sábado, 22 de outubro de 2011

Pedra Preciosa: Ubiratan Teixeira






Ubiratan Teixeira nasceu em São Luís, no dia 14 de outubro de 1931. Começou a ganhar a vida como fotógrafo e depois telegrafista no Jornal do Povo e é hoje considerado um dos mais antigos cronistas vivos de São Luís. Daqueles cronistas maranhenses que sabe retratar a maranhensidade que o rodeia e que o envolve da forma mais pessoal possível; projetando-se contra aqueles que a destroem (ou a deixam perecer) e a favor dos que a enamoram, Teixeira ainda é um cronista que vive e desabafa sua cidade. Não por menos, é considerado genioso e mordazmente irônico, principalmente quando o assunto é política, ou especificamente, a história sociopolítica do Brasil: “A pior coisa que houve na história deste país foi o Brasil ser colonizado pela escória portuguesa. Porque não foram os nobres portugueses que vieram para cá. Foi a escória portuguesa. Os colonizadores que chegaram aos Estados Unidos, por exemplo, levaram suas famílias, alguns até mesmo sobraçando as suas Bíblias. E isso foi importante. Mas para o Brasil mandaram um bando de degredados, e sem mulheres. Por isso começou a sacanagem com as índias, coitadas, sem-vergonhas que só elas, e depois a sacanagem passou a ser feita com as pretas. Então, esses portugueses eram homens sem caráter, sem moral e acabou ficando essa esculhambação toda, porque foi assim que nasceu o Brasil”, ironizava o cronista em 2006 no Suplemento Guerra Errante (Ano IV, Nº 110).
Entre as década de 1950 e 1960 participou da Sociedade de Cultura Artística do Maranhão, do Centro Cultural Gonçalves Dias, fundou alguns dos principais grupos de teatro do Maranhão (“Sua experiência na cena teatral na cidade de São Luís, tem inicio ainda na adolescência no grupo Teatrinho dos Novos dirigido pelo pintor J. Figueiredo, onde estreia no espetáculo No Reino das Sombras de Kleber Fernandes, interpretando um velho ancião. O Teatrinho dos Novos durante três anos movimenta a vida teatral da cidade montando espetáculos adultos e infantis” informa Aldo Leite - Memória do Teatro Maranhense. São Luís: Edfunc, 2007) e foi um dos mais respeitados professores de História do teatro na nossa cidade. É formado em Licenciatura em Letras pela Universidade Federal do Maranhão e Jornalismo pela PUC-SP e ocupa a cadeira nº 36 da Academia Maranhense de Letras.
Seu livro de estreia, Sol dos Navegantes, é de 1975 é um pequeno e encantador livro de crônicas dividido em cinco partes, ou melhor, cinco contos, onde o escritor maranhense traduz sua alegria de ser castigado com o por do sol da Praia Grande. Uma de suas mais importantes obras teatrais, Vela ao crucificado, (1972), passou do palco para o cinema pelas mãos do filho de Nauro Machado, o cineasta Frederico. O curta fez certo sucesso e chegou a ganhar prêmios. Mas Ubiratan Teixeira é muito mais, com outros 13 livros publicados, entre romances, novelas e contos é fotógrafo, professor, crítico de arte, jornalista, ficcionista, diretor e autor de teatro e novelista.
Ao completar 80 anos de vida Ubiratan Teixeira lança Diário de Campo (Ética Editora, 2010) e reafirma seu amor filial por sua São Luís Magnética como podemos observar na sua mais recente crônica publicada no jornal O Estado do Maranhão. Parabéns Ubiratan Teixeira, parabéns pela sua produtiva existência.
Flaviano Menezes


Obras Publicadas:
1970 – Pequeno Dicionário de Teatro. São Luís: Departamento de Cultura do Estado do Maranhão.
1975 – Sol dos Navegantes (contos). São Luís: FUNC.
1978 – Histórias de Amar e Morrer (contos). São Luís: SIOGE.
1979 – Vela ao Crucificado (novela). São Luís: SIOGE.
1980–Caminho sem Tempo (farsa/tragédia/musical). São Luís: SECMA/SIOGE.
1987 – Bento e o Boi (teatro). São Luís: SIOGE.
1989 – O Banquete (novela). São Luís: SIOGE.
1989 – O Teatro que eu Vi e o Espetáculo que eu Fiz (ensaio). São Luís: Academia Maranhense de Letras.
1992 – Búli-búli (teatro infantil). São Luís: Academia Maranhense de letras.
1998 – Pessoas (conto). São Luís: FUNC.
1998 – A Ilha (novela). São Luís: FUNC.
2005 – Dicionário de Teatro (reedição). São Luís: GEA.
2009 – Labirinto (romance). São Luís: Editorial SECMA.
2010 – Vela ao Crucificado (reedição acrescida de roteiro para teatro de Wilson Martins e para cinema de Frederico Machado. São Luís: SECMA.
2010 – Diário de Campo (crônicas). São Luís: Ética Editora.
Tem as seguintes obras inéditas: O Bequimão (teatro), O Alçapão da Ilha (romance) e O Sônio (novela).
Ao longo da sua carreira recebeu os prêmios:
1976 – Prêmio Academia Maranhense de Letras pela novela O Sônho.
1978 – Prêmio Domingos Barbosa da Academia Maranhense de Letras pelos contos Histórias de Amar e de Morrer.
1979 – Prêmio Arthur Azevedo do Concurso Literário e Artístico Cidade de São Luís pela obra Caminho sem Tempo.
1997 – Prêmio Graça Aranha do XXIII Concurso Literário e Artístico Cidade de São Luís pela novela A Ilha.
2009 – Prêmio Gonçalves Dias do Plano Editorial da SECMA pelo romance Labirinto.
Invocando o poeta

