria em que vive. Além disso, cria um menino, filho de seu compadre Aranha. Com todo o zelo e educação esmerada, cresce Cláudio que segue os passos do pai de criação, tornando-se também jornalista brilhante, porém, por perseguição abandona sua capital e segue o mesmo destino de João Olivier.
O autor neste contexto, sutilmente discute política, literatura, jornalismo e desabafa sua revolta pela imoralidade dessa sociedade. Demonstra através de seus personagens a decadência e a mesquinharia em que estava mergulhada a capital maranhense e conclui com duas lágrimas abafadas pelo silêncio dos Vencidos e Degenerados de São Luís do Maranhão.
O livro Vencidos e Degenerados, com já disse Jean-Yves Mérian, é um livro sociológico, mas também histórico, político, singular em toda a sua estrutura. O autor com destreza penetra não só nos becos e nas mazelas da cidade ou da sociedade, mas também nos recônditos da mente do leitor, trazendo à tona a realidade, infelizmente ainda existente no século XXI. Não é um livro que retrata somente o passado, mas é um espelho para a sociedade de hoje, não muito diferente de ontem, apenas com mais camadas de hipocrisia e mesquinhez, amparadas pelo embrulho político. Em pleno século XXI ainda temos os nossos vencidos e degenerados que buscam a todo custo um espaço para a sua voz.
Por tudo isso,Vencidos e Degenerados é recomendado para professores de literatura, sociologia, filosofia, história, geografia, etc. Para alunos de todas as áreas e para todos aqueles que desejarem conhecer a sociedade maranhense de ontem e de hoje.

Texto: Mariane Vieira

domingo, 8 de junho de 2008

Pedra Preciosa III : Artur Azevedo


Artur Azevedo (Artur Nabantino Gonçalves de Azevedo) nasceu em São Luís, em 7 de julho de 1855, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 22 de outubro de 1908. O centenário de sua partida serve para lembrar-nos da grande figura, que, além de participar do grupo que fundou a Academia Brasileira de Letras (onde criou a Cadeira n. 29), foi também jornalista, poeta, contista, prosador, comediólogo, crítico e fervoroso defensor da abolição da escravatura.Seus pais foram David Gonçalves de Azevedo, vice-cônsul de Portugal em São Luís, e Emília Amália Pinto de Magalhães, corajosa mulher que, separada de um comerciante, com quem casara a contragosto, já vivia maritalmente com o funcionário consular português à época do nascimento dos filhos: três meninos e duas meninas.
Aos oito anos Artur já demonstrava uma vertente para o teatro, brincando com adaptações de textos de autores como Joaquim Manuel de Macedo (representado às vezes no pequeno teatro que ainda existe no Museu Histórico e artístico de São Luis e que se chama hoje “Apolônia Pinto”) , e pouco depois passou a escrever, ele próprio, as peças que representava. Muito cedo começou a trabalhar no comércio. Depois foi empregado na administração provincial, de onde foi demitido por ter publicado sátiras contra autoridades do governo. Ao mesmo tempo lançava as primeiras comédias nos teatros de São Luís.
Aos quinze anos escreveu a peça Amor por anexins, que teve grande êxito, com mais de mil representações. Suas divergências com a administração provincial fez com que concorresse a um concurso aberto, em São Luís, para o preenchimento de vagas de amanuense da Fazenda. Obtida a classificação, transferiu-se para o Rio de Janeiro, no ano de 1873, e logo obteve emprego no Ministério da Agricultura. A princípio, dedicou-se também ao magistério, ensinando Português no Colégio Pinheiro.
Mas foi no jornalismo que ele pôde desenvolver atividades que o projetaram como um dos maiores contistas e teatrólogos brasileiros. Fundou publicações literárias, como A Gazetinha, Vida Moderna e O Álbum. Colaborou em A Estação, ao lado de Machado de Assis, e no jornal Novidades, onde seus companheiros eram Alcindo Guanabara, Moreira Sampaio, Olavo Bilac e Coelho Neto. Foi um dos grandes defensores da abolição da escravatura, em seus ardorosos artigos de jornal, em cenas de revistas dramáticas e em peças dramáticas, como O Liberato e A família Salazar, esta escrita em colaboração com Urbano Duarte, proibida pela censura imperial e publicada mais tarde em volume, com o título de O escravocrata. Escreveu mais de quatro mil artigos sobre eventos artísticos, principalmente sobre teatro, nas seções que manteve, sucessivamente, em O País ("A Palestra"), no Diário de Notícias ("De Palanque"), em A Notícia (o folhetim "O Teatro").
Teve em vida cerca de uma centena de peças de vários gêneros e extensão (e mais trinta traduções e adaptações livres de peças francesas) encenadas em palcos nacionais e portugueses. Ainda hoje continua vivo como a mais permanente e expressiva vocação teatral brasileira de todos os tempos, através de peças como A jóia, A capital federal, A almanjarra, O mambembe, e outras.
Outra atividade a que se dedicou foi a poesia. Foi um dos representantes do Parnasianismo, e isso meramente por uma questão de cronologia, porque pertenceu à geração de Alberto de Oliveira, Raimundo Correia e Olavo Bilac. Mas Artur Azevedo, pelo temperamento alegre e expansivo, não tinha nada que o filiasse àquela escola. É um poeta lírico, sentimental, e seus sonetos estão perfeitamente dentro da tradição amorosa dos sonetos brasileiros.
Há de se lembrar que muitos de seus originais estão perdidos. Segundo o jornal do Teatro Arthur Azevedo (Edição 03, 2008), pesquisas realizadas na Biblioteca Benedito Leite levaram à descoberta de cinco manuscritos, alguns já mutilados, pertencentes à Coleção Artur Azevedo, adquirido em 1910 pelo Governo do Estado do Maranhão, juntamente com sua coleção de gravuras e rica pinacoteca.
Fonte: site da A.B.L.
Jornal do teatro Arthur Azevedo
Adaptação e Texto: Flaviano Menezes




