quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Pedra Preciosa VI- Maria Firmina dos Reis



Maria Firmina dos Reis nasceu em São Luís do Maranhão em 11 de outubro de 1825, teve por pais João Esteves e Leonor Felipa (ou Felipe) dos Reis e viveu por algum tempo no bairro de São Pantaleão . Mas embora tenha nascido em São Luís, Maria Firmina passou quase toda a sua vida em Guimarães(morou em uma grande casa próximo a Praça Luís Domingues, foto). É dita autodidata, principalmente por ter aprendido francês sozinha.
Professora primária por quase toda a vida, profissão esta, que teve início quando fora aprovada em primeiro lugar em um concurso público estadual no ano de 1847 para mestra régia (isto é, professora concursada, e não leiga), aposentou-se em 1881, porém, um ano antes da sua aposentadoria fundou a primeira escola mista no Maranhão (apesar do escritor Mário Meireles afirmar que tenha sido o poeta e professor Sousândrade que tenha instituído esse regime escolar) tendo esta funcionado até 1890. Faleceu em 11 de novembro de 1917 aos 92 anos, cega e pobre.
Iniciou sua carreira literária com a publicação do romance Úrsula (publicada sob o pseudônimo de “Uma Maranhense”) em 1859 pela Typographia do Progresso (MA). Posteriormente começou a colaborar com o jornal A Imprensa (1860), principalmente com poesias (mais ainda usando pseudônimos ou assinando com as iniciais M.F.R) e em 1861 começa a publicar Gupeva no jornal Jardim das Maranhenses.
Entre 1863 e 1865, republica Gupeva nos jornais Porto Livre e Eco da Juventude. Em 1871 publica Cantos à beira mar pela Tipografia do Paiz e posteriormente participa da antologia poética Parnaso Maranhense (1861) e colabora ainda com os seguintes jornais: Publicador Maranhense (1861), A Verdadeira Marmota, Semanário Maranhense (1867), O Domingo (1872), O País (1885), Revista Maranhense (1887), Diário do Maranhão (1889), Pacotilha (1900), Federalista (1903). Escreveu no Almanaque de Lembranças Brasileiras (1863,1868) um artigo de título “Minhas impressões de viagem” (1872), um diário intitulado Álbum (1865), várias charadas e enigmas.
Outra faceta da primeira romancista brasileira é a de ser também compositora musical, tanto de músicas clássicas quanto populares (como os belos “autos de bumba meu boi”), assim como a famosa música dos Versos da garrafa, atribuído a Gonçalves Dias (Canção presente até os dias atuais em Guimarães, musicada por Maria Firmina dos Reis tendo letra de Gonçalves Dias.
“Em 1859, o poeta Gonçalves Dias, por motivo de saúde, foi à Europa; na volta, o navio em que viajava, o Ville de Boulogne, naufragou. Todos se salvaram, menos o poeta. Segundo a tradição popular, ele teria colocado seus últimos versos em uma garrafa que viera dar nas praias de Guimarães.” (NASCIMENTO, 1975)
Seu grande redescobridor e biógrafo; Nascimento Moraes Filho, lhe atribui a precedência feminina na cultura maranhense, no jornalismo, na poesia, no romance, no conto e até na música popular e erudita, em jornais da época. Diz o pesquisador maranhense como “encontrou” a escritora;
Descobrimo-la, casualmente, em 1973, ao procurar nos bolorentos jornais do século XIX, na “Biblioteca Pública Benedito Leite”, textos natalinos de autores maranhenses para nossa obra, “Esperando a Missa do Galo”. Embora participasse ativamente da vida intelectual maranhense publicando livros ou colaborando quer em jornais e revistas literárias quer em antologias – “Parnaso Maranhense” – cujos nomes foram relacionados; em nota, sem exceção, por Silvio Romero, em sua História da Literatura Brasileira, registrada no cartório intelectual de Sacramento Blake – o “Dicionário Bibliográfico Brasileiro” – com surpreendentes informações, quase todas ratificadas por nossa pesquisa, Maria Firmina dos Reis, lida e aplaudida no seu tempo, foi como que por amnésia coletiva totalmente esquecida: o nome e a obra!... (MORAIS FILHO, José Nascimento. Maria Firmina dos Reis – fragmentos de uma vida.São Luís: Governo do Estado do Maranhão, 1975)
