sábado, 27 de novembro de 2010

Especial Maranharte: A Minha 4ª Feira do Livro de São Luís


A questão lançada foi simples e rasteira; - O que você achou da 4ª edição da Feira do Livro de São Luís?

Tal pergunta foi feita para alguns colaboradores do Maranharte e também para vários profissionais que atuam na área e têm credibilidade e conhecimento para discorrer sobre o tema proposto.

A intenção não foi confrontar as opiniões dos convidados, mas fazer com que entendamos que é necessária uma avaliação detalhada sob vários ângulos e opiniões de várias pessoas ligadas direta ou indiretamente a um evento para tentar conservá-lo ou melhorá-lo.

Também não tivemos como objetivo, tentar influênciar o leitor, até porque, em tal percurso do caminho, todos nós já temos nossas avaliações concluídas. Mas se tal “poder” ocorrer, como diria Aristóteles: - “Não se culpa, mas a retória do autor!”.

Alguns dos “convidados” ainda não enviaram seus textos, assim sendo, ao serem enviadas, as incluiremos neste post e não em um novo.

Queremos fazer um agradecimento especial a Talita Guimarães, sempre simpática e atenciosa conosco, e que nos envio algumas fotos da Feira. Infelizmente tivemos que escolher apenas alguns momentos importantes desse evento.

Alguns textos foram produzidos especialmente para o Maranharte, outros, já haviam sido publicados. O único que não tivemos uma autorização formal foi do escritor Jomar Moraes, mas é com o seu “polêmico” artigo que iniciamos esse especial sobre a 4ª feira do Livro de São Luís.

(clique no nome do autor para ter acesso ao artigo)

Jomar Moraes

Pesquisado, escritor e membro da Academia Maranhense de Letras.


José Ewerton Neto

Engenheiro, escritor, membro da Academia Maranhense de Letras.

Blog: http://joseewertonneto.blogspot.com/


Claunísio Amorim Carvalho

Historiador, escritor e proprietário da Café & Lápis Editora.

Blog: http://cafelapiseditora.blogspot.com/


Talita Guimarães

Formanda em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo.

Blog: http://ensaiosemfoco.blogspot.com/


Mariane Vieira

Graduado em Letras, redatora do jornal O Imparcial e coautora do informativo Maranharte.


Flaviano Menezes

Graduado em Letras, graduando de Filosofia (UFMA) e coautor do informativo Maranharte.




quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Literatura, Câmera, Ação: José Chagas



Adaptação do poema homônimo do escritor José Chagas.
O filme aborda o descaso com o patrimônio arquitetônico de São Luís.
Direção: Euclides Moreira
Ficção/Documentário - 35mm, São Luís/MA - Brasil, 1989.
Projeto de Memória do Cinema Maranhense / ABD Nacional
(Exibição autorizada pelo autor para a ABD Maranhão)

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Pedra Preciosa: Clóvis Sena

Entrevista concedida para o Suplemento Cultural e Literário Guesa Errante (12 de agosto de 2010) - Edição 219.

Clóvis Sena: Autobiografia do Exílio

Onde e quando Clóvis Sena nasceu? Nasci em Carutapera, a 4 de março de 1930. E vim para São Luís, em 1939, quando a Segunda Grande Guerra começava. Naquela época, em São Luís, havia duas coisas nas conversas de barbearia e nos jornais – a guerra e os bandoleiros de Lampião. O medo do bando de Lampião atravessara a fronteira do sertão nordestino e se disseminara pelo Maranhão. O papo nas praças e esquinas e mesmo no aconchego dos lares girava em torno disso. Além do Largo do Carmo, havia as barbearias e os engraxates de rua. A discussão incluía os que estavam contra ou a favor da Alemanha ou dos aliados.

Mas como o jornalista, o memorialista e o escritor vieram à tona nesse contexto beligerante? Então, aconteceu meu pai me dar de presente um Atlas. De posse da obra rara fiquei importante, virei intelectual. Comecei a acompanhar a Guerra pelo Atlas. E com o dedo indicador assinalava passagens de tropas pelo rio tal. Daí por que, quando me tornei jornalista, estava em minha cabeça aquele Atlas. Naquela época, entre a infância e a adolescência, eu não tinha a visão adulta da Guerra. Para mim, a Guerra era como eu via nas gravuras. Era como um campeonato de futebol.

