sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Maranharte Informa: PROJETO "MIL POEMAS PARA GONÇALVES DIAS"

A ideia vem do Chile. Nasceu por ocasião da comemoração do aniversário de 107 anos do grande poeta Chileno Pablo Neruda, em julho do ano em curso, quando entre outras atividades foi lançada a antologia “MIL POEMAS A PABLO NERUDA” organizada por Alfred Asís. Esta homenagem foi estendida para o Poeta Peruano Cesar Vallejo, que terá a sua antologia “MIL POEMAS A CESAR VALLEJO”. Nessa ocasião surgiu a ideia da organização de uma antologia e homenagem dessa natureza para um poeta brasileiro.
Assim quando do meu retorno ao Brasil surgiu o firme propósito de cumprir a honrosa tarefa. O primeiro desafio centrou-se na escolha do nome, a partir da compreensão da existência de um quantitativo razoável de pessoas dignas dessa homenagem. A preocupação foi dividida com a Profa. Maria Cícera Nogueira, que prontamente entendeu a responsabilidade da missão, de modo que dessas análises resultou a escolha do nome de Gonçalves Dias, principalmente em razão de este grande poeta maranhense:
- Ter procurado formar um sentimento nacionalista ao incorporar assuntos dos povos e das paisagens brasileiras na literatura nacional;

- Desenvolver o Indianismo, ao lado de José de Alencar;

- Por sua importância na história da literatura brasileira ao incorporar uma ideia de Brasil à literatura nacional;

- Por sua grande obra que nos estudos literários é enquadrada no Romantismo.

Considerando as múltiplas ações para a concretização do Projeto foi elaborada uma minuta com as ideias iniciais para ser apresentada ao IHGM, como parte da Programação oficial de Comemoração dos 400 anos da cidade de São Luís do IHGM.
Nesse documento foi também sugerido o envolvimento de outras instituições e organizações não governamentais e governamentais para desenvolver as ações nas cidades de São Luís e Caxias.
Vê-se nesse Projeto a oportunidade de demonstrar a premente necessidade do conhecimento e divulgação da vida e obra dos grandes nomes nacionais, de modo a contribuir para o desenvolvimento do respeito e valorização pelos feitos dos nossos intelectuais brasileiros.


DILERCY ARAGÃO ADLER
Sócia efetiva do IHGM, cadeira n.º 01
dilercy@hotmail.com




O Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão aprovou em sua reunião de Setembro de 2011 a inclusão de Projeto em homenagem a Gonçalves Dias apresentada pela Confreira Dilercy Aragão Adler, dentro do Ciclo de Estudos/debates sobre a Formação do Maranhão e Fundação de São Luís.


PROPOSTA


Antônio Gonçalves Dias nasceu em Caxias, em 10 de agosto de 1823. Assim, em 2012, ano da comemoração dos 400 anos da fundação da Cidade de São Luís será comemorado também o aniversário de 189 anos do grande poeta maranhense.
O Estado do Maranhão homenageou o poeta com uma tradicional praça na sua Capital, São Luís, mas o povo maranhense necessita cultuar mais a memória e o trabalho daqueles que honram o seu Estado, o seu País, através de trabalhos e ações culturais e científicos.
Isso posto, acredita-se que os festejos do aniversário da fundação da cidade de São Luís podem ser abrilhantados com uma homenagem ao grande poeta maranhense Gonçalves Dias.

A proposta é de poetas locais e de várias partes do mundo, prestarem homenagens escrevendo poesias para Gonçalves Dias; ainda, trabalhos de pesquisa histórica sobre sua vida e obra. A participação é aberta a escritores, poetas, pesquisadores, professores universitários, acadêmicos, e estudantes: universitários, do ensino médio e do ensino fundamental.


