quarta-feira, 29 de julho de 2009

Maranharte Informa - Entrevista com Ferreira Gullar


Em entrevista ao jornal O Estado do Maranhão (29/07/09), o poeta Ferreira Gullar fala como ficou "contente" por ser homenageado na III Feira do Livro de São Luís, mas, por problemas de locomoção, não vai poder comparecer.

O Estado - Este ano, a feira do livro de São Luís escolheu o senhor como patrono. Existe a possibilidade da sua presença no evento?

Ferreira Gullar - Fiquei contente com a homenagem, mas, infelizmente não irei comparecer ao evento. Faz algum tempo que eu não viajo de avião e para chegar a São Luís de carro é muito longe. Até de avião é ruim, pois são cinco horas de viagem. A metade da ida para a Europa, para chegar a Milão são 10 horas, é muito tempo para mim.


O Estado - Há quantos anos o senhor não vem ao Maranhão? Mesmo distante, São Luís ainda é inspiradora para a sua poesia?

Ferreira Gullar - Faz uns sete a oito anos que eu não vou a São Luís, eu lamento muito porque é a minha cidade. Eu tenho saudade, mas é muito longe. Agora, é evidente que a cidade influencia a minha obra poética. Por exemplo, meu poema mais importante que foi “O Poema Sujo”, traduzido para diversos idiomas é relacionado à cidade. Claro que para mim a distância é apenas física, o contato continua.


O Estado - Quanto à feira do livro de São Luís, o senhor tem alguma referência a respeito do evento?

Ferreira Gullar - Não. Eu sei que existe o evento, mas não tenho muitas referências sobre a realização. Eu sei que acontece e realmente fiquei muito feliz em ser homenageado. Se a produção providenciasse algo como uma teleconferência, um bate-papo ou que eu gravasse um pronunciamento, eu participo e será uma honra.


O Estado - Ainda no Maranhão, o senhor acompanha o que está sendo produzido na literatura maranhense?

Ferreira Gullar - Sim, eu recebo muitos livros. Tenho muitos amigos que moram aí e que produzem bastante. Acompanho o trabalho de Arlete (Nogueira da Cruz) e do Nauro (Machado) e tem também o José Chagas. Quer dizer, são poetas cuja atividade cultura é reconhecida no país inteiro. São Luís ainda é um relevo cultural muito importante. Eu sempre estou me informando sobre o que acontece. Tenho amigos e parentes que moram no Maranhão. Quer dizer, eu nunca me desvinculei totalmente, minha ausência é apenas física.


O Estado - E no Brasil, o senhor cita algum nome ou obra?

Ferreira Gullar - Olha... eu não vou fazer menção para não me comprometer (risos). O que eu posso dizer é que há bons poetas em diversos estados brasileiros. A poesia nacional está bem viva e eu recebo muito material. Agora é claro que há bons poetas e muita coisa ruim, mas eu acho que isso é comum em todas as áreas de atuação, seja na poesia ou no futebol.

O Estado - O senhor já comentou em outras entrevistas que a poesia nasce de um espanto. Gostaria que o senhor comentasse essa relação com a poesia.

Ferreira Gullar - A poesia não é programada, eu não posso agendar que amanhã eu vou escrever uma poesia. Isso eu posso fazer com a crônica que eu publico na Folha de São Paulo, mas a poesia não. É algo que surge do nada. Surge, exatamente do espanto. Daquilo que pode despertar emoções. Não posso sentar com o propósito de fazer poesia. Assim eu não conseguiria, pois ela surge do espanto.


O Estado - A poesia é vocação?

Ferreira Gullar - Tudo na vida é vocação, escrever poesias é, sem dúvida, uma das qualidades inatas do ser humano, assim como uma pessoa nasce com habilidade para jogar futebol. Quer dizer são coisas que as pessoas não estudam para vir a ser. Nascem com a pessoa. Já dizia Noel Rosa “O Samba não se aprende na escola”. O mesmo ocorre com a poesia.


O Estado - Mas como toda vocação precisa ser aprimorada...

Ferreira Gullar - Ah...isso é outra história, todo trabalho precisa ser aprimorado. Isso não há duvida. As pessoas nascem com a vocação, mas precisa lapidar. Se fosse de outra forma, o jogador de futebol não precisava treinar e o poeta não precisava conhecer bem a Língua Portuguesa. O aprimoramento é muito importante.