Sobre a importância de Maria Firmina dos Reis, diz Algemira Macêdo Mendes em sua belíssima tese de doutorado intitulada; Maria Firmina dos Reis e Amélia Beviláqua na história da Literatura Brasileira; representação, imagens e memórias nos séculos XIX e XX. (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul):
[...] Apesar de estar inserida em uma sociedade patriarcalista e na maioria das vezes seus escritos apresentarem um estilo ultra-romântico – característica da época em que ela viveu, considerados, à primeira vista, ingênuos e açucarados, essa escritora como suas contemporâneas mencionava assuntos negados por escritores do seu tempo e revela uma veia abolicionista, articulada com o contexto das relações econômicas, sociais e culturais da época. Não é só a obra de Maria Firmina dos Reis que faz com que ela se destaque das suas contemporâneas. Sua vida também é repleta de fatos que demonstram que ela era possuidora de cultura e de consciência política e social fora dos padrões estabelecidos pela sociedade interiorana e escravocrata do século XIX. Em 1847, ao disputar vaga em concurso, Maria Firmina tornou-se a Primeira Mestra Régia, ou seja, primeira mestra concursada de Guimarães. Por ocasião desse fato, a família da escritora ficou orgulhosa e, querendo homenageá-la, providenciou um palanquim (Cadeira em que os escravos carregavam os nobres), para que ela fosse transportada pelas ruas de São Luís, com destino à cerimônia de entrega do Ato de Nomeação. Exclamou que “ia a pé porque negro não era animal para andar montado em cima dele”. Poderia ter aceitado, se não possuísse o ideal libertário, pois consta que a tia, com a qual havia morado, tinha posses e escravos. Certa vez, escreveu os seguintes versos para as filhas de Guilhermina, escrava de sua tia materna: “São duas flores formosas / as filhas de Guilhermina: / uma é mesmo uma rosa. / E a outra uma bobina.” (MENDES, p.24)
Sobre a educação no Maranhão (principalmente as não recebidas pelas mulheres) Maria Firmina também tinha muito o que dizer, e disse, Em uma pequena autobiografia intitulada Resumo de minha vida (textos estes datados entre 9 de janeiro de 1853 e 1° de abril de 1903) a escritora confidencia;
De uma compleição débil e acanhada, eu não podia deixar de ser uma criatura frágil, tímida e, por conseqüência, melancólica: uma espécie de educação freirática veio dar remate a estas disposições naturais. Encerrada na casa materna, que só conhecia o céu, as estrelas e as flores que minha avó cultivava com esmero; talvez por isso eu tanto amei as flores; foram elas o meu primeiro amor. Minha irmã... minha terna irmã e uma prima querida foram as minhas únicas amigas de infância; e, nos seus seios, eu derramava meus melancólicos e infantis queixumes; por ventura sem causa, mas já bem profundos [...] Vida!... Vida, bem penosa me tens sido tu! Há um desejo, há muito alimentado em minha alma, após o qual minha alma tem voado infinitos espaços e este desejo insondável e jamais satisfeito, afagado, e jamais saciado, indefinível, quase que misterioso, é, pois, sem dúvida, o objeto único de meus pesares infantis e de minhas mágoas. Eu não aborreço os homens, nem o mundo, mas há horas e dias inteiros que aborreço a mim própria” (REIS in MORAIS FILHO, José Nascimento. Maria Firmina dos Reis – fragmentos de uma vida. São Luís: Governo do Estado do Maranhão, 1975)
Segundo ainda a Profª Dr. Algemira Macedo, dos autores analisados, somente Sílvio Romero e Wilson Martins mencionam a escritora, em suas obras criticas sobre a literatura brasileira. E no Maranhão a referência a Maria Firmina dá-se ao enumerar os 52 escritores que fazem parte do Parnaso Maranhense, mas apenas em uma nota de rodapé no qual a autora participa com três poemas.

