terça-feira, 30 de junho de 2009

A Arte Fotográfica II - São Luís



















A cidade foi possuída
pelo tempo
está grávida
de seu passado
e dependendo de nós
poderá parir um demônio
ou um anjo
José Chagas
Fragmento do livro Os canhões do silêncio

Fotos: Douglas Jr.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Opinião de Pedra : José Neres

Poesia maranhense hoje
José Neres*

Seria preciso um espaço gigantesco para que se dissesse o mínimo sobre o atual estágio da poesia no Maranhão. Mesmo com as grandes dificuldades financeiras por que passa o Estado (e o Brasil como um todo) a produção literária dos maranhenses, nas últimas décadas, ganhou em quantidade e em qualidade. A aura de Atenas Brasileira, que foi motivo de glória, mas também um dos grandes obstáculos para a renovação das idéias literárias da terra de Gonçalves, foi aos poucos dando espaço para outras formas de ver a realidade circundante. Se por um lado não somos mais a grande referência cultural brasileira, também não estamos no fundo do poço. Novos valores surgiram para preencher lacunas que muitos acreditavam que ficariam vazias para sempre.

No âmbito da poesia, a renovação não foi instantânea e nem total. Hoje, em pleno século XXI, temos ainda como referências canônicas os mesmos nomes do século XIX, ou seja, Gonçalves Dias, Sousândrade e Raimundo Correia. As últimas décadas foram marcadas pela produção poética de Nauro Machado, José Chagas, Bandeira Tribuzi e Ferreira Gullar. Alguns outros nomes também mereceram destaque nacional, como é o caso de Lago Burnett, Manuel Caetano Bandeira de Mello, sem, contudo, por razões diversas, constituírem unanimidade de aceitação pela crítica e pelo público.

Alguns críticos muito lutaram para que novos nomes surgissem e fossem divulgados, é o caso, principalmente, de Carlos Cunha, um dos maiores incentivadores da produção poética dos jovens do Maranhão. Seus livros teóricos buscavam sempre valorizar os novos talentos e descobrir em cada novo poeta uma promessa de um futuro promissor. Com o passamento do autor de Lâmpadas do Sol, a crítica literária perdeu um pouco de seu espírito desbravador, mas não ficou órfã, pois pesquisadores como Arlete Nogueira, Jomar Moraes e principalmente Clóvis Ramos continuaram na árdua tarefa de divulgar as letras do Maranhão. Outro importante meio de divulgação da produção dos autores maranhenses (consagrados ou não) era o suplemento Vagalume, que, infelizmente, deixou de circular. Durante um bom tempo, o espaço ocupado pelo Vagalume ficou desocupado, até que a escritora Elizabeth Oliveira, numa atitude de grande coragem, resolveu publicar o jornal Letras Maranhenses, com o intuito de suprir a carência de publicações de cunho cultural no Estado. Com o desaparecimento do Letras Maranhenses, o único suplemento dedicado inteiramente às artes ficou sendo o Suplemento Guesa, uma quixotesca empreitada do pesquisador e poeta Alberico Carneiro.

Partindo agora a produção poética dos maranhenses neste final de século, podemos afirmar que são tantos os nomes de poetas que qualquer trabalho que tente arrolar todos os escritores implicará, obrigatoriamente, omissões e esquecimentos. Portanto, a seguir selecionaremos alguns nomes com a consciência de que muitos outros poderiam (e mereceriam) citação. Não falaremos daqueles poetas já consagrados e que têm já um público cativo. Abordaremos, sim, os poetas que mesmo produzindo bons textos não alcançaram ainda pleno reconhecimento.