Fonte: www.imirante.globo.com

terça-feira, 28 de julho de 2009

Caminho das Pedras: 5º Festival GEIA de Literatura


O primeiro festival GEIA de Literatura ocorreu no ano de 2005, na mesma balneária e bela cidade de São José de Ribamar e nos mesmos pitorescos lugares (no Ginásio do Patrono São José, na Unidade Escolar Diógenes da Silva Pereira, na Igreja e na paróquia da cidade e no restaurante Miramar). Nestes cinco anos de festival GEIA poucas coisas mudaram, continuam as oficinas pela manhã (quase sempre oferecidas para a população jovem), a tarde outras oficinas e algumas palestras sobre a cidade e a noite os já famosos debates (ou mesas-redondas) entre alguns dos nossos melhores escritores, sendo que no ano seguinte acrescentou-se as comunicações de alguns estudantes de Ribamar e de São Luís.

Os três dias sempre foram muito bem divididos pela organização e mesmo que alguém só pudesse privilegiar um dia de evento, este teria a oportunidade de apreciar exposições, palestras, comunicações e seminários sobre a literatura brasileira e principalmente a literatura maranhense, em especial nas comunicações oferecidas por estudantes das faculdades públicas e particulares do Maranhão, que começaram a serem apresentadas a partir de 2007.

Alguém pensou que os jovens pesquisadores ribamarenses e ludovicenses por certo também quisessem falar sobre os “nossos” e iniciaram uma produtiva procura por estudantes que estivessem dispostos a apresentar comunicações sobre os escritores da terra de Gonçalves Dias. Este alguém estava certo, muitos estudantes de várias universidades e principalmente dos cursos de Letras, estavam realmente produzindo artigos, bibliografias e pesquisas nessa área. Sobre esses autores falaram em 2007:

Priscila da Conceição Viegas (UEMA) - Os Teares da Literatura Maranhense: romancistas contemporâneas maranhenses;

Mariane Vieira da Silva (UNICEUMA) - As encruzilhadas do Ser na poesia de Nauro Machado;

Andréa Leite (UEMA) - O cômico em Artur Azevedo: um estudo dos contos;

Danyllo Santos Araújo (FAMA) - A transcendência do nacionalismo romântico na epopéia ”O Guesa” de Sousândrade;

Flaviano Meneses da Costa (UNICEUMA) - Movimento da Movelaria e a renovação da literatura maranhense;

Natália Regina Rocha (FAMA) - As várias vozes do discurso de João Mohana nas obras Maria da Tempestade e O Outro Caminho;

Márcio Rogério Durans (UEMA) - O s Teares da Literatura Maranhense: Oficina dos Novos;

Eduardo Monteiro Costa (UEMA) -Os Teares da Literatura Maranhense: Trajano Galvão;

Em 2008, o Professor Sebastião Moreira Duarte em nome do GEIA foi pessoalmente ao Departamento de Filosofia da UFMA convidar os seus discentes para que se escrevessem como comunicantes no festival daquele ano. Dos dez trabalhos inscritos, dois foram aprovados.

Naquele ano tivemos as seguintes apresentações sobre a Literatura Maranhense:

Flaviano Menezes da Costa (Filosofia - UFMA)- A estética da vida: incompreensão e reflexões sobre a obra filosófica de Graça Aranha;

Lourdimar da Glória Sales (SANTA FÉ) - Uma reflexão político-social da obra de Úrsula, de Maria Firmina dos Reis;

Márcio Rogério Durans Portela (UEMA)-A poesia simbolista na literatura maranhense;

Eduardo Monteiro Costa (UEMA)- Neoclássicos e românticos na poesia maranhense do século XIX;

Danylo Santos Araújo (FAMA)-A transcendência do nacionalismo romântico na epopéia de O Guesa de Sousândrade;

Rosângela Abreu Lobato (SANTA FÉ)- O Cortiço: um painel social;

Josianne dos Santos e Natália Serpa (Filsofia -UFMA)-Ressonâncias nietzscheanas na obra de Graça Aranha: um diálogo fundamentado pelas teorias de Bakhtin;

