domingo, 27 de maio de 2012

Maranharte Informa: Livro Os Tambores de São Luís deve virar filme


Livro Os Tambores de São Luís deve virar filme


O longa tem um orçamento previsto de R$ 12 milhões e está em fase de pré-produção e as filmagens serão em São Luís, Alcântara e Miranda do Norte.
O cineasta Flávio Leandro (RJ), 56 anos, pretende estrear a carreira como diretor de longas-metragens filmando uma adaptação da obra de Josué Montello: Os Tambores de São Luís. Concluído em 1974 e publicado em 1975, pela editora José Olympio, o romance completa 40 anos em 2014, data almejada para o lançamento do filme.
A pretendida superprodução tem orçamento previsto em R$ 12 milhões. Os trabalhos estão em fase de captação de recursos, segundo explica Elza Silveira, uma das integrantes da equipe de produção. É esperado que as filmagens ocorram em Miranda do Norte, Alcântara e São Luís.
Segundo Flávio Leandro, que é dono da produtora Movie Point Productions, o filme deve envolver um elenco de 250 atores e pelo menos 400 figurantes. A figuração deve ser feita exclusivamente por maranhenses, assim como 80% dos personagens da trama.
Diretor – O roteirista e diretor começou sua carreira cinematográfica em 1977 como boy de set do filme A Dama do Lotação, de Neville D’Almeida. Desde então, já participou de mais de 40 filmes, nacionais e internacionais, como assistente de produção, assistente de direção e diretor de produção. Flávio Leandro diz que, ao longo de 30 anos de carreira, trabalhou com alguns dos principais cineastas brasileiros, entre eles Nelson Pereira dos Santos, Roberto Farias, Cacá Diegues, Paulo César Saraceni e Oswaldo Caldeira. Entre as produções das quais conta ter participado, destacam-se Quilombo, Natal da Portela, Women in Fury, Delta Force Commando, Tiradentes e Navalha na carne.
Flávio Leandro já dirigiu seis filmes de curtas-metragens. Foi premiado nas duas vezes em que participou de concursos de roteiros. A primeira foi em 1994, no III Concurso Resgate do Cinema Brasileiro, do Ministério da Cultura (MinC), com Comportamento Humano; foi premiado ainda no Festival da Diáspora Africana, de Nova York, em 1995. Depois, em 2007, no Concurso de Roteiros da Riofilme, com o roteiro A Vênus da Lapa, baseado no conto Pomba Enamorada ou Uma História de Amor, de Lygia Fagundes Telles.
Em fevereiro de 2009 representou o Brasil em Burkina Faso, na África, na Mostra de Cineastas Negros da América Latina, durante o Panafrican Film and Television Festival of Ouagadougou (FESPACO). Participou das três edições do Encontro de Cinema Brasil, África, América e Caribe, realizados em novembro de 2007, 2008 e 2009, no Rio de Janeiro, com os filmes A Condição Humana e A Vênus da Lapa e com o documentário Duas Paisagens.

Abrindo o jogo - / Flávio Leandro

“Josué Montello mostra a essência do negro brasileiro”


O Estado – Por que escolheu adaptar o livro Os Tambores de São Luís para o cinema?
Flávio Leandro – O desejo de adaptar o romance para o cinema partiu do encantamento pelo enredo da trama, apresentado a mim ainda na década de 1990, por dois maranhenses. Em Os Tambores de São Luís, Josué Montello mostra a essência do negro brasileiro, na sua religiosidade e na sua luta pela redenção. Como negro, senti-me atraído pela trama, que evidencia muito da história da minha raça.
O Estado – Como adequar uma grande obra, com centenas de personagens, ao cinema?
Flávio Leandro – Os Tambores de São Luís é uma obra com mais de 400 personagens. É uma adaptação trabalhosa. O roteiro está sendo elaborado de modo a preservar a essência do romance. Para isso, precisamos ser fiéis aos tipos característicos que ilustram o livro. Damião, Benigna, Julião, Barão, Padre Tracajá, Santinha e Genoveva Pia são alguns dos personagens que precisam ser preservados. Há ainda um contingente de figuras que formam a nuance, a atmosfera da trama, do romance histórico. Por isso se trata de uma grande produção.
O Estado – Como o tema da obra será apropriado pelo cineasta?
Flávio Leandro – O livro dá maior enfoque à religiosidade negra. No filme, vamos dar maior atenção à luta pela liberdade, também presente na obra de Josué Montello. No entanto, vamos recuperar na dramaturgia a essência e a beleza dessa religiosidade. É isso que dá o tom do livro e é isso que falta às obras cinematográficas feitas até agora sobre a escravidão em nosso país.
O Estado – Quais os desafios físicos impostos à produção do filme?
Flávio Leandro – A matiz do romance é a cidade de São Luís e também as florestas, as matas. Na produção audiovisual, os cenários representados pelos casarões, ruas e ruelas serão filmados em São Luís e também em Alcântara. É um projeto dispendioso. Por isso, resolvi colocá-lo em prática nesse momento de minha vida, aos 56 anos, com família e carreira formadas.
O Estado – O senhor critica a falta de participação dos negros no cinema brasileiro. Na sua opinião, como os negros são representados nas produções de audiovisual?
Flávio Leandro – São poucos os diretores negros atuantes e retratando a história do negro brasileiro. O negro sempre foi belo. O que busco com o filme não é retratar a beleza do negro. Quero mostrar a luta e a coragem, que formam a essência da raça. Isso falta às dramaturgias que retratam os negros.