OBJETIVOS


O objetivo é publicar um livro com “MIL POEMAS PARA GONÇALVES DIAS” e outro livro com TRABALHOS ACADEMICOS apresentados sobre a vida e obra do Poeta. As obras serão lançadas nos dias de seu aniversário de nascimento (10 de agosto) 2012 -189 anos e (10 de agosto) 2013 – 190 anos, integrando a comemoração dos 400 anos de fundação da cidade de São Luís. Essa homenagem a Gonçalves Dias incluirá também uma série de eventos em São Luís e Caxias, em que estarão envolvidas todas as vertentes da arte, de modo que músicos, atores, dançarinos, artistas plásticos, artesãos, com produções e produtos que lembrem o “clima da época” e tenham como tema a figura do Poeta.

- Conhecer a vida e a obra de Gonçalves Dias e reconhecer a importância das motivações que caracterizam a sua obra, tais como o romantismo, o nacionalismo e dentro deste a valorização dos povos que iniciaram a história do nosso país.

- Apreender a importância do conhecimento e divulgação da vida e obra dos grandes nomes nacionais.

- Compreender a urgência de otimização do potencial criador da criança e adolescente e o papel de mediação da escola e da família e das Instituições culturais nessa perspectiva.


ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS


Organização e Lançamento da Antologia “MIL POEMAS PARA GONÇALVES DIAS"

a. Convocação aos ocupantes das cadeiras patroneadas por Gonçalves Dias em todas as Academias, Associações e similares, existentes em todo o território nacional; poetas brasileiros, de todas as idades, renomados e neófitos (na produção literária); estudantes brasileiros dos vários graus de ensino, poetas estrangeiros para a produção de Poemas em homenagem a Gonçalves Dias.

b. Elaboração de concursos com estudantes dos cursos de Letras das Universidades e Faculdades de São Luís e Caxias assim como, das escolas do Ensino Fundamental e Médio, principalmente aquelas que tem o nome de Gonçalves Dias. Para tal serão realizadas palestras e distribuição de Folder, sobre o autor, em escolas para sensibilização à criação de poesias em homenagem a Gonçalves Dias;

c. Lançamento da Antologia nas cidades de São Luís-MA e Caxias-MA, com leitura de poesias nos lugares significativos da vida do poeta, além de Universidades, Escolas, Teatros, entre outros (a serem definidos pela equipe organizadora do Evento).

Elaboração e apresentação de pesquisas acerca da vida e obra de Gonçalves Dias.

3. Convocação de Artistas plásticos, cênicos, músicos para criarem obras inspiradas no período vivido por Gonçalves Dias.

Convocação aos artesãos e pequenos empresários interessados na produção de sourvenir com fotos, poesias e temas de Gonçalves Dias e sua época.

4. Leitura de poesias na Praça Gonçalves Dias, em Escolas, Teatros Universidades e outros espaços.

5. Apresentação de concertos e shows com temas da época de Gonçalves Dias.

6. Convite e entregas de comendas a poetas convidados de entidades locais, nacionais e estrangeiras.


NORMAS DOS TRABALHOS


a) ANTOLOGIA “MIL POEMAS PARA GONÇALVES DIAS”
- cada Poeta poderá apresentar até cinco (cinco) poemas homenageando Gonçalves Dias. Formato A4, times New Roman, tamanho 12, espaço 1,0.
- enviar adjunto currículo literário resumido (no máximo seis linhas), em que conste data de nascimento, cidade e país de origem; com foto atualizada,
- a aceitação dar-se-á na ordem de recebimento da (s) obra(s), até se completarem os 1000 (mil) poemas. Um mesmo autor poderá mandar uma poesia, caso queira enviar outra obra posteriormente, dentro do limite de cinco (05) por Poeta, poderá fazê-lo, indicando que já enviou uma primeira obra; sendo colocadas todas juntas.

Envio de Poesias para: dilercy@hotmail.com

ESTUDOS E PESQUISAS

- cada autor ou co-autor poderá enviar até dois (02) textos, com o máximo de 20 (vinte) páginas, formato A4, Times new Roman, tamanho 12, espaço 1, incluindo bibliografia e fotos.
- ao enviar sua obra, deverá vir acompanhada pequena bio-bliografia, com foto atualizada, em que conste o motivo de participar da antologia; cidade e país de origem;
- a publicação se dará na ordem de recebimento da (s) obra(s).