Quais as bases de sua formação educacional e intelectual? Comecei o curso primário em Carutapera e concluí aqui em São Luís. Naquela época, sem estradas, vir de Carutapera para São Luís, pelo mar e contra a maré, gastavam-se oito dias, em barco de dois mastros. Papai era telegrafista em Carutapera e fora transferido para São Luís, depois para Vitória do Mearim. O nome de meu pai era Januário Serra. Em Carutapera, eu frequentava uma escola pública de manhã e uma particular, à tarde. Saí de lá com base em português, francês e inglês. Aqui, em São Luís, fui estudar numa escola noturna. Duas horas de aulas, à noite. Só. Em Carutapera, eram 8 horas por dia. Mesmo assim, fui distinguido e destacado como o melhor aluno. Depois, frequentei o Colégio Centro Caixeiral. Fui para o Curso Comercial, porque era a base para concursos do Banco do Brasil. E o Banco do Brasil era o sonho da época. Mas eu não queria nada disso. Eu queria era ler, ir para a Biblioteca Pública, que funcionava no hoje prédio da Academia Maranhense de Letras. Quem a criou foi Benedito Leite, quando governador do Maranhão, no começo do século XX. A Biblioteca Pública Benedito Leite era minha libertação.

Em termos de leitura, o que mais o empolgava? A História do Mundo para as Crianças, de Monteiro Lobato, obra que me complementou o Atlas. Li também O Minotauro, Os Trabalhos de Hércules, Geografia de Dona Benta, dentre outros de Monteiro Lobato.

O Atlas para mim era uma distração fantástica, sensacional. Os mapas de cidades, países, mares, rios, florestas e lagos me fizeram viajar com descobridores e desbravadores. Ali estava o gérmen de meu universo ficcional.

Eu era adolescente, com 10, 11, 12 anos e a História do Mundo para Crianças foi a obra mais marcante de minha formação intelectual. Ela deflagrou em mim uma compreensão das coisas. Ao mesmo tempo eu acompanhava a Guerra, que era um fato histórico, geográfico, político, econômico.

E nos passos seguintes, como o adolescente evoluiu? Passei um ano e meio com meu pai, em Viana. A convivência foi boa. Ele era instruído, tinha conhecimentos gerais. Nesse contexto, completei 18 anos. Havia, então, uma vaga na Souza Cruz. Fiz o concurso e ganhei a vaga. Mas era um desastre, quando eu dava o troco errado contra o freguês; quando dava errado contra mim. Eu só vivia pagando a diferença. A Souza Cruz não podia perder com os meus enganos. A matemática nunca foi o meu campo. Eu era como sou, um desligado das coisas materiais.

Seu Próspero, um gerente da firma, me disse: Seu Sena, você é um intelectual. Aqui não é o seu lugar. E não era. Fiquei só 6 meses, pagando o que tinha que pagar de diferença contra mim.

E depois da frustração com os números, o que aconteceu? Fui trabalhar num emprego precário na Prefeitura. Mal dava para pagar a vaga na pensão. Mas sobrava tempo para ir à Biblioteca Pública, pois só havia um expediente.

Estou nesse emprego, quando Neiva Moreira abre um jornal contra o Vitorinismo, o Jornal do Povo, em 1950. Neiva Moreira instituiu a enquete: Em quem você vai votar para presidente e para governador. Então, veio um jovem repórter estreante, Ubiratan Teixeira, hoje reconhecido jornalista e escritor, e me pergunta com quem eu vou votar para presidente e governador. Respondi: Getúlio Vargas e Saturnino Belo. Getúlio era oposição a Dutra e Saturnino contra o Vitorinismo.

Cheguei à Prefeitura e, por conta da enquete, encontro um memorando com a minha demissão. Eu era então presidente de um grêmio de jovens literatos, o Centro Graça Aranha, que tinha alguma representatividade, daí a repercussão. Solidários a mim, prestaram declarações contra a decisão demissionária, dentre outros, Mata Roma, mestre do Liceu e da Academia Maranhense de Letras, e o Reginaldo Teles, presidente do Centro Acadêmico da Faculdade de Direito. “Abuso de poder e atestado de intolerância”, era a conclusão. Fui chamado por Nascimento Moraes para trabalhar no Jornal do Povo. Ubiratan Teixeira me levou até Neiva Moreira.

