segunda-feira, 26 de março de 2012

Maranharte Informa: Sétima Edição da Semana de Teatro no Maranhão


A sétima edição da Semana de Teatro no Maranhão começa hoje ( 26/03) e avança até o dia 1º de abril com diversas atividades durante os sete dias e com a participação de 44 espetáculos selecionados; 25 locais e 19 nacionais. A abertura será no Teatro Arthur Azevedo ( às 20h), com a apresentação da peça teatral A Poltrona Escura, dirigida e protagonizada pelo ator paulista Cacá Carvalho. Outro destaque nesta abertura é o lançamento do livro Bastidores/Crônicas, do jornalista e crítico teatral maranhense Ubiratan Teixeira. Uma obra que reúne 63 crônicas sobre o que acontece nos bastidores do teatro maranhense. O livro foi editado pela Secretaria de Estado da Cultura (Secma) e é composto por lembranças do autor sobre a sua experiência com o teatro.

As atividades ( minicursos e oficinas) e os espetáculos vão ocorrer simultaneamente nos Teatros Arthur Azevedo, Alcione Nazaré e João do Vale; no Centro de Artes Cênicas do Maranhão (Cacem); Galeria Russa Ecimuseum; Praças Nauro Machado e João Lisboa; e no Circo Cultural Nelson Brito.

Pelo aniversário de 400 anos de São Luís os produtores culturais da Semana promoferam o . Prêmio São Luís em Cena, onde serão anunciados os cinco vencedores de textos teatrais que homenageiam a nossa capital. Segundo a comissão organizadora foram inscritos 15 projetos e os cinco selecionados receberão incentivo financeiro de 12 mil reais, cada um, para montarem suas produções.


Sobre a nossa cultura e linguagem na VII SEMANA DO TEATRO NO MARANHÃO


ESPETÁCULOS DE PALCO

Kabupe - Silvana Cartágenes (MA)

Teatro João do Vale 27/03 10h


Chica Baladeira, a Eterna - Os Tagarelas da Matriz (MA)

Teatro João do Vale 27/03 19h


Um Estranho Que me Quer - OUTROPLANETA (MA)

Teatro João do Vale 28/03 19h


O Processo das Formigas - Casemiro Coco -(MA)

Teatro Arthur Azevedo 28/03 20h


O Menino e o Barquinho - Pés de Fulo (MA)

Teatro João do Vale 29/03 10h


Primeiro Amor - RASCUNHO (MA)

Teatro Alcione Nazaré 29/03 19h


Capitão Livrão - Improviso Grupo Teatral (MA)

Teatro Arthur Azevedo 30/03 10h


História de Todos os Dias - Miramundo (MA)

Teatro Arthur Azevedo 30/03 20h


Pão com Ovo - Santa Ignorância (MA)

Teatro Alcione Nazaré 31/03 18h


Vater - DRAO (MA)

Teatro João do Vale 31/03 19h


Dois Amores de Lampião (MA)

Teatro Alcione Nazaré 01/03 17h


Morta Entre Lírios (MA)

Centro de Artes Cênicas do Maranhão 30/03 19h


Cemitério de Espumas - Grupo Abluir (MA)

Espaço ODEON 31/03 19h


Eles e Nós - Tapete Criações Cênicas (MA)

(circulação)

Contação de Histórias - Xama Teatro (MA)

(Circulação)

A Lua de Sofia - La Oficina (MA)

(circulação)

O Miolo da História - Santa Ignorância (MA)

Galeria Russa ECIMUSEUM 27 e 28 16h


Brincar Sem parar de Transformar - (MA)

Galeria Russa ECIMUSEUM 29/03 16h


Programação completa

quinta-feira, 15 de março de 2012

Maranharte Informa: Livro Sertanejares


O livro Sertanejares foi o grande vencedor do prêmio Universal da Cultura Maranhense em 2011 e a quarta obra da autora Lília Diniz, os outros são: Babaçu, Cedro e outras Poéticas em Tramas (2001 – poesia), Miolo de Pote da Cacimba de Beber (poesia – 2003) e Ao que vai Chegar (Contos – 2007).

O lançamento será no Chico Discos (Centro), a partir de 19h. Sertanejares tem poesias inspiradas na linguagem regional (com um extenso léxico de expressões do nosso linguajar) e na literatura de cordel.