Envio de Trabalhos para: vazleopoldo@hotmail.com


Fonte: http://ihgm1.blogspot.com

Encontrando as Pedras N° 50

O DESAFIO


O meu desafio é ser desafiada por você
e por todos ao meu redor o tempo todo
O meu desafio é ter de confrontar você.
O meu desafio é não querer desafiar...
Não quero me armar, digladiar, ofender, machucar...
O meu desafio é simplesmente tentar compreender... O que há.
O meu desafio é amparar você.
O meu desafio é caminhar contra e a favor.
É tentar reverter todo o mal.
É mostrar o bem como um sinal:
Sinal bom!
O meu desafio é ser desafiada a confrontar:
a competir, a provar...
O meu desafio é reverter o placar.
É acreditar no amanhã.
É ter esperanças não vãs.
É crer na voz do além que diz: tem fé em DEUS
e segue...
O desafio que só está no começo.
O bem precisa vencer,
para que o mal nunca possa prevalecer.
O meu desafio...
É viver todo dia,
dia a dia da melhor maneira possível.
É acreditar em finais felizes.
O meu desafio...
É a situação que aparecer,
qualquer coisa que eu tenha de vencer.
O desafio da vida dia a dia,
só me ajuda e me leva a crescer.
Por isso...
Hoje...
EU DESAFIO VOCÊ.


Rafaela Cristina Rocha- Escritora/Poetiza/ Compositora/Psicóloga (não formada)



A Rafaela também possui um blog de poesia que compartilha com a sua amiga Paula Nicolino de Freitas – Escritora/Poetiza/Pedagoga/ Professora de Braille.




Atualmente Rafaela está tentando publicar seu livro de estreia: Rafael e Marina: amor eterno (romance).

sábado, 21 de janeiro de 2012

Opinião de Pedra: Jomar Moraes

Trajano Galvão

Jomar Moraes


Acredito no que afirmaram dois franceses muito ilustres ou, para dizer melhor, porque com
mais precisão: dois autores franceses, separados no tempo por cerca de um século, porém irmanados no destino que lhes conferiu imortalidade, por força das obras que escreveram. Disse o primeiro, Balzac, que a glória é o sol dos mortos. E Valéry, o segundo, discorrendo acerca do que vem a ser a glória, entendeu que ela consiste em uma pessoa ter seu nome próprio transformado em nome comum, virar um epíteto ou ser um assunto.


Se assim é, estou convicto de contribuir para a merecida glória de Trajano Galvão de Carvalho, ao tomá-lo para meu assunto de hoje. A motivação para tal, é o fato de haver esse poeta nascido às margens do rio Mearim, num dia 19 de janeiro, como amanhã será. Mas isso em 1830. Essa coincidência é uma razão adicional para repetir uma das minh
as preferências temáticas neste espaço: a Academia Maranhense de Letras, os assuntos com ela relacionados, e as pessoas que, de algum modo se ligaram a essa instituição cultural. Trata-se de dever que procuro cumprir na medida do possível, na parte que me toca, já que além desses acanhados limites nada me resta fazer.


Trajano Galvão figura na “História da literatura brasileira”, de Sílvio Romero, compondo o grupo dos 14 poetas românticos que, segundo classificação desse autor, pertencem à quarta fase desse estilo de época e são representativos do “sertanejismo dos poetas do Norte”.



Apesar das muitas vezes procedentes reservas com que é inquinada a lucidez crítica do polêmico sergipano, cuja obra pioneira e monumental não pode, apesar disso, ser validamente negada, o grupo dos 14 poetas destacados é mais ou menos homogêneo, com a única exceção constituída por Sousândrade, que está muito acima dos demais, e não cabe absolutamente na classificação de sertanejista, como é o caso de seu conterrâneo Dias Carneiro. Este, sim, poeta de temática acentuadamente rural, a exemplo de outros incluídos no grupo, Trajano inclusive.


Afirma Sílvio Romero na “História da literatura brasileira”, com rigor que seria excessivo: “Não foi um grande poeta; mas é indispensável falar de sua pessoa em nossa história l
iterária; há nele algo especial, alguma cousa que lhe garante o nome.”