Depois das frustrações trabalhistas, quais as sucessões de vicissitudes ou conquistas aguardavam o futuro escritor? Ao chegar à sede do Jornal do Povo, ao invés de perguntar quanto eu ia ganhar, eu reivindiquei a criação de um Suplemento Cultural para o Jornal do Povo. Naquele tempo, e creio que até hoje, quando se chama alguém da redação de poeta é uma maneira de declarar que o poeta indigitado não é do ramo. E foi o que aconteceu comigo.

O Nascimento Morais disse assim: Poeta, jornalismo não se faz com Suplemento Literário e, sim, com reportagens. E reportagens se fazem com fatos.

Entrei para o Jornal do Povo, em 1950, na 2ª quinzena de junho, aos 20 anos. Alguns meses depois, o Nascimento Morais criou o Suplemento Cultural do Jornal do Povo, cujo primeiro editor foi o poeta Lago Burnett, que mais tarde fez uma brilhante carreira como jornalista, no mais importante jornal do país, da época, no Rio de Janeiro, o Jornal do Brasil.

Fui registrado como redator do Jornal do Povo e tinha uma coluna diária: Crônica, noticiário político.

A parir daí, fui crescendo na redação do Jornal do Povo. Cheguei ao ponto de ter um prestígio incrível, uma grande popularidade na cidade. Por conta disso, muitas vezes fui agredido, por glosar certos fatos e situações vexatórias. E pessoas vinham ajustar contas como casos pessoais. Mesmo assim, de 1950 a 1959, fiquei no Jornal do Povo.

Daí então a carreira jornalística de Clóvis Sena deslanchou? Em meados de 59, Odylo Costa, filho veio tomar posse na Academia Maranhense de Letras. Na oportunidade, visita a redação do Jornal do Povo para um abraço e me convidou para ir trabalhar no Jornal do Brasil, do qual ele era o editor.

Diante de tais dificuldades financeiras, como o jornalista Clóvis Sena se resolveu? Escolheu o caminho sensato, quer dizer, existencial? Em janeiro de 1959, eu e Lago Burnett pegamos o mesmo avião, com o mesmo projeto de vida profissional, batalhar no Rio de Janeiro. Naquele tempo, o avião de São Luís para o Rio de Janeiro durava um dia. Tomava-se o vôo pela manhã e chegava-se às 19:30h.

Era um domingo. Sabia que ia encontrar o Odylo em casa. E liguei para ele quando cheguei ao Hotel Novo Mundo, na praia do Flamengo. Disse-lhe: Estou aqui! Cheguei! E o Odylo: Tu não sabias? Deixei o Jornal do Brasil já há duas semanas. Não precisam mais de mim. Mas ele ficou preocupado e dias depois ele me telefonava, dizendo que havia arranjado uma grana para mim em troca de um texto.

Enriquecedora, hein, meu caro escritor, a experiência profissional de um jornalista em busca de seu sonho? Naquela época, a Revista Esso dedicava cada número a um Estado brasileiro. Por exemplo, sobre o Rio Grande do Sul, o texto era de Érico Veríssimo; do Ceará, de R. Magalhães Júnior. O do Maranhão seria de Odylo Costa, filho. Esse texto ele abriu mão para mim, afirmando ao editor da revista que eu era dono de um excelente texto.

Eu, com a maior vergonha, em relação aos meus amigos maranhenses da curriola, ler meu texto logo na revista Esso, sendo eu um nacionalista?

Escolhi como tema o Largo do Carmo, que é onde as coisas acontecem. Falei dos tipos, o visual, a dinâmica da praça, as pessoas, os azulejos. Fez sucesso. E me encontro, por acaso, no Rio, com um dos homens mais poderosos do Maranhão, Eduardo Aboud, o dono da Praia Grande de então, que era um homem rico e, ao mesmo tempo, sensível à cultura artística.

