sábado, 17 de abril de 2010

Maranharte Indica: O Rei Touro e outras lendas maranhenses, de Jomar Moraes



fonte: O documentário "A Ilha de Dom Sebastião" foi filmado em 2002, na Ilha dos Lençóis, na costa do Maranhão. A obra possui vinte minutos de histórias e lendas do nosso Maranhão (encontramos este resumo). A ilha, que já foi considerada a maior concentração de albinos do mundo, é povoada por pessoas que se consideram descendentes de Dom Sebastião, rei de Portugal que desapareceu numa batalha no Marrocos em 1578. O vídeo é uma co-produção da TV Câmara com a produtora Câmera 4 Comunicação e Arte, com a direção de Marcya Reis e Ivan Canabrava. Em 2006, "A Ilha de Dom Sebastião" levou dois importantes prêmios no 29º Festival Guarnicê de Cinema e Vídeo de São Luís (MA): Melhor Documentário da Mostra Refestança e Troféu Guarnicê de Melhor Argumento para a roteirista Marcya Reis, da TV Câmara. Pedimos desculpa aos realizadores e aos leitores por apresentar essa cópia com a qualidade de imagem não muito boa, muito aquém das imagens registradas pela produtora Câmara 4.


Assim como o bumba-meu-boi, o sebastianismo não existe somente no Maranhão. O “nosso” sebastianismo destacou-se por sua singularidade, marcado por um Dom Sebastião que se desloca para uma terra árida, um espaço insular, a Ilha dos Lençóis. Este ser encantado tornou-se uma referência para um conjunto de práticas instituídas nas pajelanças, nos terreiros de mina e nas diversas narrativas construídas e compartilhadas.

Em 1980, o pesquisador e romancista Jomar Moraes publica O Rei Touro e outras lendas maranhenses , obra que, como o próprio título afirma, discorrerá sobre as principais lendas do folclore maranhense. É uma obra que por vezes recorre aos fatos históricos para radiografar como se adicionou os componentes ficcionais na cultura popular da nossa terra. Assim, teremos algumas lendas que envolvem personalidades da nossa história, como; a lenda do Palácio das Lágrimas, da Carruagem de Ana Jansen, do João de Uma, dentre outros. Outra temática é a religiosidade, não só cristã (lenda de São José de Ribamar, de Nossa Senhora do Livramento, etc.), mas também de origem africana e indígenas. São lendas seculares, que brotaram em nossa terra, ou através de “causos” inventados no dia-a-dia ludovicense ou trazidos por imigrantes e aqui receberam uma roupagem nova.

Para Jomar Moraes; “A lenda de D. Sebastião é, sem a menor dúvida, a que mais estranhamente penetrou na alma maranhense, inspirando cantadores de boi, compositores populares, poetas, romancistas e pintores.[...] Registra-se ainda, pela significação cultural de que se reveste, a importância atribuída a D. Sebastião nos “terreiros” maranhenses e nos circuitos do bumba-meu-boi, em que são comuns as todas com referências ao rei e aos mistérios que envolvem de beleza e fascínio sua aliciante figura." ( MORAES, 2008, p. 26)

O El-Rei D. Sebastião recebe um capítulo à parte na obra (que teve uma segunda edição em 2008, pela editora Ética), em que o autor aproveita para fazer algumas considerações sobre a origem portuguesa na lenda, a vinda desta lenda para o Maranhão e sua adaptação. Sabiamente, o pesquisador também recorre a depoimentos, (como a de D. Mariazinha que diz incorporar O Rei Sebastião) e algumas produções poéticas que se inspiraram nesta lenda (como a Balada da Praia dos lençóis, de Bandeira Tribuzi)

Ó touro Sebastião

refugiado no mar,

mágico da morte isento

dono da praia exemplar,

amargo senhor imerso

na forma a desencantar.

Touro sagrado na testa

por alva estrela sagrada?

Que madrugada suprema

te tocará a intocada

carne ferida sem toque

de morte de fria espada?

Trecho de Balada da Praia dos Lençóis

De Bandeira Tribuzi.

Caso você tenha curiosidade em saber mais sobre a lenda de São Sebastião e sua relação com a literatura maranhense, estamos disponibilizando Os Filhos da Lua: Poéticas Sebastianistas na Ilha dos Lençóis-MA, dissertação de Mestrado de Joel Carlos de Souza Andrade. No capítulo IV intitulado “Os Contos e Cantos da Memória”, o mesmo analisa a memória em torno da crença sebastianista de Lençóis e como se configura e se dispersou nos contos literários. Clique AQUI.

Obs: você precisar ter o programa Adobe Reader instalado em seu computador para ver o trabalho citado acima. Caso não o tenha, clique AQUI.

2 comentários:

Anônimo disse...

Onde posso encontrar essa obra?

Belo trabalho de vc. Parabéns.

Marília Mendes

MARANHARTE disse...

Olá Marília, obrigado por nos visitar.
existe uma livraria na Acadêmia Maranhense de Letras que fica do lado esquerdo da entrada principal. Como o Jomar Moraes já presidio a mesma, talvez tenha essa obra por lá.
abraços.