Dentre os mais experientes, temos José Maria Nascimento, autor de diversos livros, como, por exemplo, Turbulência, Constelação Marinha e Colheita de Cactos, um escritor de excelente dicção poética e que deixa transparecer em seus versos uma clara angústia existencial mesclada com flashes autobiográficos. Alguns de seus versos trazem um tom filosófico, como é o caso de “sou a sombra contrária do que estou criando”. Também já com larga experiência no mundo da poesia, podemos citar Viriato Gaspar, Ribamar Feitosa, Alex Brasil e Luiz Alfredo Guterres. O primeiro consegue ser extremamente técnico em suas composições, como ocorre em Onipresença, um livro composto apenas de soneto, e, em outros momentos, exibir poemas mais soltos, conforme podemos constatar na leitura de Sáfara Safra. Ribamar Feitosa, remanescente da chamada “Geração Mimeógrafo”, adota uma postura mais crítica com relação à realidade: sabres e banqueiros: arrancando o dia / decepando a aurora, mas sem deixar de lado um certo lirismo por vezes ingênuo, como nos versos de Cantiga para Ninar Mamãe: Dorme mamãe / que eu vou vigiar / e a cuca / maluca não vem te pegar. Seguindo uma espécie de plano literário que valoriza o social e que se engaja no combate às mazelas que assolam o Maranhão, Alex Brasil é contundente em algumas de suas afirmações e, desde os títulos de seus livros, deixa clara sua intenção de denunciar (Pátria Amarga, Brasil; Brasil, não chore mais; Meninos de São Luís; Planeta Vermelho). Sem meias palavras, sem recorrer a metáforas difíceis e investindo em jogos intertextuais, o autor tira das ruas e do dia-a-dia a essência de sua poesia, afinal Sem terra / sem teto, / sem tudo, / sem rumo / caminha o povo, / sem sonho, / sem sono, / com fome.... Luiz Alfredo Netto Guterres, por sua vez é autor de um dos mais belos poemas sobre a capital maranhense, O Canto Telúrico para São Luis, em que lirismo, crítica, desilusão e esperança se completam formando um todo poético.

Também com livros publicados e com um bom tempo de lide poética, mas sem ressonância em todos os rincões do Estado temos Firmino Freitas, poeta cearense que adotou Caxias como terra natal, autor de Cantares de Amor e Outros Cantos, Versos de Cantaria e Conversando com Deus, de quem podemos destacar os belíssimos versos de Definição, um interessante pastiche do estilo de Augusto dos Anjos. Temos também Paulo de Oliveira Filho, que publicou Horizonte Dourado e Planeta Natureza, livros em que se pode sentir a tentativa de integração do homem com a natureza e com o universo como o todo. Não podemos deixar de lado Wanda Cristina, poetisa de tom irônico e mordaz que brinca com as palavras de modo a tirar delas o máximo da força semântica e sonora, o que é possível de ser percebido em seus livros Rede de Arame, Uma Cédula de amor no meu Salário e Engraxam–se Sorrisos. Outra poetisa a ser destacada é Maria Marta (que também assina Maria Martha), dona de versos simples que levam o leitor a uma idéia de sensualidade nem sempre contida e utiliza em grande escala metáforas e a sinestesias, buscando um efeito plástico e lírico: A solidão invade / meu leito ... e me / embriaga com / o perfume da lua. Transitando também por outros gêneros, temos também Roberto Kenard, escritor que sabe sintetizar idéias e imagens em poucas palavras. Em o Camaleão no Espelho, por exemplo, a espacialização de alguns versos é de vital importância para a visualização e o entendimento do texto e os espaços em branco dizem tanto (ou até mais) que as palavras. Nesse aspecto, o poema O Dito pelo não Dito, que não traz outra palavra além do título, transmite uma mensagem muito mais forte que se fosse um texto sinteticamente organizado.

Infelizmente, alguns poetas deixaram (pelo menos por enquanto) de publicar seus versos. É o caso de Sandra Regina Alves Ramos, que com Desrumos, um livro quase artesanal, demonstra simplicidade poética e estilística carregada de musicalidade; Dino Cavalcante, autor de Canto Selvagem (com Joelma Corrêa) e Reflexão, pequeno volume do qual podemos destacar o seguinte pensamento: Uma pessoa que ama e não é correspondida é como uma ilha, que por mais que seja habitada sempre estará sozinha. Outro que praticamente abandonou os versos para dedicar-se à prosa é Marcos Fábio Belo Matos, poeta de versos livres e despreocupados que em seu Anonimato diz que O nascimento do parente / é a alegria / é a tristeza / é a dor ausente.