Ele me abraça deslumbrado com o meu texto sobre o Largo do Carmo. Ele era um homem, em termos de negócios, trabalho e fortuna, poderoso, homem dinâmico, e tinha também sensibilidade por arte, gostava de música, literatura.

Não se pode esquecer o perfil de senso de profissionalismo e solidariedade do consagrado autor de A Faca e o Rio, também notável poeta de saudosa memória, Odylo Costa, filho. São exemplos dessa natureza, que indo além do poder da arte, põem o nome de um homem nas páginas da História. Valeu a pena lembrar também que um homem poderoso, sério, dinâmico, honesto como Eduardo Aboud tinha amor à arte, à música e à literatura. Uma raridade, se considerarmos que outros poderosos maranhenses enlameiam a memória do Maranhão como corruptos. Aí o Neiva Moreira me chamou no Rio para que eu cuidasse jornalisticamente do gabinete dele. Enquanto isso, passo a trabalhar para o jornal O Semanário, de Oswaldo Costa.

O Semanário era um jornal de linha nacionalista, responsável pela candidatura do general Henrique Lott à Presidência da República, que se manifestava como resistência ao fenômeno populista, chamado Jânio Quadros.

De vez em quando, o Brasil embarca numa grande enganação, como Jânio Quadros e Fernando Collor de Melo, pregadores de moral, quando, na prática, deram exemplo contrário à moral, à ética e à incorruptibilidade.

Naquela época, a grande imprensa proclama Jânio como o homem que iria botar os corruptos na cadeia. E o general Lott perdeu a eleição, embora fosse um homem íntegro, não demagogo, extremamente patriota. Ele defendia a intocabilidade da Petrobras, instituição fragilizada. Ao contrário, Jânio representava uma proposta de entreguismo.

Outro sintoma da época era o fato de o Estado de Direito estar ameaçado e comprometido, porque Carlos Lacerda, porta-voz de muitos e poderosos interesses, pregava a implantação do regime de exceção, a ser exercido pelas Forças Armadas. Na outra linha, o general Lott era um legalista, por isso uma garantia. Ele não ganhou a eleição, mas contribuiu para a criação de uma consciência no país e nas Forças Armadas. Ele era um homem contido, não era demagogo. Uma figura especial, sensacional. Ele perdeu, porque não tinha condição de enfrentar o oba-oba dos meios de comunicação. Inclusive, Collor mais recentemente é a típica invenção da Rede Globo de Televisão.

E quanto a sua posição crítica literária em relação à Literatura Maranhense no panorama do Modernismo e das mudanças estéticas? Da minha geração em São Luís, fui o primeiro a levantar a questão da importância de Sousândrade, quem era ele, o que significava a poesia dele, a revolução de seu discurso poético, pois até então ele era só um nome.

Antes do livro que foi Re-visão de Sousândrade, eu já tratava de Sousândrade, aqui em São Luís e, depois, no Rio, em texto dominical, publicado em O Semanário.

E quanto a sua atuação na política estudantil, no Rio de Janeiro. Faça o registro de sua presença e atuação nos tempos conturbados dos anos 1955/1956? Fui um dos diretores da União Nacional dos Estudantes – UNE, em razão de que me mudei pro Rio, quando Carlos Lacerda prega o regime de exceção e Lott, a posse ao eleito e pela mudança da Capital do país.

A UNE naquele tempo se sediava num prédio, que tinha a frente voltada pro mar, na Praia do Flamengo, nº 132, com uma faixa com os dizeres O Planalto Central Receberá a Futura Capital. Esse prédio foi destruído por hordas lacerdistas que, em abril de 1964, invadiram a sede da UNE e tocaram fogo em documentos e no prédio. A UNE sempre foi política, mas não partidária como hoje. Hoje a UNE é político-partidária, o que é uma pena. Virou chapa-branca. Está atrelada à Cult, de que é filiada. A UNE deve continuar como foi, como era, para ter moral, manter decisão política, mas não partidária. A UNE deveria ser como a Ordem dos Advogados do Brasil – OAB.