Segundo a autora: “Sertanejares continua nessa linha de experimentação e valorização da linguagem nordestina. A edição com a forma de um abano tem detalhes em chita colorida, que dialogam com a cor de palha do papel.”

A jornalista Yane Botelho (do Jornal O Estado do Maranhão) analisou a produção poética da maranhense.

Em Sertanejares, as poesias se encontram divididas em três blocos. No primeiro, os temas são mais politizados. A autora mergulha no universo das quebradeiras de coco babaçu, aborda a questão indígena, retrata a lida nos povoados maranhenses, abordando a complexa questão da terra.

No segundo bloco, as poesias são mais rimadas. Ele é composto por quatro grandes poemas baseados na literatura de cordel, revelando uma parte latente da autora, que teve sua primeira experimentação artística feita através desse estilo. O contato de Lília Diniz com o cordel ocorreu por meio de seu pai, que escutava diariamente a Rádio Nacional da Amazônia. Ainda garota, ela sempre acompanhava a programação, que apresentava a cantoria de muitos repentistas.

Os cantadores também costumavam visitar a cidade em que a autora morava, o extinto povoado de Alto Alegre, em Barra do Corda. Um dos irmãos de Lília Diniz costumava comprar cordel, e a mãe estimulava bastante os filhos a decorar os textos. Na cidade, a energia elétrica chegava tarde, e a brincadeira preferida entre as crianças era fazer duelo com os primos, para ver quem cantava melhor. Foi assim que o ritmo embalou a poeta desde cedo. “Depois, morei no Rio Grande do Norte durante três anos, e ali o cordel se apresenta de maneira bem mais forte que no Maranhão; daí eu participei de festivais, o que me estimulou ainda mais a seguir essa trilha”, diz.

Já a terceira parte do livro apresenta um caráter mais lírico. São quase 60 poemas de amor, a maioria deles escrita antes de 2007. Ao fim da publicação, há uma lista de expressões populares usadas no interior do Maranhão. O glossário, chamado de “palavreado” pela autora, funciona como uma tradução, que tenta recuperar o linguajar específico de certas localidades.

Lançamento – Lília Diniz fará uma performance com a declamação de seus textos. Ela também interpretará algumas cantigas, com base nos ritmos coco e baião, acompanhada de um pandeiro. A poeta prestará homenagens a Patativa do Assaré e a João do Vale, interpretando composições desses autores.

Após o lançamento do livro em São Luís, a poeta lançará Sertanejares em Imperatriz, dia 21, no auditório da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), e, posteriormente, em oito escolas do ensino médio do município localizado na Região Tocantina do estado.

Lília Diniz é maranhense. Ela nasceu em Creoli do Bina, povoado de Tuntum, e foi morar em Imperatriz aos sete anos de idade, transferindo-se para Brasília (DF) em 1996. Retornou para Imperatriz em 2007 e, atualmente, circula entre essa cidade e a capital federal para desenvolver seu trabalho.

O livro Sertanejares tem apresentação do professor J. Bamberg, da Universidade Federal de Goiás. Segundo ele, a “escrevinhadura” de Lília Diniz vem “da Zona-da-mata-de-transição, desse lugar-algum que é chamado de interior, do seu belo Maranhão”.

O lançamento é hoje (15/03/2012), às 19h , no Papoético, no Chico Discos (Rua 13 de Maio, esquina com Rua dos Afogados, Centro)



Brincadeira de menina

Então a gente brincava
imitando as lavadeiras
as dos açudes, dos poços
em cantigas corredeiras
fazendo espuma branquinha
lavando com as casquinhas
daquelas saboneteiras
as roupas das bonequinhas
todas bem prazenteiras


Gostou? Então visite o blog da autora: http://lilia-diniz.blog.uol.com.br/




quarta-feira, 14 de março de 2012

Maranharte Prestigia: I Mostra de Ilustração Temática São Luís 400 anos: revivendo a Athenas Brasileira.


Uma exposição dedicada à tradução em imagem da São Luís descrita por escritores e poetas. No ano em que a cidade completa seu quarto centenário, a Galeria de Arte do Serviço Social do Comércio (Sesc) abre a temporada 2012 com a I Mostra de Ilustração Temática São Luís 400 anos: revivendo a Athenas Brasileira. O evento fica à disposição do público até 30 deste mês, das 8h30 às 17h30.