Ubiratan Teixeira


Poeta e parceiro da Academia de Letras, José Sarney: quem vos fala não é o eleitor eternamente de plantão nem o operário de longas datas deste ofício sem relógio de ponto de sua empresa jornalística. Mas aquele parceiro de fins de tarde da Movelaria Guanabara onde nos encontrávamos para discutir arte em todos os gêneros e bulinar as operárias de Pedro Paiva; de onde saíamos nas badaladas das seis dos sinos da Sé e do Carmo, uns para os bares e outros para o aconchego da família, onde você era um destes.
É o velho índio turrão, que de joelhos vem te implorar uma graça.
Durante a celebração dos meus oitenta anos de vida, no aconchego daquela capela a cavaleiro no morro da Alemanha, abraçado pela família, mulher, filhos, netos, bisnetos e alguns dos vizinhos mais íntimos, no balanço do que fui e fiz concluí que não sou esse vencedor que muitos insistem propalar; escrevi alguns livros que não vendi, montei alguns espetáculos que raros viram, fui corpo, alma e engrenagem de um dos projetos de educação mais lúcido já montados neste país, que prometia colocar o Maranhão na vanguarda dos povos civilizados do planeta, mas isso incomodou os poderosos e mandaram a Televisão Educativa e de cambulhada o Centro Educacional do Maranhão, CEMA, para a lixeira mais infecta do planeta, considerando-se que hoje ninguém nem se lembra mais desse momento histórico de nossa cultura humanística.
Sou um despido racional que ousa. Mesmo porque as pessoas estão me perguntando com muita insistência o que acho sobre o desmoronamento do nosso patrimônio arquitetônico. Não tem a lenda daquela criança que evitou a destruição da Holanda enfiando seu dedinho no buraco do dique? Pois é. É verdade que o outro, o bíblico, codinome David, tinha a benção de Deus quando enfrentou a arrogância belicosa de Golias, empunhando apenas uma frágil funda. Minha visão humanitária não chega nem na sola do chulé daquela criança holandesa e minha relação com o Criador está distante anos/luz da de Davi & o Senhor do Universo. Por isso, ouso pedir ao poeta; não ao Senador da República ou ao ex-presidente ou ex-governador ou ao arquiteto político todo poderoso deste país, mas ao homem de letras, ao poeta de rara sensibilidade, apreciador esmerado da boa arte: não permita, bom homem, que nossa cidade se dissolva, que sua rica arquitetura se transforme num monte de escombros, que sua memória cultural venha abaixo. Não importa a nós, pessoas comuns, mas de sensibilidade, que amamos apaixonadamente esta São Luís de históricos momentos, que os casarões do Centro Histórico e a riqueza cultural que eles encerram vire um documento cibernético, se transforme numa “semente digital” como está anunciando o Centro de Ciências Sociais da Universidade Federal do Maranhão. Que essa preciosa ideia de nossa universidade Federal seja o instrumento que vá nos tornar ainda mais vivos em todos os recantos do planeta, e fora dele. Mas precisamos mesmo é que nosso Centro Histórico permaneça de pé em pedra e cal, com seus cheiros característicos, com o reflexo do por do sol e das noites de lua sobre os azulejos e nos beirais dos sobrados, as fachadas quatrocentonas deslumbrando os visitantes, nossas lendas descendo becos e subindo mirantes.
Todos nós sabemos, do mais humilde gari ao empresário mais bem sucedido, que socorrer um desses tesouros arquitetônicos não é para qualquer conta bancária de mediano porte; mas, por outro lado, sabe-se por portas e travessas que existe uma ONG européia interessada em recuperar essas ruínas em troca de apenas três sobradões a escolha deles: o que querem fazer desse patrimônio? Só o tinhoso sabe. Mas penso que os três sobradões, no caso, terão o mesmo peso que os bois de piranha; três vacas magras em troca da manada inteira. Por outro lado, meu poeta, foi você mesmo que nos revelou, no seu artigo de domingo passado, 16, em “Crise, Brasil e Maranhão” que “no Maranhão, no balanço da economia dos estados, estamos numa fase extraordinária de crescimento e progresso”. E depois, sabemos que o agronegócio avança no Maranhão e que é público e notório que estamos caminhando muito bem para superar nossas dificuldades econômicas. Ou é treta a instalação dos grandes projetos industriais em nosso Estado e o novo berço que a Petrobras abre no Itaqui é para ninar recursos? E depois, poeta, já pensou no tipo de julgamento que a história fará sobre nós? Que se essa derrocada acontecer justamente num período de tempo em que fomos reconhecidos pela UNESCO e que nosso bumba meu boi virou código de barra internacional? E no momento em que a obra de arte de Cosme Martins, Cordeiro e um punhados de outros excelentes artistas plásticos está sendo disputada pelo consumidor europeu e norte americano e outros dos nossos talentosos conterrâneos estão começando a integrar hora o coro de filarmônicas famosas na Polônia hora o elenco da maior companhia de dança do Ocidente, que é o Bolshoi de Moscou, ninguém nos perdoará.
Ajude a nós em desespero poeta! Precisava estar presente à última reunião de nossa Academia de Letras para ter visto a cara desanimada e triste de seus confrades diante desse mural cruel que se desenha diante de todos nós. Sabemos que o que está acontecendo tem muito que ver com a maldição lançada por Vieira quando deixava o Maranhão em 1661 sob a pressão dos senhores de engenho: “Nessa terra que amaldiçoou não ficará pedra sobre pedra” – bradou o clérigo cuspindo fagulhas e segurando seu rosário de cima do batel que o conduziria de retorno a Portugal. Mas a estas alturas lembro ao poeta que esta cidade nunca se esquece de uma outra situação bem semelhante, quando um jovem governador, reuniu no Itaquí a nata dos Pais e Mães de Santo do Estado, nos anos 60 do século passado para negociar com Mãe Ina permissão para continuar a construção do porto; cujas estacas estariam prejudicando o teto do palácio da Entidade em razão do que ela estava sequestrando a alma dos mergulhadores. E que depois daquela desobriga magnífica os trabalhos seguiram com normalidade. Até hoje.
Que a maldição de Vieira, meu poeta, não se concretize. As palavras do padre/profeta não devem ser mais poderosas que a ira da Entidade do mar; que você venceu.
Reúna novamente seus orixás e solte sua palavra: que é poderosa. Mas não permita que o anunciado aconteça.
O Poeta tem o poder.
Fonte: Jornal: O Estado do Maranhão (21 de Outubro de 201) Hoje é dia de…Ubiratan Teixeira.


