sábado, 30 de abril de 2011

Caminho das Pedras: Antologia do poeta José Maria do Nascimento



Ao Completar cinquenta anos de poesia, José Maria Nascimento prometeu a si mesmo lançar em 2011 a sua Antologia Poética, obra esta que conteria a essência de seu refletir paradoxalmente juvenil e amadurecida. Cumprida a promessa, hoje o nosso poeta apenas evoca aquilo que o consumiu “a vida inteira”.


sexta-feira, 22 de abril de 2011

Maranharte Informa: Café Literário e lançamento do livro "O Absoluto"

O poeta José Chagas será o homenageado na segunda edição do Café Literário, que ocorrerá na terça-feira (26/04), às 18h30, no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, na Praia Grande.

Chagas é paraibano, mas muito cedo veio morar no Maranhão e já possui mais de 20 livros lançados, entre poesia e crônicas. Segundo a organizadora do evento ( para o Jornal O Imparcial - 21/04/2011); “Será uma homenagem ao grande poeta-cantor de São Luís. Ele é primordialmente o poeta que mais canta a capital. Preparamos uma belíssima surpresa para ele, por todo seu carinho e paixão devotados à São Luís”,

O público apreciará a poesia de José Chagas em momento especial preparado pelo pesquisador Sebastião Duarte, que também não é maranhense, mas possivelmente um dos maiores pesquisadores da nossa literatura.

Haverá também a participação da atriz Leda Nascimento, que vai recitar poesias alusivas à nossa Atenas.

No dia 26/04 (quarta-feira) haverá a segunda noite de autógrafo do romance filosófico “O Absoluto” de Marco Rodrigues. Desta vez o lançamento será no auditório do Centro de Ensino Upaon-Açu às 19:00h. Marcos é ensaísta, escritor e professor de Artes.

sábado, 9 de abril de 2011

Encontrando as Pedras XLVIII




Thales Coelho tem 20 anos e é também compositor e fotógrafo amador. As fotos que compõem os slides também são do autor e retiradas do seu blog http://revolucaocriativa.blogspot.com/

terça-feira, 5 de abril de 2011

Caminho das Pedras: Lançamento do Livro "O Absoluto" de Marco Rodrigues

O escritor e ensaísta Marco Rodrigues estará lançando no próximo dia 14/04/2011 o seu romance filosófico “O Absoluto: mudança dos tempos e o desvanecimento do ser”. Sua primeira obra surge já com o respaldo crítico positivo e o incentivo admirador do Profº Dr. Wandeílson Miranda (professor de Filosofia/UFMA e poeta) e do Profº. Dr. Josenildo C. Brussio (professor de História/UFMA), como podemos observar nesses planos prefaciais. Logo após, um pequeno trecho da obra disponibilizado pelo autor.

“Espero que os leitores tenham sede e fome no espírito, para que busquem nas linhas deste livro não apenas o prazer de uma boa leitura, mas que encontrem horizontes mais amplos, sítios mais verdes, e assim possam encontrar alimento e água para a sua ânsia…” Wandeílson Miranda

"Em tempos de complexidade e perplexidade, é difícil encontrar jovens que reflitam filosoficamente sobre o conhecimento ao longo da história da humanidade. Em O Absoluto, o escritor e ensaísta Marco Rodrigues narra-nos, através de um conto fantástico, as aventuras de um personagem de caráter e personalidade filosófica – o Absoluto. O estilo narrativo é dotado de uma preocupação erudita à maneira dos contos machadianos e o enredo mantém a nítida movimentação dialética do pensar filosófico – um eterno questionar.
Amante dos clássicos do pensamento e da literatura, o autor demonstra os reflexos de uma modernidade em crise, ou ainda, de uma pós-modernidade incipiente. Momento em que se questiona sobre “tudo” - ciência, política, religião, educação, Estado, etc. - em relação a “todos” – o eu, o homem, o Absoluto, a sociedade e a humanidade. O Absoluto é um convite àqueles que veem a arte e a filosofia como gládios sagazes contra a extrema racionalidade moderna. O Absoluto é o ícone de passagem de uma Era Apolínea para uma Era Dionisíaca". Profº. Dr. Josenildo C. Brussio

O Absoluto

Tendo partido após a “Hora do Zênite”, caminhando a esmo, o Absoluto, inebriado em quimeras que ousavam ferir seu orgulho e valor, parecia não se espantar com tantas incisões que lhe açoitava. O sol queimava sua pele, obrigando-o a virar o rosto para se proteger. Raios que o assolava, pungentes, eram os raios do Criador, enfurecido em querer falar, arrogar direito. De costas para a luz, o Absoluto prosseguia, haurindo sombras próprias para o seu olhar, desconhecidas da luz geradas pelo Criador. Subitamente, o ente póstumo cai de joelhos sobre a terra, não de resignação ou temor, mas de puro cansaço. Quando, esbaforido, disse o Criador:

- Vislumbraste ignóbil a sapiência eterna e soubeste vê-la como possível do ser o que “é”…

Não precisei, para ti, dizer que “sou aquilo que sou”, como outrora proferi aos “escolhidos”, pois compreendes aquilo que é não sendo mas sim sendo ao instante que se “é”, pois tens ouvidos para tanto.

Não perguntas “o quê?”, nem “quem?”, muito menos “como?”, ou “por quê?”. És tu o mestre do “assim foi lançado o possível”, “deu-se e não possivelmente poderia deixar de ser e ainda vigora”, “a surpresa é aquilo que guarda o criar”, e queres sempre jogar com distintas bolas e dados.