A proposta une as artes visuais à literatura. As ilustrações foram feitas com base em obras literárias que descrevem a capital maranhense. Cerca de 10 imagens compõem a mostra. Carvão, grafite e até computação gráfica foram utilizados na tentativa de recriar a São Luís narrada por Gonçalves Dias, Aluísio Azevedo, Josué Montello e Nauro Machado.

A exposição homenageia escritores e resgata o espírito da “Atenas Brasileira” – epíteto atribuído à cidade em decorrência de grandes nomes da literatura que viveram em São Luís. As obras foram escolhidas por meio de um concurso. Cada artista compôs uma ilustração tendo como base uma produção literária ou até mesmo um fragmento de um autor maranhense. A coletiva reuniu artistas plásticos e ilustradores profissionais, amadores e estudantes.

Ilustrações – A atitude saudosista do escritor Josué Montello, evidente na obra Cais da Sagração, serviu de inspiração, por exemplo, para o artista Danilo Saraiva, 25 anos, produzir a ilustração Último Enigma. Por meio do desenho, ele retrata os enigmas e os códigos de honra que delineiam a história de dúvida e mistério entre os personagens do romance.

A figura indígena feminina foi retratada pelo artista João Almeida, 27 anos, que se baseou em trechos dos poemas Canção do Exílio e Seus Olhos, de Gonçalves Dias, para fazer a ilustração Cantos, Contos e Poesia. “O povo indígena representa a base da formação étnica brasileira. Eles são os ‘donos da terra’ que viram surgir em sua Iha Upaon-Açu, por meio da miscigenação com os franceses e portugueses uma nova cidade, um novo modus vivendi o qual hoje conhecemos e chamamos de ludovicenses”, destaca o artista.

A mostra é produzida pelo Grupo DRAO – Teatro da (In)Constância, que funciona como núcleo de pesquisa e produção em arte. O grupo surgiu há três anos e tem como ponto primordial a difusão e a interação entre as artes – teatro, performance, artes plásticas, música, dança.

Fonte: http://imirante.globo.com

Texto: Yane Botelho ( jornal O Estado do MA)

Maranharte Divulga: ILHAVIRTUAL NÚMERO 10



O Ilhavirtualpontocom N° 10 traz o edital de dois concursos literários aqui da cidade, o perfil literário de Lúcia Santos e fragmentos de romances do nosso de Coelho Neto. AQUI




quinta-feira, 1 de março de 2012

Caminho das Pedras: Maré Memória



Trechos do poema Maré Memória, de José Chagas


Caranguejo que se irmana
com os bichos dos lamaçais,
na condição desumana
de caminhar para trás,

de voltar à pré-história
– vergonhosa marcha à ré –
e afogar sua memória
no ir e vir da maré.



Homem na luta impossível
contra os ventos que o consomem,
lançado abaixo do nível
do mar e do próprio homem.
.................................................
Será, no final de tudo,
sombra da sombra que vem
para ser o conteúdo
do vazio de ninguém,

que, por mais que ali se queixe,
na alta ou baixa maré,
nem caranguejo nem peixe,
nem coisa alguma ele é.



Mais informações sobre a obra e sobre a primeira adapção para o teatro, você encontra nos textos:

Maré/memória poema de lama no palco – texto de Cesar Teixeira - Suplemento Cultural Guesa Errante.


Maré Memória – texto de Murilo Santos e reproduzido no blog do amigo Zema Ribeiro.



MARANHARTE: Literatura Maranhense

Opinião de Pedra: Jomar Moraes


Uma rosa que era violeta

Jomar Moraes


Daqui a um ano, se nóis viva fô, como cantam as caixeiras do Divino, estaremos, nesta data, que cairá numa sexta-feira, de algum modo rememorando os 120 anos do nascimento de Laura Rosa, nome de uma importante educadora que teve atuação destacada durante largo período do século passado, e cuja lembrança sobrevive crescentemente esmaecida pelo desaparecimento das diversas gerações que ela ajudou a educar. Isso, no âmbito das alusões e referências gerais mais correntes, porque em círculos específicos, a exemplo dos estudiosos da educação maranhense, Laura Rosa é presença viva e exemplo edificante, mesmo para aqueles que não a conheceram pessoalmente. Também acontece assim, na Academia Maranhense de Letras, onde ela fundou a Cadeira 26, e fez questão de pô-la sob o patronato de Antônio Lobo, fato que consagrou para sempre a admiração da aluna pelo professor predileto, e a distinção paternal do professor por uma de suas alunas mais estimadas.