E quanto ao O Semanário, que tinha uma linha editorial anti-práticas de exceção, portanto, de contundente oposição a Carlos Lacerda? O Semanário, como a sede da UNE, foi depredado, em 1964, e o seu diretor, Oswaldo Costa, morreu com os direitos políticos cassados.

Diante do estado de direito não só ameaçado, do regime de exceção e da verdadeira caça às bruxas, que incomodavam a prepotência de Carlos Lacerda, as perseguições à UNE e a O Semanário, como o jornalista Clóvis Sena se movimentou entre incêndios e balas, sub-repções e prisões? A partir de 1960, eu decidi ir para Brasília. Fui, num carro do Rio a Brasília, assistir à inauguração de Brasília. Nesse carro, estávamos eu, Bandeira Tribuzi e José Mário Santos, que foi preso, cassado e mora hoje em Brasília. Ele era assessor do Supremo Tribunal Federal – STF, hoje aposentado. O poeta Bandeira Tribuzi também foi preso. Nos dias da inauguração eu me encontro com Abdias Silva, um jornalista piauiense que fez a vida profissional em Porto Alegre. Aí eu digo a ele que tinha decidido morar em Brasília. Ele me pergunta: Já tens jornal em que trabalhar? Disse-lhe: Não. Ele então propôs: Você quer trabalhar para o Correio do Povo? Respondi: E tenho alternativa, nas atuais circunstâncias? Aceitei.

Então, mais uma vez o jornalista Clóvis Sena segue a sua itinerância de acossado pelos podres poderes. Em São Luís, o Vitorinismo. Tivesse permanecido aqui teria que enfrentar o que viria depois e ao longo de meio século, o Sarneysismo, uma oligarquia que tem mais tentáculos anti-culturais, intelectuais e jornalísticos do que o Vitorinismo. Bom, você está vendo como são as coisas. Para um homem permanecer íntegro, a premonição o ajuda. A mim, sempre me pareceu o que iria acontecer depois. Então, para não me corromper, não havendo nenhuma perspectiva de sobreviver, sem me moldar à situação tal, eu seguia em frente, em meu exílio. Pois bem, o Correio do Povo era uma forma de Estadão de São Paulo, dos gaúchos. Pagava bem. Eu tinha um excelente salário e aprendi uma prática ética que então não se praticava, pelo menos no Rio.

Se uma pessoa fosse atacada eu tinha de ouvir o outro lado, o ofendido. Eu mandava as matérias de Brasília para o Rio Grande do Sul. Olhei Brasília e disse: Vou ficar aqui. Na mesma época, trabalhei para jornais de Brasília. Hoje estou aposentado.

Durante as décadas que se seguiram aos anos 60, trabalhei em todos os jornais que houve em Brasília. Só no Correio Brasiliense trabalhei em três etapas, tanto em textos políticos parlamentares, quanto textos de cultura artística, trabalhei no Jornal de Brasília, e em alguns semanários. De O País, um semanário do Neiva Moreira, editado no Rio de Janeiro, eu era o representante em Brasília. Fui o representante de O Semanário, em Brasília, até fechar. O Semanário foi importante, na medida em que pregou o Lott.

Fale-me de Clóvis Sena como escritor. Tudo em jornal, dei muito de mim, o melhor da minha saúde, de minha energia criadora, minha disposição, trabalhando de manhã, tarde e noite.

De manhã, ia para o Correio Brasiliense, fazer crítica de teatro de cinema ou artes plásticas; almoçava e virava para a Câmara dos Deputados, onde atuava como jornalista e, ao requerer a aposentadoria, eu era o Presidente do Comitê de Imprensa da Câmara dos Deputados em Brasília.

Mais escritos estão ainda espalhados por jornais de São Luís, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Brasília.

De um modo geral, eu sempre fui um animador cultural, foi a minha marca, incentivar o que se fazia na literatura, na música, na pintura, no teatro. Eu achava mais importante descobrir uma qualidade para fazer a pessoa ir para frente.

Quando viajei, em 59, de vez para o Rio, deixei uma exposição Infanto-Juvenil de Pintura, no prédio onde hoje é a Academia Maranhense de Letras – AML. Eu era o motor da exposição. Montei e deixei-a com os premiados. A grande revelação dessa exposição, não lembro agora o nome, morreu atropelado no Filipinho, ainda adolescente.