Do singular fenômeno
A fama correr vai!
A pobre mãe dou os pêsames
E parabéns ao pai.
Correu um boato de que, em Manaus, em 1899, uma mulher dera à luz 12 crianças.O poeta demonstrando uma certa dose de machismo, ironizando o fato , dando os pêsames “a pobre mãe” e os parabéns ao pai das crianças.

Se pega esta moda nova
De estudante reprovado
Dar de bengala uma sova
No professor que o reprova
Ninguém mais é reprovado.
O poeta ironiza sobre um fato ocorrido com o professor Gregório Najianzeno de Melo Cunha, que foi espancado a bengaladas, por um aluno da escola Politécnica, reprovado pela terceira vez.

Na nossa terra seria
Considerado um pateta
Qualquer ministro que um dia
Se mostrasse em bicicleta
Neste poema, escrito a partir da informação de que um famoso político inglês havia participado de uma corrida de bicicleta, o poeta aproveitou para mostrar as diferenças culturais entre o brasileiro e o europeu.

Teve ontem prova de estima
Porque fez amor. Eu acho
Que da cintura pra cima,
Essa menina cresceu;
Mas da cintura pra baixo,
Pouco se desenvolveu.
Este poema é comemorativo do Desenvolvimento da América. Artur faz uma referência ao subdesenvolvimento da América latina e ao progresso alcançado pela maioria dos países da América do Norte.

De escrever prosa cansado,
Eu prosa não quero mais.
O verso é mais delicado,
Se não é de pé quebrado
Como os de Melo Moraes.
Ao mesmo tempo em que mostra seu talento para a produção de versos, o poeta crítica Melo Moraes, por este não fazer versos de qualidade.

Para que tanto escarcéu ?
Para que tanto chalaça ?
Para que barulho tanto ?
A menina concebeu
Por obra e graça
Do Espírito Santo....
Poema escrito por ocasião de um escândalo na imprensa . Um senhor idoso, de nome Espírito Santo, é acusado de engravidar uma moça. Observe o trocadilho irônico feito pelo autor ao usar a idéia da concepção de Cristo pelo Espírito Santo e a gravidez da menina.