Leônidas de Matos Soares (UEMA)- Gonçalves Dias e Sousândrade: indianismo na poesia maranhense do século XIX ;

Priscila da Conceição Viegas (UEMA)- O romance maranhense de expressão feminina;

Fabiane Fonseca da Silva (FAMA)- Os pregoeiros do Maranhão: análise memorialística e morfológica dos vendedores de rua;

Edvana Milena Morales Pereira (SANTA FÉ)-Aluísio Azevedo: uma análise comparativa da obra Mulato com o preconceito racial na atualidade;

Anderson Roberto Correia Pinto (UEMA)- Poetisas maranhense contemporâneas;

Manoela de Jesus Campos Reis (UEMA)-João do Vale, cantor e poeta do povo;

Márcio Diniz Costa (FAMA)-A literatura maranhense nas crônicas de Jomar Moraes.

A expectativa era grande, principalmente para nós do MARANHARTE. Se em 2007 foram oito comunicações sobre a literatura e a arte da nossa terra, em 2008; quatorze, a nossa esperança era que neste ano pudéssemos fazer um especial sobre “O quanto o jovem maranhense contempla a sua literatura” ou coisa parecida. Porém, tivemos uma grande e frustrante surpresa quando tivemos acesso a programação do GEIA 2009. Ao que parece, houve uma mudança na organização do evento, e os novos responsáveis por escolherem quais comunicações participariam desse festival não sentiram a necessidade de dar prosseguimento a essa evolutiva escala de contribuição para a divulgação da Literatura Maranhense. Este ano teremos:

Albertina Abtibol Ramos (FAMA)-São Luís na visão de Nauro Machado;

Flaviano Menezes da Costa (UFMA)-Entre o céu e a terra: reminiscência de um gentil escritor;

Renata de Jesus Viana (FAMA)- Memória e história em Lourival Serejo.

O que houve? A resposta, podemos encontra no próprio título de algumas comunicações deste ano que incluem palavras como; Leitura, aprendizagem e linguística.

É isso? O GEIA estar absorvendo as transformações que o Curso de Letras da UFMA está passando. Um curso que vem retirando de sua grade curricular disciplinas essênciais como o de Crítica Literária e que contém SETE disciplinas de linguística (esclarecendo que estamos nos referindo aqui, a exagerada exposição da disciplina e não a sua utilidade, pois sabemos o quando a mesma vem contribuindo para a diminuição do predomínio do velho e estancado monstro da gramática , apesar das reformas atuais). É triste, mas parece que voltamos ao ponto de partida na divulgação da nossa literatura. Sabemos que todas essas Universidades possuem as suas Semanas Acadêmicas de Letras (sem contar o ENEL e o EREL que acontece todo ano), essas semanas são sempre bombardeadas com exposições sobre letramento, aprendizagem (didática) e signos linguísticos, sobrando pouco espaço para se falar sobre literatura, menos ainda sobre a Literatura Maranhense. Será que até em um Festival de Literatura no Maranhão, a mesma ficará em segundo plano?

A Redação

Abaixo, o link com a programação de 2009.

http://www.geia.org.br/2008/10/festival-geia-2009-programacao/

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Maranharte Informa: 3ª Feira do Livro de São Luís


A 3ª Feira do Livro de São Luís já deu os seus primeiros passos . Na tarde de sexta-feira, (24/07) a Fundação Municipal de Cultura (Func) promoveu uma reunião com os seus principais parceiros (editoras e patrocinadores) no auditório do Memorial Maria Aragão, sendo que, os principais objetivo do encontro foram: levantar a discussão sobre o formato que o evento terá agora em 2009, apresentação do tema -A Diversidade da Literatura na Capital Brasileira da Cultura- e a permanência do principal objetivo que é a valorização à literatura maranhense A grande surpresa foi a escolha do homenageado (ou patrono); o poeta Ferreira Gullar. Entretanto, a escolha ainda pode ser revista, mas a data da 3ª Feira já está agendada, será entre os dias 9 e 18 de outubro de 2009.