UBIRATAN TEIXEIRA EM SEU DIÁRIO DE CAMPO
José Neres
Em seus oitenta anos de vida, Ubiratan Teixeira tem sido admirado como fecundo cronista, talentoso prosador, excelente crítico e notável teatrólogo. Todas essas características podem ser atestadas pelos diversos prêmios recebidos ao longo de uma vitoriosa trejetória de luta com as palavras escritas e, principalmente, pela leitura de sua vasta produção intelectual, que vai desde textos curtos para jornais até bem elaboradas obras de ficção, passando também por um livro voltado para o público infanto-juvenil e pelo essencialíssimo Dicionário de Teatro.
Mas além de todos esses predicados acima mencionados,Ubiratan Teixeira deve ser visto também com importante testemunha dos principais acontecimentos culturais ocorridos no Maranhão desde a segunda metade do século XX até este início de século XX. Mas ele não se limitou a ser mais uma testemunha da história a guardar os episódios nas retinas e na memória. Ele tomou a decisão de compartilhar esse momentos com seus seus inúmeros leitores. Com isso, o conjunto de crônicas e artigos de UT pode servir de base para pesquisas ou para uma leitura mais aprofundada dos diversos momentos culturais cobertos pelo autor em seus textos semanais.
Como o texto de jornal parece já nascer com data marcada para morrer, e o periódico que hoje está cheio de novidades será amanhã utilizado para inúmeros outros fins, que quase nunca têm relação com a leitura, a solução encontrada pelos cronistas para dar perenidade a seus textos é enfeixá-los em forma de livro. Foi isso que fez Ubiratan Teixeira, que reuniu 80 de suas crônicas/ensaios em um livro significativamente intitulado “Diário de Campo” (Ética Editora, 2010).
Teatro, exposições, artes plásticas, música, literatura e todo um universo cultural que gira em torno de São Luís e do Maranhão como um todo, mas que quase sempre é relegado a um segundo plano no olhar das autoridades e das pessoas em geral, contituem o epicentro dessa obra em que Ubiratan Teixeira mostra que ser testemunha da História não é sinônimo de ser passivo. Em cada página, o leitor entra em contato com importantes momentos de nossa cultura, com eventos que hoje são apenas lembranças (ou nem isso mais) na combalida memória de um povo que fecha os olhos para seus valores, com nomes essenciais para o desenvolvimento das artes nas terras de Gonçalves Dias.
Em 252 páginas de um livro que pode ser lido de um só fôlego ou saboreado aos poucos, sem preocupação com a ordem dos textos, o experiente cronista “passeia” pelo mundo das artes e conduz o leitor pelas encruzilhadas nem sempre bem iluminadas de nossa cultura. Dono de um estilo característico, que mescla um tom coloquial com boa dose de crítica e um olhar arguto sobre situações praticamente invisíveis para quem não está envolvido com o quase sempre desprezado mundo das artes, Ubiratan Teixeira não se omite de deixar suas impressões acerca dos fatos retratados, e isso dá um sabor especial aos textos, que deixam de ser meras observações e podem ser lidos como fragmentos de pensamentos de um dos mais privilegiados observadores de eventos que quase sempre são vistos apenas em sua superfície.
“Diário de Campo” é um livro leve e denso ao mesmo tempo. Leve pela linguagem, pelo estilo do autor, que sabe pesar muito bem em cada crônica/ensaio bom humor e a acidez de um olhar crítico. Denso por tratar de temas que exigem reflexão a cada parágrafo e por deixar evidente que um assunto tão importante quanto a cultura quase sempre e deixado de lado em um Estado que deveria valorizar mais quem produz ou investe em arte.
Fonte: www./joseneres.blogspot.com/