Logo a seguir, a primeira coisa que faz é reconhecer e proclamar o papel pioneiro de Trajano Galvão, por “ter sido ele o primeiro a dar ingresso à raça negra e cativos dessa raça em nossa poesia.”


Ato contínuo, Sílvio Romero registra que anteriormente a Trajano Galvão, poetas houve que trataram, geralmente de passagem, da escravidão negra, mais para deixar lavrado seu protesto, do que para conferir ao assunto status de tema literário propriamente dito. Nosso poeta, avançando bastante nesse campo insuficientemente explorado, trata da escravid
ão com mais realismo e dá voz efetiva aos escravos, como no belo poema A Crioula, em que a cativa diz que levará seu cativeiro folgando e faceirando, graças às suas exuberantes graças que fascinam o rigoroso feitor que a fustiga no eito. Entretanto, à noitinha, entre as ramas do caminho por onde ela passa, o feitor, com voz melíflua, implora: “ó crioula, vem cá”, ao que ela responde, faceiramente vingativa: “não vou lá.”


Essa mesma crioula, que se sabe e se proclama formosa, que tem consciência de seus “atrativos e formas tão belas”, irá, depois, inzoneira que é, atender ao convite do feitor. Antes, porém, constata: “Na Quaresma, meu seio é só rendas, / Quando vou-me a fazer confissão; / E o vigário vê cousas nas fendas, / Que quisera antes vê-las na mão …”


Outros poemas como o Solau, dividido em quatro breves cantos, e muito movimentado pe
la ação de suas quatro personagens, e ainda Nuranjan, bastam para oferecer uma idéia exata do poeta Trajano, que não foi, como tal, grande, na certeira avaliação de Sílvio Romero, fato que em nada diminui sua importância. Deixou ele produção numericamente pequena, porque além de não ser um autor prolífico, do pouco que produziu, parte teria sido lançada às chamas por sua obediente viúva, cumprindo recomendações do marido.


O pouco que restou de poesias originais e de traduções tidas em altíssima conta por ninguém menos que Gonçalves Dias, está recolhido a um livrinho hoje raro, intitulado “Sertanejas”, publicação póstuma saída em 1898, em edição da Imprensa Americana, de Fábio Reis & Cia, do Rio de J
aneiro. Os poemas são precedidos de Advertência do Editor, de Prefácio de Raimundo Correia e de Traços Biográficos pelo Dr. Oscar Lamagnére Leal Galvão, maranhense de presumo parente do poeta.


Há muito acalento o propósito, que espero brevemente realizar, de promover a edição dessa obra, que merece, por todos os motivos, tornar-se conhecida dos leitores atuais, que precisam tomar conhecimento de um poeta importante e pioneiro, além de muito espirituoso, como o demonstra esse primor de sátira que é o poema O Nariz Palaciano.


O livro “Sertanejas”, que há muito falta à bibliografia maranhense corrente, com certeza será reeditado no presente ano.



Fonte: Jornal: O Estado do Maranhão (18 de janeiro de 2011 )




Evocação de Adelino Fontoura


Jomar Moraes



Por um motivo que declinarei ao final, lembrei-me de Adelino Fontoura. E como lembrança puxa le
mbrança, recordo, que na solenidade que superlotou de convidados o salão nobre da Academia Maranhense de Letras, para a recepção do acadêmico José Maria Cabral Marques, um nome brilhou entre as estrelas de primeira grandeza da festa: o do poeta Adelino Fontoura, maranhense de Axixá.


É que o professor Cabral Marques, cumprindo à risca o disposto no Regimento Interno da Academia, consagrou expressiva parcela de seu discurso de posse ao louvor do patrono da Cadeira 38, da qual é, agora, titular. E fez isso didaticamente, numa exposição digna de todo professor que se preza. Com clareza, com coerência cronológica e descendo a todos os detalhes essenciais à apresentação do retrato de corpo inteiro do poeta de Atração e Repulsão, que nem sempre tem merecido homenagem de tal natureza dos que se empossam na Cadeira número l, da Academia Brasileira de Letras, que igualmente o tem por patrono.