Não te exaltas ou compadeces diante acertos ou reveses com fervor, uma vez que a surpresa os superam, abarcando-os e os mostrando com faces fenomenais.

Enquanto uns dizem “Sim” a tudo, e outros afirmam “Não”, tu fazes convergir estes como vetores que giram entorno do eixo ignóbil da Natureza.

Alçar-vos-ei todas as coisas, e os homens tomou-as como suas e acabaram sem nada. Aquele que mais possui acaba sendo, no fim das contas, o mais pobre.

Tu, ó Absoluto, quando desejas a ti mesmo, acabas por acaso mais rico? Ó caríssimo, multiface é a tua condição hodierna e póstuma.

Quando o mundo desvaloriza teus preceitos adquirem valores invisíveis. Os quais de todos sei e, mesmo assim, vislumbro-me com a beleza artística de teus lábios demiurgos.

Em algum momento passou por mim criar um homem superior? Isso seria realmente um absurdo. Não me parece possível o além-homem. Para a superioridade e a perfeição eu teria duplicado aquilo que sou assim como sou. O que é digno no homem não é ser perfeito, mas, o que nele é perfeito, é o seu triunfo sobre a própria imperfeição, uma impossibilidade a qualquer Deus onde tudo é possível.

- Que intrigante! – disse o Absoluto – O homem ser tentado pelo Diabo é comum, mas por um Deus? Não, ele não está morto, ó bela criação, que acabei de engendrar?

A estas palavras, o Criador silenciou, expondo relâmpagos e trovões, colorindo as trevas que já caiam sobre o Absoluto, que se levantara sorrindo, restituído de sua fadiga. Olhou para o céu, inalcançável esplendor, tão superabundante e infinito quanto às elucubrações de um amante da vida. A ressurreição de Deus, para ele, era gloriosa, esclarecedora e íntima. O Criador, por sua vez, tornou a dizer:

- Finalmente! Ó orgulhoso em sua finitude e condição, amante da miséria e do desespero… Sabes dizer amém em dias de fúria e ao fim da tempestade, não por ela ter cessado, mas sim por ela ter lhe legado a possibilidade do amém.

Ó venturoso homem!

Finalmente as preces de um Deus foram atendidas…

- Preces de um Deus?

Sim, caso arrogue minha imagem e semelhança, precisamos compartilhar o ofício de ouvir preces. Mais ainda: precisamos compartilhar nosso valor!

- Requerer imagem e semelhança é pretensão demais, por isso te reduzes a tão pouco…

Neste ponto, o Criador expõe um arco-íris sobre o Absoluto, cujo esplendor se eleva em beleza sem se desprender da terra ao longo de suas extremidades. “Meus pregadores difamam-me”, pensou consigo, longamente, e em seguida disse o seguinte:

- Como queríeis ser dignos, sempre a mim dignificando?

Durante muito tempo não puderam compreender de que vós sois capazes? Para que, ó alvitres, tantos joelhos dobrados, tantas velas e lágrimas, sacrifícios de animais?

Como quereis amar a mim, que chamais de seu Deus, sem em nenhum momento souberam cultivar o amor em vossos prados? Ora, caríssimos, no céu não há solo para vossas sementes, e muito menos alimentos para vossa fome terrestre.

Por isso vossa vocação foi a de destruir, o calor de vossa fé ateou fogo nos campos verdejantes e fez ferver as águas e, agora, reclamais do calor intenso. Sois fervorosos demais, e o pior é que vos orgulhais disso. Até mesmo em meu nome morreram tantos e vos regozijais com esta vingança.

Ó humanidade…

Ó Absoluto! Como desejais ser livre se te prendes a mim? Não faça de sua crença uma prisão e de suas orações correntes e grilhões de tua liberdade. Orações se desfazem em cera de velas, que mais parecem lágrimas que, no início, são quentes, para em seguida se enrijecerem em frieza e falta de luz.

Não lhe leguei a inteligência para outra coisa senão para que se orgulhe de saber viver. E como aprenderás a viver devotando a própria vida alhures? Tome cuidado para que sua doação não se transforme em ausência de sensatez; e para que, também, seu olhar a distância não perca de vista a si próprio.

Para que me amar? Para que me adorar? Render-me graças? Quantas desgraças se sucederam a partir dessas loucuras, as quais se contradizem a tudo que sou como sou. Como, por acaso, queres me amar, adorar e render-me graças se, em momento algum, fizeram converter vossos gritos em prodígios próprios ao invés de milagres?

Seja louco, ó Absoluto, e despreze a média de mulas humanas! A média merece desprezo, por isso de tempo em tempo acabo por ser assassinado. Eles não podem viver sem mim, pior ainda quando se encontram em minha companhia.

Deixar-te-ei só, ó Absoluto, esta é a minha maior benção, e que o amor a tua condição esteja contigo!…

- Deus ressuscitou? Deus está morto? Foi assassinado?… Durante muito se discutiu acerca dessas questões. Vejo e exorto-as por completo. Compreendo, então, que Deus cometeu suicídio, e agora está livre, vive em paz e retorna ao fundamento, isto é, ao ser?

Eis a primeira privação do Absoluto após purifica-se na “Hora do Zênite”, e esta certamente não seria a última…


Local: Auditório do Colégio Educator

Data: 14/04/2011

Horário: 19:30h

Valor do livro: R$ 25,00

Mais informação: http://oabsoluto.tumblr.com/