Escrevi ensaios críticos sobre cinema, música, literatura e artes plásticas.

A minha obra literária que teve repercussão nacional imediata e impactante foi o romance Flauta Rústica, uma rapsódia, como Macunaíma, no formato.

Fonte:www.guesaerrante.com.br

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Pedra Preciosa - Entrevista José Louzeiro

Um homem de Palavra

“A leitura é tudo, é mais do que a bengala do cego”


Grande homenageado da 4ª edição da Feira do Livro de São Luís, o escritor, jornalista e roteirista José Louzeiro é uma daquelas pessoas que dá vontade de levar para casa e passar horas e horas apenas ouvindo o que ele tem a dizer, tamanha é a sua sabedoria e delicadeza. Do alto de toda a sua experiência, adquirida em 78 anos de vida e quase isso de amor e dedicação à literatura, este sábio maranhense ministrou uma oficina de cinema e TV durante toda a semana na Feira, onde repassou seus conhecimentos para um público de jovens cineastas ávidos por aprender. Louzeiro iniciou sua carreira jornalística aos 15 anos, como aprendiz de revisor em O IMPARCIAL, e após passar por outros periódicos, foi embora para o Rio de Janeiro sob ameaça de morte após escrever, no extinto jornal O Combate, uma matéria que desagradou profundamente o então governo Vitorino Freire. Ficou mais de 20 anos sem vir aqui e, apesar de fixar residência no Rio, nunca deixou de amar sua terra natal. Nesta entrevista, ele fala da homenagem, da importância cultural da nossa cidade, de cinema, TV e do seu amor pela literatura.

Esse ano o senhor é o grande homenageado da 4ª edição da Feira do Livro de São Luís. Como se sente?

Essa homenagem é muito maior do que eu. Só tenho que agradecer o empenho das pessoas envolvidas, pois a feira é uma beleza de organização. Todos os dias muitas crianças de escola comparecem, além de uma multidão de pessoas, e isso é muito bom. A feira é a expressão cultural de uma cidade que se considera importante e São Luís é importante. Só para se ter uma idéia, eu não conheço nenhuma feira no Rio de Janeiro parecida com essa, com essa organização, palestras e conferências. Eu me sinto em casa, pois nasci na Camboa e, apesar de ter ido para o Rio muito cedo, adoro a minha cidade e virei para cá tantas vezes quantas eu for convidado. Não tenho esse negócio de medo de avião, pois se não tiver avião virei de ônibus ou de qualquer outro jeito.

Qual a importância de um evento desses para uma capital como São Luís?

A importância da feira é que ela é um grande evento que estimula outros eventos literários menores. São Luís é uma cidade de escritores, de poetas, principalmente, pintores – um deles se chama Jesus Santos, que é meu amigo e de quem eu estou escrevendo uma biografia – e temos uma quantidade de grandes autores que o Rio de Janeiro não tem, mas é preciso que se divulgue isso. Eu até dou uma sugestão de que quando houver uma feira dessas, coloquem um escritório no Rio de Janeiro e outro em São Paulo badalando o evento. Uma espécie de ante-sala do que vai ser a feira. Nós somos a cidade cultural mais importante desse país e é preciso que o Maranhão se dê conta disso. Nós somos importantes realmente. São Paulo tem mais gente do que nós, mas nós temos mais cultura, mais saber e mais informações artístico-literária. Outro dia eu vi umas esculturas belíssimas no gabinete do prefeito e ninguém sabe de quem é. A feira devia estar aberta para todo mundo, pois é uma festa geral. Ela tem crescido de tal maneira que vai englobar todas as manifestações culturais.

O senhor disse que o Maranhão está na frente dos outros estados na área artística. Então, o que falta para tudo isso ter maior visibilidade?

Estamos á frente de outros estados, mas, infelizmente, não nos damos conta disso por aqui. É preciso saber a realidade de outros estados para valorizar isso aqui. O que falta é disposição de dizer que nós somos bons e ponto final. Quem quiser achar ruim que se dane. No Nordeste não tem nenhuma cidade parecida, nem Salvador, que é uma cidade boa na música e nas artes plásticas, mas não na literatura.