Digo mais sobre o discurso de posse de Cabral Marques: será, com toda certeza, o mais completo e minucioso trabalho dedicado à vida e à obra de Adelino Fontoura, pois resultou de atenta pesquisa nas mais importantes fontes acerca do poeta, fato que possibilitou ao empossando reunir numa só peça o que muitas outras dizem, às vezes esparsa e às vezes brevemente.


Mas a vida breve (faleceu aos 25 anos incompletos) e a obra esparsa (não deixou nenhum livro publicado) de Adelino Fontoura merecem atenções que até hoje só em parte lhe foram dedicadas, graças às iniciativas de Coelho Neto, Múcio Leão e Jerônimo de Viveiros, que reuniram tudo quanto encontravam da produção em prosa e, principalmente em poesia de Adelino. Não pode ser omitido, entre os que prestaram esse trabalho benemérito, o nome do grande e incansável pesquisador Israel Souza Lima, que enfeixou em livro o mais completo acervo do poeta, e também sua modesta fortuna crítica, em face da qual concordamos com o maranhense Eliézer Bezerra, que lhe atribuiu o cognome de Poeta Desvalido.


De fato foi muito dura a vida do sonetista de Celeste, sempre às voltas com sérias privações de ordem material e, quem sabe se também por isso, torturado por uma ardente paixão não correspondida.


Adelino era altivo e, segundo o testemunho de amigos, algo implicante e com o gosto de contrariar. Aluísio Azevedo, numa página evocativa, assevera que Adelino, a despeito de sua inteligência e vivacidade de espírito, seria capaz de parecer bronco, se soubesse que isso causaria irritação a alguém. Mas não há dúvida de que o poeta, com seu gênio arrevesado, criava situações adversas, a exemplo do improviso com que recheou o diálogo de uma peça que representava no Teatro Artur Azevedo, então ainda denominado Teatro São Luís. Era o assunto mais comentado na cidade, o papelão de um conhecido médico, que para livrar a futura baronesa de Grajaú da acusação de haver assassinado um negrinho seu escravo, atestou que ele morrera de ancilóstomo. Adelino, vivendo o papel de médico que examinava um doente, perguntou: terá sido ancilóstomo? O teatro explodiu em sonoras gargalhadas. E o ator saiu do camarim para a cadeia.


Outro dos irmãos Azevedo, Artur, igualmente muito amigo do poeta, e que foi seu colega de profissão em São Luís, ambos caixeiros de armazéns da Praia Grande, registrou traços da vida de Adelino no conto Caiporismo. Nessa breve obra de ficção baseada em fatos da vida real, o dramaturgo de “A Capital Federal” conta as desventuras de Secundino (nome que rima com Adelino e é ele próprio). Chegado ao Rio de Janeiro. “pronto”, como sempre viveu, foi recebido pelo amigo, que logo tratou de arranjar-lhe um emprego. Como a rica viúva Salgado precisasse de um professor para suas filhas e houvesse pedido a Borges a indicação de alguém para esse fim, o amigo recomendou Secundino/Adelino para a função Mas o poeta, de tão caipora, teve o azar de tomar um bonde que a viúva também tomou, mais adiante. E surgiu entre os dois acalorada discussão, por não haver o poeta sido gentil com a senhora. Desceu ele do bonde. E tomou outro, rumo à casa da viúva. Em lá chegando, foi reconhecido e, sem mais nem menos, posto no olho da nua.


Avivou-se em mim a lembrança de Adelino Fontoura com o recebimento, com gentil oferecimento, da publicação intitulada “O verso e o silêncio de Adelino Fontoura”, do professor José Neres, com a colaboração das graduandas em Letras Jheysse Lima Coelho e Viviane Ferreira, ambas alunas da Faculdade Atenas Maranhense e integrantes do grupo de pesquisa Sistema Literário Maranhense: Hipermídia e Hipertexto.


Mais um livro acerca de Adelino Fontoura representa um motivo adicional para pôr em relevo o seu nome e, no caso em comento, é um exemplo digno de ser seguido o que nos oferece o professor José Neres, cujo trabalho, realizado com a colaboração de alunas suas, significa incentivo importante para a formação intelectual dessas estudantes.