Emcobre esta lousa fria
Os pobres restos mortais
Do esposo melhor que havia
Pois morreu quando cumpria
Seus deveres conjugais
Ironia sobre a morte de um senhor, que faleceu ao lado da esposa, no leito conjugal, atacado por uma apoplexia.

O epigrama tem suas origens na Grécia, mas é na era helenística, por volta do século III a. C. que passa a ser cultivado como um gênero literário, entretanto, nesse primeiro momento, não desempenha ainda uma função predominantemente satírica ou jocosa. Já no século I a. C., migra para Roma onde vai se definido como uma modalidade de poema satírico, bem representado nos textos de Marcial. Da antigüidade até os nossos dias, esse gênero de composição perdura preservando algumas características: tendência à concisão, presença do jogo de palavras, a feição satírica, a temática dos fatos corriqueiros do nosso dia-a-dia. È sempre um poema breve, de conteúdo irônico e sarcástico.
Artur Azevedo sempre escreveu suas peças apresentando um tom humorístico, os epigramas que eram publicados nos jornais em que ele colaborava e parecem ser um divertido (e trabalhoso) passatempo, no qual o mesmo aproveitava a oportunidade para noticiar os acontecimentos do dia-a-dia. Em OS EPIGRAMAS DE ARTUR (dos Professores de Literatura: Dr. Dino Cavalcante e José Neres), os pesquisadores fizeram um estudo dos poemas escritos por Artur Azevedo, com uma contextualização histórica e vários comentários sobre cada um dos textos escolhidos, um obra essencial para quem quer conhecer uma outra e irresistível faceta do grande Artur Azevedo
.
Texto: Mariane Vieira Fonte: Sylvia Helena Telarolli (Epigramas, ácidas pérolas que ferem e divertem)

Amor por Anexins

Primeira peça escrita por Artur Azevedo (aos 15 anos de idade!) “Amor por Anexins”, foi a peça mais representada de sua época, e dizem, de todos os tempos na história do teatro nacional. A peça é uma sátira a sociedade da época, levando as personagens a se conflitarem em seus papéis, fugindo da rotina, da norma cultural em que se encontram e principalmente uma reflexão ácida sobre o valor que as pessoas dão a posição social em que se encontram.