O Maranharte pergunta: O poeta Ferreira Gullar é a melhor escolha para ser o escritor maranhense a ser homenageado na 3ª Feira do Livro de São Luís?

domingo, 19 de julho de 2009

Caminho das Pedras: Colóquio de 75 anos de morte de Coelho Neto e Humberto de Campos

Neste ano os autores maranhenes Coelho Netto e Humberto de Campos fazem 75 anos de morte e a Café & Lápis faz uma homenagem a esses dois literatos fabulosos e o MARANHARTE não poderia deixar de divulgar este evento. Abaixo segue as informações necessárias para a participação no evento.


Período de Inscrições: 20/07/09 a 11/09/09.Valor: R$ 10,00.
Procedimento:
1º) Depósito bancário identificado.
Conta corrente: 16263-9.
Agência: 1319-6.
Banco Bradesco.
Em nome de: Claunísio Amorim Carvalho
2º) Enviar e-mail (endereço abaixo) confirmando o depósito com os respectivos dados.
3º) Apresentar documento de identificação no dia do credenciamento.
Outras informações:
Blog: cafelapiseditora.blogspot.com
E-mail: cafelapis.editora@gmail.com
Fone: (98) 3082-8871.
Programação (16 e 17/09/2009)
Programação (16 e 17/09/2009)
- 16/09/09 (quarta-feira)
08:30 h – Credenciamento
10:00 h – Abertura
10:30 – Conferência: “75 anos de morte de Coelho Netto e Humberto de Campos”.
- Sebastião Moreira Duarte (AML).
14:00 – Mesa-redonda 1: Literatura Maranhense (1870-1940).
- Elisângela Pereira Gomes (Pós-graduanda em História do MA/UFMA);
- José Dino Cavalcante (Dept.º Letras/UFMA);
- Washington Luís Maciel Cantanhede (Promotor de Justiça/Memorial do MP-MA).
16:00 – Palestra: “Humberto de Campos de todas as letras”
- José Neres (Dept.º Letras/FAMA).

- 17/09/09 (quinta-feira)
08:30 h – Mesa-redonda 2: Coelho Netto em foco.
- Claunísio Amorim Carvalho (Café & Lápis Editora);
- José Neres (Dept.º Letras/FAMA);
- Venúsia Belo (Deptº. Letras/UEMA).
10:30 h – Palestra: “Literatura e História”.
- José Henrique de Paula Borralho (Deptº. História/UEMA).
14:00 h – Mesa-redonda 3: Humberto de Campos em questão.
- Eduardo Henrique (Colégio Educator/Bom Pastor);
- Maria da Glória Guimarães Correia (Dept.º História/UFMA);
- Natinho Costa (Rede Pública Estadual/PQD-UEMA).
16:00 h – Palestra: “Coelho Netto, o operário das letras”
- Eulálio de Oliveira Leandro (Fundação Nice Lobão).
17:30 h – Lançamento de Livros
18:30 h – Encerramento
Local: Teatro Alcione Nazaré (Centro de Criatividade Odylo Costa Filho - Praia Grande - São Luís/MA)

*A Café & Lápis Editora foi fundada em 12/02/2009 é uma empresa do ramo editorial especializada em textos acadêmicos das áreas de ciências humanas (história, sociologia, antropologia, filosofia, literatura, crítica literária, etc.), ciências da religião e teologia, incluindo também obras em domínio público de autores nacionais e estrangeiros. A proposta principal é colocar no mercado trabalhos ricos em potencial de autores maranhenses, dando oportunidade a professores universitários, pesquisadores e intelectuais que têm muito a dizer à sociedade, nas suas áreas de afinidade.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Pedra Preciosa V - Maranhão Sobrinho