O senhor tem acompanhado a recente produção literária maranhense? Destacaria alguns autores?

Sim, recebo muitos livros. Acabei de receber dois livros de um grande poeta maranhense, que é o Luís Augusto Cassas. Nauro Machado é um grande poeta. Everton Neto é um grande romancista. Temos o Joaquim Haickel, que é um grande cineasta e escritor; uma poetisa de primeiríssima qualidade, que é a Laura Amélia Damous, e por aí vai. Cada dia surgem mais escritores talentosos. Eu acabei de ler um livro que eu considero obra-prima, que é A Tara e a Toga, do Waldemiro Viana, um livro simplesmente genial, que se fosse no Rio de Janeiro teria um bate-caixa muito grande em cima dele. Como não é, fica isolado. São Luís tem que esquecer esse isolamento e partir com o pé firme de que é uma cidade realmente cultural. Temos aqui uns 20 grandes poetas e eu estou lhe citando alguns deles. Saio daqui envaidecido de ser maranhense e de ter tantos colegas envolvidos com a literatura.

Que conselhos o senhor daria para esses novos escritores?

Quem entrem em contato com pessoas fora daqui, onde o mercado editorial é forte, que é o Sul, para oferecer seus livros. Procurem ter agentes literários no Rio e em São Paulo, que vendam sua produção. Os grandes escritores americanos, por exemplo, não moram em Nova York, moram em qualquer lugar e quem vai se movimentar para vender os livros são os agentes literários. O próprio autor não pode vender a obra dele, é preciso ter um agente para isso, para fazer a cabeça do editor.

Voltando para a Feira do Livro, o senhor ministrou uma oficina de cinema e TV. O que o senhor passou para os participantes?

A tentativa de nós distinguirmos o que é o roteiro de cinema e o que é um discurso literário. O discurso literário é como quem faz uma carta e o roteiro também tem essa aparência quando se trata de uma sinopse, que é a história da história que se quer contar. Quando se passa para o roteiro, tem que ter noção da divisão das cenas, da seqüência e diálogos, de contar a história com essas interrupções e esse é que é o grande problema. Está sendo muito interessante. No começo, um pouco difícil para eles, porque para narrar uma história a pessoa tem que ter lido muito, mas estão todos muito interessados. Eram 20 vagas e tem mais de 25 participantes.

E como está a produção cinematográfica no Maranhão?

Muito devagar. Os governantes têm que abrir o olho, pois a grande divulgação do mundo moderno é o cinema. Não mais somente na tela de cinema, mas na televisão. Hoje a tecnologia dá um empurrão no cinema como nunca houve. Nenhuma arte pode se comparar em matéria de divulgação, de promoção e de repercussão. Você liga a televisão e a cada hora vê um filme, uma novela e uma série de coisas dramatizadas, e aqui nós temos grandes dramaturgos, para poder vender esse material. Por exemplo, não conheço um documentário sobre os Lençóis Maranhenses, que o Maranhão deveria fazer e vender para o exterior, como a Globo pega o carnaval, que não é dela, e vende para o mundo inteiro. Não há uma produção local de cinema que faça isso e faça as outras belezas da Ilha, as lendas, a cultura. Temos várias empresas que podem financiar nosso cinema, como a Vale, por exemplo, que está levando o nosso minério de ferro. Pega essas empresas para investir, que não custa nada a eles. O cinema seria uma excelente porta de divulgação do Estado. Somos uma Ilha, mas não podemos ficar ilhados. Tem que ter pessoas interessadas, pois esperar só pelo governo não dá.

Em quais atividades o senhor está envolvido atualmente?