Trecho da Peça Amor por Anexins

INÊS — Que quer o senhor aqui?
ISAÍAS — Vim em pessoa saber da resposta de minha carta:
quem quer vai e quem não quer manda; quem nunca arriscou nunca
perdeu nem ganhou; cautela e caldo de galinha...
INÊS (Interrompendo-o.) — Não tenho resposta alguma que dar! Saia, senhor!
ISAÍAS — Não há carta sem resposta...
INÊS (Correndo à talha e trazendo um púcaro cheio d’água.) — Saia, quando não...
ISAÍAS (Impassível.) — Se me molhar, mais tempo passarei a
seu lado; não hei de sair molhado à rua. Eh! eh! Foi buscar lã e saiu tosquiada!...
INÊS — Eu grito!
ISAÍAS — Não faça tal! Não seja tola, que quem o é para si,
pede a Deus que o mate e ao diabo que o carregue! Não exponha a
sua boa reputação! Veja que sou um rapaz; a um rapaz nada fica mal...
INÊS — O senhor, um rapaz?! O senhor é um velho muito idiota e muito impertinente!
ISAÍAS — O diabo não é tão feio como se pinta...
INÊS — É feio, é!...
ISAÍAS — Quem o feio ama bonito lhe parece.
INÊS — Amá-lo, eu?!... Nunca!...
ISAÍAS — Ninguém diga: desta água não beberei...
INÊS — É abominável! Irra!
ISAÍAS — Água mole em pedra dura, tanto dá...
INÊS — Repugnante!
ISAÍAS — Quem espera sempre alcança.
INÊS — Desengane-se!
ISAÍAS — O futuro a Deus pertence!
INÊS — Há alguém que me estima deveras...
ISAÍAS — Esse alguém (Naturalmente.) sou eu.
INÊS — Era o que faltava! (Suspirando.) Esse alguém...
ISAÍAS — Quem conta um conto acrescenta um ponto...
INÊS — Esse alguém é um moço tão bonito... de tão boas qualidades...
ISAÍAS — Quem elogia a noiva...
INÊS — O senhor forma com ele um verdadeiro contraste.
ISAÍAS — Quem desdenha quer comprar...
INÊS — Comprar! Um homem tão feio!...
ISAÍAS — Feio no corpo, bonito na alma.
INÊS (Sentando-se.) Deus me livre de semelhante marido!
ISAÍAS — Presunção e água benta cada qual toma a que quer... (Senta-se também.)
INÊS (Erguendo-se.) — Ah, o senhor senta-se? Dispõe-se a
ficar! Meu Deus, isto foi um mal que me entrou pela porta!
ISAÍAS (Sempre impassível.) — Há males que vêm para bem.
INÊS — Temo-la travada.
ISAÍAS — Venha sentar-se a meu lado. (Vendo que Inês sentase
longe dele.) Se não quiser, vou eu... (Dispõe-se a aproximar a cadeira.)
INÊS — Pois sim! Não se incomode! (Faz-lhe a vontade.) Não há remédio!
ISAÍAS (Chegando mais a cadeira.) — O que não tem remédio, remediado está.
INÊS (Afastando a sua.) — O que mais deseja?
ISAÍAS — Diga-me cá: o seu noivo?... (Faz-lhe uma cara.)
INÊS — Não entendo.
ISAÍAS — Para bom entendedor meia palavra basta...
INÊS — Mas o senhor nem meia palavra disse!
ISAÍAS — Pergunto se... fala francês...
INÊS — Como?
ISAÍAS — Ora, bolas! Quem é surdo não conversa!
INÊS — Mas a que vem essa pergunta?
ISAÍAS (Naturalmente.) — Quem pergunta quer saber.
INÊS — Ora!
ISAÍAS (Sentencioso.) — Dois sacos vazios não se podem ter de pé.
INÊS — Essa teoria parece-se muito com o senhor.
ISAÍAS — Por quê?
INÊS — Porque já caducou também.
ISAÍAS (Formalizado.) — Então eu já caduquei, menina? Isso é mentira.
INÊS — É verdade.
ISAÍAS — Não é.
INÊS — É.
ISAÍAS — Pois se é, nem todas as verdades se dizem. (Erguese e passeia.)
INÊS — Ah! o senhor zanga-se? É porque quer; não me viesse dizer tolices! (Ergue-se.)
ISAÍAS (Interrompendo o seu passeio, solenemente.) — Na casa em que não há pão, todos ralham, ninguém tem razão.
INÊS — Ora! somos ainda muito moços!
ISAÍAS — Quem? nós?
INÊS — (De mau humor.) — Não falo do senhor: falo dele...
ISAÍAS — Ah! fala dele...
INÊS — Havemos de trabalhar um para o outro...
ISAÍAS — É bom, é: Deus ajuda a quem trabalha.

Caminho das Pedra: Poemará e IV Festival GEIA de Literatura

Esse mês nós temos várias programações que encherão o céu da Ilha de São Luís de beleza e poesia.
O primeiro deles é o POEMARÁ, que acontecerá nos dias 06, 13, 20 e 27/08 e 10/09 às 16 h na Escola Santa Tereza, a entrada é um Kg de alimento não perecível, a final será no Teatro Artur Azevedo, dia 02/10 às 19:oo hs.
O outro grande evento é o IV FESTIVAL GEIA DE LITERATURA, que acontecerá em São José de Ribamar nos dias 27, 28 e 29/08, que contará com escritores locais e apresentações teatrais.
Para você que gosta de cinema, recomendamos PAI E FILHO, no cine Praia Grande, com sessões às 16:30, 18:30 e 20:30. A entrada inteira custa 4,00, meia, 2,00, de segunda a sábado, e aos Domingos, 2,00 para todos.
Sinopse: Pai e Filho vivem em um apartamento juntos por anos. Eles vivem há um tempo quase que completamente isolados em seu próprio mundo, cheio de rituais marcados, às vezes como irmãos, às vezes como amantes. Um filme intenso e conflituoso. Maravilhosamente incerto.
Apreciei nossas dicas.

A redação.