Na chamada Princesa do Sertão, Caxias, cidade em que Laura Rosa exerceu por seguidos anos seu proficiente magistério, deixou raízes tão sólidas e profundas, que para lá retornou após cumprir, no sistema estadual de educação, uma das mais longas e exemplares folhas de bons serviços.

Não saberia dizer, pelo tempo decorrido, se a provecta professora já residia em Caxias, acolhida pela hospitalidade de outra mestra de renome naquela cidade: a professora Florzinha, como era por todos conhecida.

Mas o certo é que pela primeira vez me encontrei com Laura Rosa numa casa em que ela se achava hospedada, na Rua de São Pantaleão. E quanto a isso, acredito que não me engano, a despeito dos cerca de quarenta e nove anos decorridos. Eu tinha, de longe, uma especial admiração pela professora que não constituíra família, para dedicar-se inteiramente ao magistério, ocupação que dividia, porém em parcela menor, com a literatura, poetisa que era, e também contista, gênero em que publicou um livro intitulado As promessas. Com esse livro de contos, com os poemas de Castelos no ar, volume que permanece em originais cujo paradeiro é para mim incerto e não sabido, e mais que tudo, graças à sua reputação de competente educadora, Laura Rosa, quando as cadeiras da Academia foram aumentadas de 20 para 25 e finalmente para o número clássico e definitivo de 40, esteve entre os distinguidos para compor o quadro de membros efetivos da Casa de Antônio Lobo. Eleita em 3 de abril de 1943, tomou posse logo a 17 do mesmo mês, pertencendo-lhe, em toda a história da Academia, o segundo menor lapso temporal entre a eleição e a posse. A primeira pertence a Benedito Buzar.

Laura Rosa, recebida por Nascimento Moraes, foi a primeira mulher a ingressar na Academia, porque a primeira eleita, Maria Luiza Lobo, professora distinta e filha única de Antônio Lobo, que cognomina a instituição, não havendo tomado posse no prazo para tal estabelecido, teve sua eleição invalidada.

Acredito que essa posição de pioneirismo de Laura Rosa foi um dos motivos de meu interesse intelectual por ela. O outro, estou bem certo, decorreu de seu bucólico pseudônimo, logo transformado em heterônimo e em nome literário quase que absoluto: Violeta do Campo.

Sempre imaginei que o nome da rosa, constituído, intrigantemente, de apenas dois prenomes, embora ambos impregnados de poesia e de história literária – Laura e Rosa – ficaria bem mais bonito e, de certo modo, algo pomposo, se incorporasse o heterônimo popularizado. E assim teríamos, por exemplo, Laura Violeta Rosa do Campo, Laura Violeta do Campo Rosa ou outra das diversas combinações que os prenomes e o heterônimo ensejariam.

Porque até hoje não me conformo com esse nome constituído apenas de dois prenomes, ao qual ficou faltando o complemento de um apelido de família, fosse ele embora, um surrado silva ou pereira.
Pessoa que conheceu de perto a velha mestra, falecida já nonagenária, disse-me que seu nome era assunto em que ninguém falava.

Uma espécie de tabu. Algo que escondia, talvez, uma situação desconfortável. Mas eu jamais me conformarei com esse nome tão bonito, quanto misterioso, a estimular-me a abelhudice, talvez. Laura Rosa de quê? fica a pergunta.

Fonte: Jornal: O Estado do Maranhão (22 de fevereiro de 2012)


Trechos do discurso de posse da poetisa Laura Rosa (realizado no dia 17.04.1943), no Salão Nobre da Casa de Antônio Lobo.

"Manda a justiça que vos diga, em primeiro lugar, que me trouxeram para esta casa de sábios ilustres as mãos amigas de Corrêa de Araújo e Nascimento de Moraes com a benevolência de seus pares.

Trouxeram-me, porque, de mim mesma, nunca imaginei suficientes os meus versos, para merecimento de tão honrosas credenciais".

"Eis-me, portanto, aqui, Senhores, a primeira mulher que aqui entra, porque assim o quiseram os homens ilustrados desta agremiação, guardas fiéis de nossas tradições literárias".