Atualmente estou acabando a entrevista de uma pessoa queridíssima, que foi a minha inventora, chamada professora Maria Freitas. É uma biografia de uma mulher que era doutora em Geografia, foi a todos os lugares desse país de carro, para conhecer de perto. Ela foi minha orientadora quando eu estudei no Colégio São Luís e foi quem me meteu na cabeça essa história de ler, para tentar virar gente, pois eu era um moleque de rua da pior qualidade. Quando comecei a me engrenar a ler, comecei a ler muito na biblioteca do Estado. E qual não é a minha surpresa agora ao saber, lamentavelmente, que ela está fechada há três anos. Isso não pode acontecer, pois a biblioteca é tão importante quanto a escola, ou até mais. Tem que ter também atividades de expansão da cultura na comunidade e não esperar a pessoa que vai lá. Bom, além disso, estou fazendo a biografia do Jesus Santos. Também estou com um projeto para fazer o roteiro de um filme de uma brutalidade policial feita em uma comunidade carente, em que os policiais assassinaram 21 pessoas em um bar no Rio de Janeiro, onde nenhum era bandido e nenhum policial está preso. O título do filme será 21 Vigário Geral, que será dirigido pelo Milton Alencar Júnior e deverá começar em maio ou junho.

Qual a importância da leitura na vida de uma pessoa?

É fundamental. A leitura abre caminhos, lhe alerta para o que é bom e o que mal, lhe torna mais inteligente, com uma visão de mundo maior. A leitura é tudo, é mais do que a bengala do cego. Para escrever, a pessoa tem que ler muito. Não é uma obrigação, é uma alegria ler. Você acaba de ler um livro e nunca mais esquece dele. Sou fanático por leitura e adoro escrever. Tenho a vantagem de não ter pernas, então passo o dia em casa, lendo e escrevendo.


Entrevista concedida a O IMPARCIAL a repórter Inara Rodrigues

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Maranharte Informa: Relação de poesias do 23º Festival Maranhense


A Universidade Federal do Maranhão, por meio do Departamento de Assuntos Culturais da Pró-Reitoria de Extensão, divulgou a relação das 20 poesias concorrentes no 23º Festival Maranhense de Poesia Sousândrade. O festival será aberto nesta quinta-feira (18), às 21h, no Teatro da 4ª Feira do Livro, instalada na Praça Maria Aragão, em São Luís.

O festival é aberto ao público e será encerrado na sexta-feira (19), com a realização da grande final, no mesmo horário e local. Na ocasião haverá a declamação das poesias finalistas, divulgação e premiação dos vencedores. A premiação geral é de R$ 5.700,00, mais Troféu Oficial e participação no livro digital em CD. O melhor poema receberá R$ 1.600,00; 2º Lugar: R$ 1.300,00; 3º Lugar: R$ 1.000,00; Melhor Intérprete: 1º Lugar: R$ 800,00; 2º Lugar: R$ 600,00 e o 3º Lugar: R$ 400,00.

O diretor do Departamento de Assuntos Culturais e coordenador geral do Festival Sousândrade, professor Doutor Alberto Pedrosa Dantas Filho, informou que a comissão de seleção do 23º Festival Maranhense de Poesias Sousândrade é formada pelo professor e poeta Alberico Carneiro; o jornalista, professor, poeta e pesquisador de cultura popular Paulo Melo Sousa e pelo professor universitário e poeta Josoaldo Lima Rêgo, que é o coordenador-adjunto do festival.

Os concorrentes

As 20 poesias concorrentes no 23º Festival de Poesias Sousândrade são: A Palavra Corta Pedra, de Barreto do Prado; Amor Incerto, de Marcos Filho; Antigamente, de Jéssica Mendes; Anti-silêncio, de Sebastian Ribeiro Filho; Ave Música, de Andréa Costa; Botas-Calçadas-de-Concreto, de Igor-Pablo; Epíteto, de João Nery; Família, de Dyl Pires; Fotografia, de José Ricardo Miranda; Madame Morte, de Amâncio Ferreira; O Espelho, de Hesaú Rômulo.

E mais: O Poema é Meu Pastor, de Ney Farias; Poema de Amor, de Francisco Rayol; Quem Sou Eu, de Josué Sombreira Castro; Reviravolta, de Bioque Mesito; Sem Eira Nem Beira, de Carlos Wagner Lima Bastos; Suíte Entre-Rios, de Ernane Oliveira; Travessia, de Felipe Ucijara; Veneziana, de César Borralho e XII, do poeta Weslley Sousa Silva.

Como já informado, o Festival será aberto na quinta-feira (18), na 4ª Feira do Livro de São Luís.

As informações são do Departamento de Assuntos Culturais da UFMA publicadas no site imirante