resumo: Flaviano Menezes


 

Maria Firmina dos Reis - Entre versos, prosa e consciência



A obra literária de Maria Firmina dos Reis não é extensa, mas é audaciosa , significativa e singular. Seu romance mais famoso é Úrsula, de 1859, que é considerada por muitos pesquisadores o primeiro romance abolicionista brasileiro é também o primeiro de autoria feminina no Brasil. A obra também trás novidades, como a visão prosaica do negro, com qualidades e sem os estereótipos, assim como a denúncia contra as agressões contra as mulheres.
Dois anos após da publicação de Úrsula, o jornal literário O Jardim dos Maranhenses publica o romance Gupeva (1861), que narra os encontro violento entre raças, indígena e européia e a relação com suas famílias (então, não só uma obra de temática indianista como alguns escritores gostam de professar).
Em 1871 será a vez do livro de poesias Cantos à beira-mar e, em 1887, da publicação do conto, também de caráter abolicionista, “A Escrava” (onde descreve a rede subterrânea de abolicionistas organizados que ia de São Luis até o Rio de Janeiro escondendo escravos fugidos e comprando-lhes a liberdade), pela Revista Maranhense. Lembrando que a escritora também participou do Semanário Maranhense e em 1861 participou, com os poemas “por ver-te” e “minha vida”, da antologia Parnaso Maranhense, em cujo prólogo seu organizador, Gentil Homem de Almeida Braga, destaca a ousadia da poeta.
Ao lançar uma obra literária ou mesmo em visita a São Luís, não eram poucos os que reverenciavam a sua arte, como podemos observar nos dois trechos a seguir: “A pena da Exma. Sra. D. Maria Firmina dos Reis já é entre nós conhecida...” (Jardim dos Maranhenses, 30 de set. de 1861, num. 24) e “De há muito que todos conhecem os talentos e a habilidade da autora de Úrsula, assim não causou estranheza as poesias que mandou para o Parnaso” (A Imprensa, 19 de outubro de 1861). Era admirada por seus poemas e suas crônicas, porém, ficará marcada por seu romance percurso; Úrsula.
Mas, é mesmo Maria Firmina a primeira escritora (romântica/aboliciocista) brasileira? Esclarece Raimundo de Menezes na obra Dicionário Literário Brasileiro:
A paulista Teresa Margarida da Silva Orta é considerada a primeira brasileira a escrever romances, mas, segundo os maranhenses, sua obra Aventuras de Diófanes, escrita em 1752, foi publicada em Portugal e trata de mitologia grega, um tema que nada tem a ver com o Brasil. Por isso, entendem, não pode ser considerada a primeira. É uma tese que encontra apoio em vários círculos intelectuais de outros Estados. Assim foi homenageada pelo governo do Maranhão, que deu seu nome a uma rua de São Luís e mandou colocar uma placa na antiga tipografia Progresso, onde em 1858 foi impresso Úrsula. F., em data ignorada, com certeza na terra natal. (MENEZES: 1978, 570-571)
“São vastos e belos os nossos campos; porque inundados pelas torrentes de inverno semelham o oceano em bonança calma...”