Chegando agora uma produção literária mais recente, há os versos de Marco Pólo Haickel (poemas apócrifos), em que atentar para a estrutura gráfica e para a disposição das palavras é tão importante quanto decifrar as palavras escritas: Sônia Almeida sai da prosa poética de Alegorias e esbanja intertexto, metáforas e metalinguagem Penumbra, Palavra Cadente e Há fogo no Jogo, livros de extrema elegância gráfica e conteudística. Com uma produção não muito extensa, temos J. Cruz, autor de Vidas, livro em versos livres, sem obsessões métricas, mas preocupado com as emoções e visivelmente influenciado por Drumonnd e Vinícius. Jether Joran Martins, no seu Poesias Revolucionárias, adere às causas partidárias, sem grande preocupação com a construção de imagens. A mensagem se sobressai à forma. Destaque especial para o poema O Marginal, em que o ritmo e o desfecho se completam; Dyl Pires (Círculo das Pálpebras) investe em uma linguagem seca e áspera, soltando as palavras na página da forma que julga causar um maior efeito estético e semântico.

Quanto às Antologias e obras coletivas, temos no Maranhão alguns exemplos de trabalhos bem feitos. O mais conhecido é A Poesia maranhense no século XX, volume organizado pelo crítico e prosador Assis Brasil. A antologia é um apanhado geral de poetas do início do século até 1994, demonstrando um pouco da produção poética do período. O Livro Safra 90 também merece destaque por dar oportunidade de alguns novos poetas mostrarem seus versos. Após o sucesso da publicação, alguns desses escritores já enveredaram para uma carreira individual. Temos também Latinidade, volume organizado pela poetisa Dilercy Adler e que traz alguns poetas maranhenses. Há alguns anos saíram Concertos no Carnigie Hall, uma homenagem aos 50 anos de vida literária de Ferreira Gullar e dois volumes organizados pelos membros do Grupo Carranca. Tais Livros trazem sempre algumas novidades, alguns nomes que começam a despontar no cenário literário e que possivelmente poderão brevemente apresentar produções independentes.

Com muita luta e determinação, alguns jovens poetas conseguiram publicar seus livros e já conseguem projetar seus nomes no cenário literário. É o caso de Antônio Aílton, autor de Habitações do Minotauro, poeta de estilo bastante peculiar e que busca sempre novas soluções para seus textos; Ricardo Leão (A Simetria do Parto), que recentemente mergulhou no campo da crítica literária, mas não abandonou a verve poética; Rosemary Rego (O Ergástulo Gozo da Palavra), que consegue mesclar sensualidade, erotismo e tonus filosófico em versos carregados de referências a seus autores preferidos; Geane Lima Fiddan (Argos da Matéria), que também faz um trabalho que junta o poético a uma visão existencialista.

Muitos foram os poetas vistos nas linhas acima, e, infelizmente, muitos outros não foram mencionados. As razões são muitas. A principal delas é a diversidade e a grande quantidade de autores produzindo bons textos, o que torna humanamente impossível recuperar em sua totalidade os trabalhos publicados. Muitos outros nomes serão vistos em outra oportunidade.


* Professor de Literatura da Universidade Federal do Maranhão - UFMA
Data de Publicação: 31 de dezembro de 2008
Fonte: Guesa Errante

quarta-feira, 24 de junho de 2009

A Arte Fotográfica I - São Luís



Depois de muito tempo, voltamos à ativa e inaugurando um novo quadro: A Arte - São Luís. Este quadro mostrará São Luís por ela mesma, algumas imagens e pessoas do nosso povo. Apresentará a cidade encantadora que ficou escondida por entre as pedras das calçadas, por entre os azulejos dos casarões, por entre os portais de cantaria de cada igreja, mostraremos a cidade assim, linda e simples como seu povo. Aprecie a São Luís do século XIX em postais escolhidos pelo MARANHARTE.


Infelizmente não tivemos acesso ao autor dessas fotos, sabemos que foram publicadas na Revista do Norte. Se você souber, por vapor, entre em contado com o Maranharte, para que possamos creditá-lo.



Nosso Teatro Arthur Azevedo, que já se chamou Theatro São Luíz



Antes de sediar a Academia Maranhense de Letras este prédio na Rua do Sol sediou a nossa Biblioteca Pública.



Largo de Santo Antonio