 
O romance


Os Tambores de São Luís é um romance em duas marchas. Numa delas, a acelerada, o escritor Josué Montello tenta retratar os vários ciclos da História do Maranhão. Na outra marcha, a mais lenta, é que transcorre o texto em si: uma história que conta a saga do negro e o seu martírio sob a escravidão no Brasil. É, portanto, um extraordinário romance humano, ao estilo de uma impressionante novela de mistério, que começa com um episódio imprevisto. Numa velha noite de 1915, quando São Luís ainda era iluminada a gás, o negro Damião, muito bem vestido, sai de casa para a casa da bisneta, do outro lado da cidade, para conhecer seu trineto, que acaba de nascer. Entra num botequim, e ali encontra, à luz do candeeiro, dois homens mortos: um negro com uma facada nas costas, e um branco, assassinado a pauladas. Mesmo com o coração apertado, diante daquelatragédia, resolve de manso para não servir de testemunha. Damião recomeça a sua caminhada à casa da bisneta e, durante o trajeto, os tambores que ressoam da Casa das Negras Minas, como na velocidade da luz, restituem-lhe as raízes africanas, a principio como escravo, depois como homem livre, na luta em favor dos outros pretos. (Texto: Manoel Santos Neto)


Texto e entrevista: Yane Botelho, Da Equipe do jornal  O Estado do Maranhão


terça-feira, 22 de maio de 2012

Maranharte Informa: Museu da Lingua Portuguesa e I Festival de Poesia do Papoético


Antigo Liceu Maranhense será restaurado para receber o Museu da Língua Portuguesa



O projeto, na esquina da Rua do Giz com a Rua Direita, em perímetro urbano considerado como Patrimônio Cultural da Unesco, será o segundo Museu da Língua Portuguesa no Brasil, visto que o primeiro está localizado no centenário prédio da Estação da Luz, no centro da capital paulista. A obra de restauração está orçada em R$ 22 milhões e ocupará os 1.800 metros quadrados do antigo Liceu Maranhense, edifício que está sendo restaurado desde o fim do ano passado, e terá um conteúdo muito semelhante ao Museu da Língua Portuguesa de São Paulo.  Segundo o diretor da Fundação Vale, Ricardo Piquet, é uma grande surpresa a proposta de trazer o Museu da Língua Portuguesa para São Luís. “Para nós da Vale, é uma honra e satisfação abraçar essa ideia, e fazer parte do restauro deste belíssimo prédio, que é um presente pelos 400 anos de São Luís. O Centro Histórico da capital maranhense possui a maior riqueza da América Latina e trazer o Museu da Língua Portuguesa valoriza muito a história da cidade. Hoje estamos chamando o museu de Museu da Língua Portuguesa, mas depois, quem sabe, poderíamos chamar apenas de Museu das Línguas, pelo fato de reunirmos todas as línguas que falamos aqui no Brasil”, declarou Piquet.  O projeto de restauração e adaptação arquitetônica do antigo prédio do Liceu Maranhense foi apresentado pela Vale e, durante a cerimônia, a Superintendente Regional do IPHAN, Kátia Bogéa, destacou que este projeto foi possível devido à criação da Lei de Incentivo à Leitura, cujo projeto é um grande desafio. “Nossa missão é cuidar do Patrimônio que fez de São Luís merecedor deste título nacionalmente. Esta obra é belíssima, porém será um trabalho árduo. Em 1889, quando o colégio se mudou para o prédio na esquina da Rua do Giz com a Rua Direita, possuía duas edificações e isso se tornou um desafio, pois tínhamos que transformar esses dois prédios em apenas um, e sem perder as características arquitetônicas. Portanto, agradeço aos parceiros e à UFMA por fazer parte deste brilhante projeto de restauração e, temos a certeza de que, até o final de setembro, entregaremos a primeira parte, e a outra até o final do ano,” afirmou Kátia. 


O Projeto Atlas Linguístico do Maranhão (ALiMA) terá a participação dos professores José de Ribamar Mendes Bezerra, Conceição de Maria de Araújo Ramos e Maria de Fátima Sopas Rocha, do Departamento de Letras da UFMA, que vão prestar assessoria linguística para o projeto, já que o objetivo de implantação do museu será para falar sobre a língua e seu contexto, bem como o seu uso, as contribuições que recebe de outras línguas. “Este é um trabalho linguístico que deve ter sua própria identidade. Queremos contribuir para sermos únicos, já que existe um outro museu em São Paulo, e que também fala da mesma língua portuguesa. Mas, no Maranhão, ela tem sua própria história desde a época da colonização, e esse é nosso objetivo, fazer a diferença”, explica a coordenadora Conceição Araújo.