Assim se inicia Úrsula que narra um singelo romance entre uma moça do campo e um jovem bacharel em Direito; Tancredo, este, formado em S. Paulo. Tendo como figuras centrais os escravos Túlio, Susana e Antero, que recebem no texto um tratamento marcado pelo ponto de vista interno,que trabalham na fazenda do vilão (o tio de Úrsula, o Comendador) e que ainda guardam lembranças da vida na África e da chegada à escravidão. A situação de Úrsula não é diferente, presa a cama da mãe paralítica e perseguida pelo vilão, aquela reconhece toda a humilhação que os negros sofrem frequentemente. Apaixonado por Úrsula, o vilão compra as dívidas do cunhado que logo morre, para se apossar da amada, reduzindo mãe e filha à miséria e tentando mantê-las só para si. Úrsula e tenta fugir com seu amado, mas são capturados. O jovem morre e Úrsula enlouquece depois de amaldiçoar o tio que roído pelo remorso também morre.
O triângulo amoroso formado pela jovem Úrsula, seu amado Tancredo e pelo tio Comendador (que surge como encarnação de todo o mal sobre a terra), ocupa o plano principal das ações. Além de assassinar o pai e abandonar a mãe da protagonista anos e anos entrevada numa cama, o Comendador compõe a figura sádica do senhor cruel que explora a mão de obra cativa até o limite de suas forças. Ao final, enlouquecido de ciúmes, o vilão mata Tancredo na própria noite do casamento deste com Úrsula, o que provoca a loucura, o posterior falecimento da heroína e o inconsolável remorso que também leva o tio à morte, não sem antes passar pela libertação de seus escravos e pela reclusão num convento. O texto descarta o happy end e opta pelos esquemas consagrados no romance gótico a fim de estabelecer a empatia com o público. Segundo Eduardo de Assis Duarte;
Todavia, o livro cresce na medida em que emergem os dramas dos escravos. A narrativa se inicia com o jovem Túlio – único cativo da decadente propriedade da mãe de Úrsula – salvando a vida de Tancredo num acidente. Não por acaso, o capítulo primeiro, destinado à apresentação do cenário e dos dois personagens, se intitula “Duas Almas Generosas” e logo saberemos por quê. De imediato, destaca-se a humanidade condoída do sujeito afro-descendente, cujo perfil dramático e existencial vai além da mera força de trabalho ou do papel de porta-voz do ódio rancoroso dos quilombolas:
– Que ventura! – então disse ele, erguendo as mãos ao céu – que ventura podê-lo salvar!O homem que assim falava era um pobre rapaz, que ao muito parecia contar vinte e cinco anos, e que na franca expressão de sua fisionomia deixava advinhar toda a nobreza de um coração bem formado. O sangue africano refervia-lhe nas veias; o mísero ligava-se à odiosa cadeia da escravidão; e embalde o sangue ardente que herdara de seus pais, e que o nosso clima e a servidão não puderam resfriar, embalde – dissemos – se revoltava; porque se lhe erguia como barreira – o poder do forte contra o fraco!...Ele entanto resignava-se; e se uma lágrima desesperação lhe arrancava, escondia-a no fundo de sua miséria. (Reis, 2004: ...)
Mais sobre a Obra Úrsula de Maria Firmina dos Reis, acesse: http://www.editoramulheres.com.br/ursulaposfacio.htm