José Augusto Américo Olímpio Cavalcante de Albuquerque (ou Albuburques) Maranhão Sobrinho, nascido aos 20 de dezembro de 1879, em Barra do Corda, e faleceu em 25 de dezembro de 1915. Coincidência ou não, o poeta tinha o desejo de morrer jovem (antes dos 40), e morreu, ao 36 anos de existência produtiva e boêmia.
Seus primeiros poemas são datados quando o autor perfazia a idade dos 18 anos e ainda em Barra do Corda e endereçados aos amores de juventude (como a jovem Honorina de Miranda, Noca, irmã do seu professor; Raimundo Nonato de Miranda)
Diz a Antologia da Academia Maranhense de Letras; “Concluiu o autor de Vitórias Régias o primário na escola do Professor Raimundo de Miranda, em sua cidadezinha natal, onde chegou a se distinguir, pela vivacidade e inteligência, como o primeiro aluno. Adquiridos os conhecimentos elementares, ingressou no comércio local, entregando-se com ardor à leitura de qualquer coisa impressa que lhe caía às mãos, principalmente o Almanaque Luso-Brasileiro, talvez atraído pelas suas páginas, quase sempre recheadas de poesias, às vezes necessitando de escoras[...]”
No ano de 1899, com a ajuda do pai e de seu tio José, embarcou para São Luís. Na capital matricula-se na antiga Escola Normal e ganha uma bolsa de estudo para pagar suas despesas de estudante notável. Mas abandona o curso por não concordar com as atitudes de alguns profesores. Entrega-se a vida boêmia.
Nesse período conheci o escritor Antônio Lobo tornando-se grandes amigos. Em 1903, impressionados com a vida boêmia que levava em S. Luís, alguns amigos (principalmente Antônio Lobo) mais votados o embarcaram para Belém do Pará, na expectativa de que ali mudasse de comportamento e, trabalhando, arranjasse meios de publicar seus livros.
Na capital paraense, colaborou no jornal Notícias, na Folha do Norte e em outros periódicos, tornando-se famoso nos meios intelectuais e é claro, nas rodas boêmias. Mas a saudade dos amigos e de sua terra é maior e o poeta volta para sua terra.
Ao voltar Maranhão Sobrinho continua a colaborar em jornais e outras publicações de S. Luís (como também de vários outros Estados), incluindo-se entre estas a Revista do Norte, de Antônio Lôbo e Alfredo Teixeira.
Não dispondo de recursos financeiros, consegui publicar seus trabalhos com muita dificuldade e principalmente com a ajuda dos amigos acadêmicos. Foram ao todo três livros editados de modo bastante precário, com circulação restrita à província. O primeiro foi Papéis velhos (S. Luís, Tipografia do Frias,1908) e que teve como grande incentivador o Dr. Luís Carvalho.
A crítica da época assinalou uma produtiva influência dos franceses Baudelaire e Verlaine, e o considerando um dos mais talentosos poetas do movimento simbolista no Brasil , ao lado de Cruz e Souza e Alfonsus Guimaraes. No ano seguinte sai o seu segundo livro (ainda com poemas que seus amigos conseguiram encontrar em estabelecimentos que o autor freqüentava e deixava como lembranças nas mesas), Estatuetas, com 171 páginas e impresso na Tipografia de Ramos d’Almeida e Cia. Assim Raimundo Lopes refere-se ao amigo; “Uma imaginação prodigiosa de colorista mágico – escreveu o sábio etnógrafo – era a qualidade mais sensível do seu talento. Levava-o ela a buscar, à maneira dos parnasianos, reviver os países exóticos e as velhas civilizações. Era a revelação, no poeta, do estudioso, que o era, a seu modo, intenso e desordenado, de andar metido em Maspero, e outros orientalistas, à procura das emoções imprevistas da vida antiga, egípcia ou babilônica”.
Maranhão Sobrinho é visto como um poeta representativo do período de transição da Literatura Maranhense e apesar da vida desregrada, teve seu talento largamente reconhecido, tanto pela crítica, quanto pelo público. Deixou grande quantidade de inéditos, em mãos de amigos e de estranhos, sem contar os que improvisava nas mesas e nos balcões de cafés, mercearias, botequins, quitandas, farmácias e drogarias, como as do seu amigo Bernardo Caldas e de outros, que freqüentava e onde fazia “ponto”.
No quadro de membros efetivos da Academia Maranhense de Letras, figura o seu nome como primeiro ocupante da cadeira n.º 19, patronímica de Teófilo Dias, e como patrono da cadeira n.º 21, fundada por Raimundo Lopes que, ao empossar-se, em 1917, pronunciou substancioso estudo sobre o autor de Papéis Velhos (Revista da Academia, 1.º número, S.Luís, 1919).
Obras do autor: Papéis velhos...roídos pelas traças do Simbolismo (1908); Estatuetas (1918); Vitórias-régias (1918).

Texto : Flaviano Menezes
Fontes: Antologia da Academia Maranhense de Letras;
Panorama da Literatura Maranhense;
Site da Academia Maranhense de Letras.