quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Maranharte Prestigia - Série Fundadores

No ultima terça-feira (09), a Academia Maranhense de Letras (AML) juntamente com a Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) lançaram a “Série Fundadores”, uma coleção formada por 12 livros de autores maranhenses que fundaram a AML. O evento foi aberto ao público e contou com a presença dos reitor da UEMA (José Augusto Silva Oliveira), do Presidente do AML (Lino Moreira), alguns imortais (como a escritora Ceres Costa Fernandes, foto) e os escritores Luis Augusto Cassas, José Neres e (pasmem!) Nauro Machado (que parecia se divertir muito com os discursos pomposos dos seus colegas).
Fundada em 10 de agosto de 1908, a Academia Maranhense de Letras comemora este ano seus 100 de existência, e como parte das atividades, que começaram na II Feira do Livro de São Luís (onde alguns imortais ministraram belíssimas palestras sobre os fundadores da AML), foram relançadas essas importantes obras. A edição dos livros foi dirigida pelo acadêmico Jomar Morais, que recuperou autores importantes da historiografia maranhense. “É um trabalho feito em conjunto, que só poderia dar bons resultados”, enfatizou o presidente da AML
A maioria das publicações foi lançada quando esses intelectuais ainda eram vivos (dentre os fundadores, o último faleceu em 1977), e estavam com edição esgotada. Na noite de lançamento a coleção estava sendo vendida por R$ 60,00, mais posteriormente seriam vendidas separadamente e com preços de iriam variar de R$ 5,00 à 20,00.

Confira as obras e seus respectivos autores:
* Coisas da Vida (Contos) – Alfredo de Assis
* Fundação do Maranhão – Ribeiro do Amaral
* Harpas de Fogo (Poesia) – Corrêa de Araújo
* História do Maranhão - Barbosa de Godóis
* O Maranhão: subsídios históricos e corográficos – Fran Paxeco
* Missas Negras (Poesia) – I. Xavier de Carvalho
* Natal (quadros) – Astolfo Marques
* O Palácio das Lágrimas – Clodoaldo Freitas.
* Os Novos Atenienses – Antônio Lobo
* Poesias – Vieira da Silva
* Por onde Deus não andou (Romance) – Godofredo Viana
* Silhuetas – Domingos Barbosa

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Maranharte Indica: " A mulher que matou Ana Paula Usher", de Luís Augusto Cassas

O maranhense Luís Augusto Cassas estreou no mundo das letras em 1981 aos 28 anos de idade com a obra República dos Becos e posteriormente publicou: A Paixão segundo Alcântara, O Retorno da Aura, Liturgia da Paixão, Ópera Barroca: Guia Erótico-Poético & Serpentário Lírico da Cidade de São Luís do Maranhão, Titanic-Boulogne: A Canção de Ana e Antonio, O Shopping de Deus & A Alma do Negócio, Bhagavad-Brita: A Canção do Beco, A Paixão segundo Alcântara e Novos Poemas e Evangelho dos Peixes para a Ceia de Aquário, entre outros, contabilizando 15 livros, ou melhor 16, já que o autor lançou "A Mulher que Matou Ana Paula Usher: História de uma Paixão",mais um exemplo de sua poesia que encontra em vaias áreas do conhecimento (como a Filosofia, História, Artes e até um certo misticismo) uma verticalidade poética própria do autor de se faz desafiador sobre, principalmente, os questionamentos sobre esse estranho ser que é o homem. Na obra o poeta conta em versos exultantes e voluptuoso todo o processo de fascinação e conflitos que pode acontecer entre aqueles que imaginam ter encontrado suas almas gêmeas tentando sempre chegar a um lugar de harmonia e completude.
Segundo a escritora e antropóloga Amnéris Maroni (para o site Badauê) a obra seria "Uma Iniciação Erótica, Poética e Mística". Em seu prefácio, sinaliza que "o poeta, mas também os amantes, os que vivem a iniciação, todos eles, enfrentam a confusão entre os dois mundos: o mundo divino e o mundo humano. Todos eles enfrentam o que Santo Agostinho, em As Confissões, chamou de a "luta das duas vontades". Uma delas iluminada pelo divino tenta dar-se a ele; a outra vontade aprisionada ao mundo afetivo, instintivo, fere toda a vez e a cada vez o chamado divino. Para caminhar, o homem, toda vez e a cada vez se trai. Eis o paradoxo da iniciação: mística, poética, erótica. É a confusão entre os dois mundos que “A Mulher que Matou Ana Paula Usher” retrata. Cassas tentou amar no mundo "demasiado humano" valendo-se da potência divina que Eros é, apesar do "amor líquido" em voga? Ou para me valer da expressão de Meister Eckhard ao se amarem, ele e sua companheira de alma, tentaram se apropriar da criatura amada como se fosse sua e não de Deus?" interroga Amnéris Maroni. Já o escritor e psiquiatra Paulo Urban, considera “A Mulher que Matou Ana Paula Usher", sobretudo, uma trágica história de amor, mas ao mesmo tempo uma tragédia de final feliz, em que o poeta, morto várias vezes em sua honesta condição egóica, encontra-se ao final de uma grande jornada sobe veneno das paixões por tê-las experimentado até a última gota". E afirma que Cassas entregou aos seus leitores "a essência do drama da existência humana, escrita à moda de um São Paulo enlouquecido pelo amor do Cristo, banhado na Luz da Grande Consciência, e que humildemente, já caído do cavalo, convida cada um, a aprender de uma vez por todas a principal lição da vida, razão pela qual estamos/somos todos entes viventes e encarnados".
Para o poeta e crítico Marco Lucchesi - em seu Bilhete em Chamas ao poeta Luís Augusto Cassas -"Ana Paula Usher teve de ser assassinada para que as partes contrárias do Feminino fossem, afinal, reintegradas na vasta coincidência de opostos, que crescem vigorosas nas terras agrestes de seu coração. Jeanne, Beatriz, Francesca foram como que de todo absorvidas, sem esconder, contudo, uma dura descida à gramática da sombra e das chamas". - "Cassas amigo, você desceu ao Hades porque não podia escolher outro modo de subir. Foi esta a sua altura. A profundidade das coisas vividas", concluiu Lucchesi.
E para os leitores do MARANHARTE uma pequena amostra do talento de Cassas, um trecho do poema “Um” que faz parte do novo livro do autor:
“quando estou em ti/ e tu estás em mim/ inverte-se o princípio/ do início ao fim/ no primeiro momento/ há movimento:/ eu sou tu és/ no segundo momento/ há desfalecimento:/ não sei quem sou/ acaso és?/ no terceiro momento/ viramos fragmentos:/ o nós e o vós/ habitam em nós/ depois não há nada/ e o espírito do só/ recolhe-se ao pó.”

Fonte:www.badaueonline.com.br.(depoimentos)
Adaptação: Flaviano Menezes

Encontrando as pedras XX


Flaviano Menezes é graduando do Curso de Filosofia (UFMA)

Encontrando as Pedras XIX


Sergio Baima é graduando do Curso de Licenciatura em Letras (Uniceuma)