 

domingo, 16 de agosto de 2009

Caminho das Pedras: III Semana Montelliana




A Casa de Cultura Josué Montello estará realizando, no período de 17 a 21 de agosto, a III Semana Montelliana, em homenagem aos 92 anos de nascimento de seu patrono, o escritor Josué Montello.A programação constará de palestras, visitas guiadas, lançamentos de dois livros, apresentação musical e coquetéis, e contará com a presença da filha de escritor Josué Montello, Lenka Montello, que virá do Rio de Janeiro para participar do evento. Confira a programação.

Dias 17 e 18 (Das 14:30 às 17:00 h

14:30h –Visita Guiada à Casa de Cultura Josué Montello.

15:30h – Exibição de Vídeo-Documentário sobre a vida e a obra de Josué Montello.

16:00h –Palestra “Josué Montello sua vida e suas obras” com a professora Telma Bonifácio.

Dia 19 (Das 15:30 às 17:00 h

15:30h –Visita Guiada à Casa de Cultura Josué Montello.

16:00h–Palestra “Maria Olívia e Natalino: Arquétipos dos Séculos XIX e XX, em Noite sobre Alcântara.” Com o poeta Hagamenon de Jesus.

Dia 20 (Das 18:30 às 21:00h

18:30h – Abertura

19:00h - Palestra “Josué Montello: o Benjamin da Academia.” Com o Escritor e Professor José Neres

20:00h – Lançamento do Livro: “Leituras Críticas de Romances de Josué Montello”, com os trabalhos vencedores do Concurso “Análise de Romances de Josué Montello”, e relançamento do livro “Montello: o Benjamin da Academia”, do Escritor e Professor José Neres.

20:30h - Abertura da Exposição “Vivências de Josué na França”.

Apresentação Musical -Coquetel.

Dia 21 (Das 18:30 às 21:00h)

18:30h – Missa em memória dos 92 anos de nascimento do escritor Josué Montello.

19:30 h – Lançamento do Livro “Areias do Tempo:crônicas sobre a cultura francesa e seus autores”, Obra póstuma de Josué Montello.

Apresentação Musical- Coquetel


O quê: III Semana Montelliana

Quando: 17 a 21 de Agosto de 2009

Onde: Casa de Cultura Josué Montello (Rua das Hortas, 327 - Centro)

sábado, 8 de agosto de 2009

Maranharte Informa: 2ª Feira Saiber-Tupi


A Feira Saiber-Tupi é um evento organizado pela Sociedade Cultural Curriola e que nesta sexta-feira (14/08/09) irá promover sua segunda edição com venda de livros (de R$ 1,oo à 10,oo), debates e shows, além da exibição do curta "Infernos", de Frederico Machado, uma homenagem maldita à obra poética de seu pai, Nauro Machado. E é ele, o maior poeta maranhense moderno, o grande homenagenado desta edição. Fontes seguras confirmaram a presença do poeta. Imperdível

O quê: 2ª Feira Saiber-Tupi
Quando: 14/08/09 ( 17:00 h)
Onde: no Anfiteatro Betto Bittencourt, ao lado do Centro de Criatividade Odylo Costa Filho, no Bairro da Praia Grande - Centro

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Maranharte Informa: Lançamento do livro Memórias e Memórias inacabadas, de Humberto de Campos