Se Adelino falasse pela voz de José Albano, bem que poderia assim resumir sua breve, errante e adversa existência: “Poeta fui e do áspero destino/ Senti bem cedo a mão pesada e dura;/ Conheci mais tristeza que ventura/ E sempre andei errante e peregrino.”



Fonte: Jornal O Estado do Maranhão (04 de janeiro de 2011 – Quarta-feira)

Notas complementares: Adelino Fontoura Chaves foi ator, jornalista e poeta, nasceu na cidade de Axixá, à margem esquerda do rio Mearim, no Maranhão, em 30 de março de 1859, e faleceu em Lisboa, Portugal, em 2 de maio de 1884. É o patrono da Cadeira N° 1, por escolha de Luís Murat. Filho de Antônio Fontoura Chaves e Francisca Dias Fontoura. Aos dez anos, concluído o primário, começou a trabalhar no comércio. Durante mais de dois anos manteve contato com Artur Azevedo, quatro anos mais velho, que também trabalhava em armazém. Teriam os dois começado, então, os seus sonhos de homens de letras incipientes. Adelino alistou-se no Exército, em Pernambuco, e lá passou a colaborar no periódico satírico Os Xênios. Em 1876 esteve no Maranhão, participando de representações teatrais. Após uma experiência que lhe custou a prisão, em virtude de um papel que representou no teatro, deliberou mudar-se para o Rio de Janeiro e ali procurou o amigo Artur de Azevedo. Queria ser jornalista e entrar para o teatro. Nada conseguindo em teatro, foi admitido na Folha Nova, de Manuel Carneiro. Depois Lopes Trovão deu-lhe um lugar no recém-fundado jornal O Combate, onde publicou muitos de seus poemas.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Caminho das Pedras: Ilhavirtualpontocom Nº 8 e Livro Digital do Sistema Literário Maranhense: Hipermídia e Hipertexto



Com um pouco de atraso, divulgamos a edição de N° 08 do já festejado ILHAVIRTUALPONTOCOM, coordenado pelo Prof. José Neres.

ILHAVIRTUALPONTOCOM Nº 8


E não para aí...


E-mail do Prof. Neres:


Caros amigos e caríssimas amigas

Sempre imbuídos no propósito de divulgar as letras maranhenses, estamos disponibilizando em nosso blog um livro/estudo sobre o poeta Adelino Fontoura, o patrono da cadeira nº 1 da Academia Brasileira de Letras, mas um quase desconhecido nas letras de nosso país.
O livro digital é parte do projeto Sistema Literário Maranhense: Hipermídia e Hipertexto, que ainda está em andamento, mas que começa a dar bons frutos.

Autores: José Neres - Jheysse Lima Coelho - Viviane Ferreira
83 páginas
formato digital: PDF

Estamos doando também a versão impressa do livro para bibliotecas públicas, como forma de divulgar as letras de nossa terra.

Para ler o trabalho ou baixá-lo em PDF, vá para nosso blog clicando AQUI

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Opinião de Pedra: Ubiratan Teixeira

Literatura - Nossos escritores fora das estantes

Ubiratan Teixeira – Academia Maranhense de Letras

O antipático e cruel nestes levantamentos de fim de ano sobre nossa produção cultural é o batido chavão do “já tivemos e já fizemos” que insiste em permanecer. Por falta de incentivo institucional na área da produção intelectual, quer do Estado, quer das Universidades, que são essenciais considerando-se que a venda do livro no quadro atual de consumo (e outras circunstâncias) não cobre as despesas feitas com sua produção, o artigo maranhense vai ficando escasso nas estantes das livrarias, das bibliotecas públicas e dos estabelecimentos de ensino muito embora saibamos do polpudo investimento que o Estado e as Universidades fazem na compra de obras do pior nível produzidas por editoras sem qualificação adequada, do sul do país.