Vela ao Crucificado

Adaptação do conto homônimo de Ubiratan Teixeira.

Direção: Frederico Machado
Ficção, 35mm, 2010 - São Luís/MA.
Exibição autorizada pelo autor para o canal da ABD Maranhão.




domingo, 16 de outubro de 2011

Caminho das Pedras: Obras maranhenses da Livraria Resistência

Em tempos de polêmicas e surgimento de nossas amizades, a equipe do Maranharte pediu ao livreiro e jornalista José Lorêdo de Souza Filho, proprietário da Livraria RESISTÊNCIA CULTURAL (cujas futuras instalações serão estabelecidas em São Luís do Maranhão, à Av. dos Holandeses, Q - 09, N - 02, Calhau, cep: 65071-380, anexo da Clínica Odontológica Maranhão) que nos enviasse a sua lista de livros maranhenses que possuía em estoque. O Lorêdo criou um post em seu blog com uma lista mais do que interessante, que esperamos, crescer ainda mais.

Link: Livraria RESISTÊNCIA CULTURAL

Ainda que não inaugurada "oficialmente", a Resistência já está funcionando. Os interessados poderão comprar as obras maranhenses pelo celular: (98) 8112-0138 ou por e-mail: liv.resistenciacultural@gmail.com

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Maranharte Informa: I Feira de Literatura Maranhense de Alto Alegre do Pindaré



A Prefeitura Municipal de Alto Alegre do Pindaré através da Secretaria Municipal de Educação e Secretaria Municipal de Cultura realizará nos dias 24, 25 e 26 de outubro a I Feira de Literatura Maranhense. O evento foi aprovado pelo Programa BNB de Cultura e conta com o apoio cultural do Banco do Nordeste e Governo Federal. A feira tem por objetivo minimizar as diferenças culturais, raciais, econômicas e educacionais da população, promovendo a formação de leitores e a democratização do acesso à informação. Para isso, a ação também contará com a realização de atividades pedagógicas e culturais como: Shows com artistas da terra; Exposições de livros; Tenda da Leitura; Roda da Leitura; Lançamentos de livros e diálogos literários; Oficinas de arte, leitura e reciclagem; Palestras, exibições de filmes e apresentações culturais.
É importante ressaltar que a realização da Feira tem o envolvimento de professores, comunidade e principalmente alunos do Ensino Fundamental e Médio das escolas da rede pública municipal de Alto Alegre do Pindaré, com participação nas ações realizadas durante o evento, proporcionando assim, momentos de diálogo com escritores e imortais da Academia Maranhense de Letras, como forma de aproximar diferentes saberes numa mediação cultural com os anseios da população local.
O evento acontecerá na Praça Padre André e contará com a participação do cantor maranhense César Teixeira e Banda que fará a abertura da programação e no encerramento, dia 26 ficará por conta da Banda Sub-Verso.
Por Civaldo Lopes
Fonte: http://www.blogdoalto.com