Quinta-feira última, em companhia de Lino Moreira, dirigi-me a São José de Ribamar, com a finalidade precípua de participar de um dos pontos altos daquela por muitos motivos louvável iniciativa cultural, ponto alto esse representado pelo lançamento da importante obra memorialística de Humberto de Campos, a saber: o graficamente muito bem realizado volume reunindo as Memórias e Memórias inacabadas, feito editorial sem precedente na crônicas das sucessivas reedições desses dois deleitáveis livros de nosso conterrâneo, representativos de uma espécie de ilhas-gêmeas afortunadas no conjunto das obras do autor de Sombras que sofrem, obras outrora distinguidas pela calorosa preferência dos leitores brasileiros, mas que, de uns bons anos a esta parte, têm lançado seu autor num limbo crescentemente mais profundo e espesso.
Oxalá o lançamento do volume intitulado Memórias e Memórias inacabadas, que, curiosamente, leva o cabalístico número 13 da Coleção Geia de Temas Maranhenses, repito, para ser necessariamente enfático, oxalá tal lançamento alavanque o processo de re-valorização da obra de Humberto de Campos, maranhense que, nos anos 20 e 30 do século passado, foi um dos escritores brasileiros mais lidos e de maior prestígio em nosso país, especialmente, por exemplo, na Bahia, onde o longo e lancinante martírio que antecedeu a morte do autor de Carvalhos e roseiras produziu profunda consternação.
Mas retomando o fio da meada: fomos a São José de Ribamar, na última quinta-feira, para o lançamento do livro já citado, porém chegamos atrasados para o evento. Segundo nos disseram, o ato se havia encerrado há poucos minutos. Lamentei o excesso de veículos na estrada e o mau estado de conservação desta, que obstaculizaram nossa chegada a tempo na cidade do santo mais querido do Maranhão, segundo muitos repetem, desconheço se com exatidão ou anacronismo, posto que o prestígio dos santos pode sofrer muitas variações.
A viagem a São José de Ribamar, porém, ao contrário de corresponder a um esforço baldado, permitiu-me voltar a uma cidade pela qual sempre tive grande simpatia, sentimento associado a profunda pena, diante do abandono criminoso a que por muitos anos a vi submetida.
Pois a cidade batizada com o nome do santo milagroso cuja memória em terras maranhenses remonta a antigas eras que evocam navegantes lusitanos em demanda dos mares maranhões, cidade que é liricamente celebrada pelo poeta Gentil Braga, além de muitos outros, sofreu durante anos seguidos os maus tratos de péssimos administradores, quais os tem, lamentavelmente, a maioria dos municípios maranhenses.
Presentemente, entretanto, São José de Ribamar, sob a eficiente administração do Prefeito Luís Fernando, vive dias de decência administrativa, qual acontecerá com diminuta percentagem de municípios maranhenses. Pois a verdade sem retoques é que, dos 217 municípios em que se divide nosso Estado, poucos, vergonhosamente poucos serão os municípios dirigidos com o mínimo de decência, onde não lavre, desavergonhadamente, os mais torpes métodos de corrupção.
Quem hoje vai a São José de Ribamar, vê com seus próprios olhos que ali tem curso uma administração exemplar. Pena, grande e lastimável pena é que essa constitua uma exceção. Grande pena que assim seja.
Conforme já afirmei e faço questão de repetir, foi muito proveitosa a ida a São José de Ribamar, pois ela nos permitiu ver de perto uma administração exemplar, e também o louvável trabalho cultural que o Instituto Geia ali realiza todos os anos, levando o livro e outros muitos instrumentos de estímulo cultural aos habitantes daquela cidade, especialmente aos seus jovens estudantes.

Jomar Moraes, publicado em O Estado do Maranhão, edição de 2/9/2009




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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Caminho das Pedras: Rapaz,de Mariano Cassas

Lançado o 3º livro de poemas de Mariano Cassas ( irmão do também poeta Luís Augusto Cassas). RAPAZ trás versos pequenos e pungentes nos quais o autor descreve o amor “que não ousava dizer o nome”, uma obra poética maranhense que revela o amor entre iguais. Abaixo, o comentário do incansável divulgador da nossa literatura Alberico Carneiro sobre a importância da obra de Mariano Cassas e alguns poemas que estão no livro.

Por várias razões devemos ouvir a voz do poeta maranhense Mariano Cassas, que celebra em seu livro de poemas Rapaz, como se a tombar um muro de Berlim, um amor elegíaco em relação ao seu bem-amado, com a coragem e o desassombro de quem se cansou de se esconder por trás de máscaras usadas por medo dos preconceitos.

Lendo-se Mariano Cassas, percebe-se que os poemas dele representam o rompimento das algemas e cadeias, um mergulho de dentro para fora, uma catarse que o redime e, ao mesmo tempo, a inúmeros jovens que sofrem e sangram em silêncio e, quantas vezes até se dilaceram e matam por medo das insídias de uma sociedade moralista e hipócrita, desafiada a jogar as primeira pedra e, embora sem poder fazê-lo, insiste em dar as última palavra.

Além do mais, estamos diante de um escritor de sentimentos autênticos, sob o domínio da emoção, escrevendo numa linguagem da modernidade.

Mariano Cassas manifesta-se através de poemas curtos, com linguagem condensada, a lembrar-nos aquela inflexão sáfica que visa dizer o máximo com o mínimo de palavras.

Fonte:www.guesaerrante.com.br




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