Como os programas de incentivo á publicação foram extintos, raros escritores ousaram se auto/editar. Entre os peitudos, Bento Moreira Lima com o romance “Coisas do Destino”, Vinícius Bogéa com a novela “Diário Oculto”, Américo Azevedo Neto com “Festas, Fogos, Fogueira e Fé”. José Neres lançou “Maranhão na ponta da língua” (palavras e expressões maranhenses). A Fundação Municipal de Cultura publicou 30 Anos de Xilogravura de Airton Marinho, e a EDUFMA lançou “Memórias Fantásticas da Guerra dos Mundos”, ensaio organizado pelo professor Francisco Gonçalves da Conceição, e uma obra da professora Sônia Almeida, enquanto que Wilson Marques circulou com mo excelente infantil “A lenda do Rei Sebastião e o Touro Encantado”, como selo da Mercuryo Novo Tempo, de São Paulo.

A cultura municipal, por cima de paus e pedras, realizou o “34º Concurso Literário e Artístico Cidade de São Luís”, concedendo a Jorgeana Braga o prêmio Aluízio Azevedo pelo romance “A Casa do Sentido Vermelho”, o prêmio Antônio Lopes a Augusto Cássio com a obra “A Capoeira em São Luís”, e o prêmio Sousândrade, de poesia, a Samarone Marinho.

Foram presenças significativas lantejoulando o panorama sombrio.

O grande feito do ano, no entanto, fica por conta do poeta Paulo Melo Sousa, que criou um espaço para a discussão da arte e da literatura (Papoético) no Sebo do Chiquinho, na rua de São João (Centro), onde semanalmente aconteceram encontros, debates, lançamentos de livros e discussões sobre arte e literatura.

Fonte: Especial para o Alternativo - Jornal O Estado do Maranhão (31.12.2011)

Agradecemos ao poeta Paulo Melo Sousa por ter enviado o texto para o nosso e-mail.

E por falar no Papoético:

EXIBIÇÃO DO FILME "MEMÓRIA DE PEDRA - UM DOCUMENTÁRIO SOBRE A ARQUEOLOGIA PRÉ-COLONIAL NA ILHA DE SÃO LUÍS", SEGUIDO DE DEBATE.

QUINTA-FEIRA – 05.01.2012, às 19 horas

Às vésperas das comemorações dos 400 anos de fundação da cidade de São Luís pelos franceses faz-se necessário uma reflexão sobre o passado ancestral dos primeiros habitantes, anteriores aos índios encontrados pelos europeus, denominados na literatura arqueológica pré-histórica de paleoíndios.

Estes primeiros habitantes da Ilha chegaram seguindo curso de rios, na busca de alimentos, seja de caça, coleta ou pesca. Por milhares de anos, ocuparam o que viria a ser o Maranhão. Devido ao trabalho minucioso de profissionais da Arqueologia e História é possível reconstruir parte deste acervo a partir de artefatos de pedra, utensílios de cerâmica e restos do que um dia foi moradia desses seres humanos, como por exemplo, os sambaquis.

Infelizmente, a maior parte dessa história encontra-se enterrada no subsolo por falta de pesquisa, sendo ignorado por moradores que encontram este tipo de material e o descartam e principalmente, sem ações adequadas do Poder Público. Neste sentido, o documentário em sua ampla capacidade de registrar experiências da realidade com liberdade e particularidades narrativas pode servir como elemento de sensibilização da sociedade na preservação do acervo pré-colonial da Ilha de São Luís, no sentido de conhecer e valorizar a “memória de pedra”, a saber, memória arqueológica pré-histórica.

Informações Técnicas:

Filme: documentário "MEMÓRIA DE PEDRA - UM DOCUMENTÁRIO SOBRE A ARQUEOLOGIA PRÉ-COLONIAL NA ILHA DE SÃO LUÍS".

Tempo: aproximadamente 40 minutos

Roteiro e Direção: Marcus Saldanha

Produção: Marcus Saldanha e Jacelena Dourado

Fotografia: Rafael Pinheiro

Edição: Wesley Costa

Trilha Sonora Original: Luís Fernando Soares

Participação Especial: Celso Borges (poemas inéditos)

Apoio: Faculdade São Luís