O prédio, cedido pelo Governo do Estado do Maranhão, está passando por um minucioso trabalho de revitalização para abrigar o Museu da Língua Portuguesa do Maranhão. O projeto de restauro, bem como a implantação do museu, faz parte de um conjunto de ações patrocinadas pela Vale, para homenagear o quarto centenário de São Luís. O casarão, tombado pelo Governo Federal, além de ter abrigado o educandário, também foi sede da Empresa Maranhense de Pesquisas Agropecuárias, estando sem ocupação há mais de três décadas. 


Com o intuito de orientar o trabalho dos restauradores, foi realizada uma prospecção arquitetônica para identificar a formação histórica da edificação e as transformações e reformas pelas quais o prédio passou. Estudos arqueológicos revelam fortes indícios de que ele foi edificado no final do século XVIII e início do século XIX.A maioria das mil edificações da área é do período colonial e imperial brasileiro, possuindo características peculiares nas soluções arquitetônicas, sendo as obras do casarão, portanto, um passo positivo na revitalização de seu entorno. 


A instalação do projeto museográfico começará em seguida, estando a inauguração prevista para o fim de 2013.

Texto: Claudemir Sousa
Fonte: www.ufma.com




I Festival de Poesia do Papoético

Poemas classificados para a finalíssima do I Festival de Poesia do Papoético – Prêmio Maranhão Sobrinho:


Kissyan Castro/ Poética
Glenda Almeida Matos Moreira/ Arrudêia
Darlan Rodrigo Sbrana/ O lagarto e a serpente
Luciano Leite da Silva/ Spleen (ou Ossuário das coisas sonhadas)
Kátia Dias/ Eu comi Oswald de Andrade
Kaique Leonnes de Sousa Oliveira/ O gavião
Danyllo Santos Araújo/ Sumidouros
Plynio Thalison Alves Nava/ As lesmas
Johnny Sorato Martins Fernandes/ Gota d’água
Sílvio Henrique dos Santos Rayol/ Flor caída
José Rafael de Oliveira/ Bagagem
Joana Golin Alves/ Copo de chuva
Andréia do Nascimento Cavalcante/ Tarde de sábado
Wilka Sales de Barros/ A fome no jardim das delícias
Antonio José de Souza/ Sombra e luz
Elias Ricardo de Souza/ Paisagem vertigem
Patricia Brito Soares/ Ah quem me dera!
João Cobelo Foti/ Desencontro
César Borralho/ Alfama
Rodrigo Pereira/ Ante o espelho
André Rios/ Uma faca só lâmina



Segundo o jornalista Zema Ribeiro (em seu blog zemaribeiro.wordpress.com), alguns dos poemas acima listados estão sem intérprete para a final.  O que seria chance a poetas, atores e outros interessados em concorrer ao prêmio de melhor intérprete, que é desatrelado do de melhor poema. Interessados em geral devem fazer contato com a comissão organizadora: Paulo Melo Sousa ou Tairo Lisboa. A final do Festival de Poesia do Papoético acontece dia 31 de maio, 19h, no Teatro Alcione Nazaré, no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Praia Grande.




quarta-feira, 16 de maio de 2012

Caminho das Pedras: N° 04 Revista Pitomba


Evento: Lançamento da Revista Pitomba n°4
Local: Bar do Porto e Chico Discos, São Luís – MA
Editada por Bruno Azevêdo, Celso Borges e Reuben da Cunha Rocha.

pegamos a art no blog do Zema Ribeiro, mas não sabemos se é do mesmo.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Maranharte Informa: Ricardo Leão e José Ewerton Neto - Premiações


Maranhense Ricardo Leão é premiado pela Academia Brasileira de Letras



O livro Os atenienses, a invenção do cânone nacional, do professor, poeta e crítico literário maranhense Ricardo Leão, publicado no ano passado pela Ética Editora, foi o ganhador do Prêmio Literário ABL 2012, na categoria “Ensaio e Crítica Literária”. A informação, encaminhada oficialmente através de ofício assinado pela presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), Ana Maria Machado, foi recebida pelo escritor na última terça-feira, 8.

A obra é resultado de extensa pesquisa do autor sobre os literatos do maranhense que despontaram no século XIX - período áureo da literatura do Maranhão, época em que São Luís foi denominada “Atenas maranhense” - e projetaram-se na então Capital Federal, o Rio de Janeiro, entre os maiores expoentes da literatura nacional, por sua atuação destacada no jornalismo, na literatura e no teatro. Essa investigação científica resultou na tese de doutoramento de Ricardo Leão (nome literário de Ricardo André Ferreira Martins) em Teoria e História Literária pela Universidade de Campinas (Unicamp), em 2009.


 Acolhida pelo editor Adalberto Franklin, a obra foi publicada pela Ética Editora (Imperatriz, MA) e lançada em 2011 durante o Salão do Livro de Imperatriz (Salimp), evento em que o autor proferiu palestra e apresentou o livro, posteriormente lançado também em São Luís (MA).

 
 O júri que concedeu o prêmio ao livro de Ricardo Leão foi composto pelos acadêmicos Antônio Carlos Secchin (presidente e relator), Alfredo Bosi e Eduardo Portela. A indicação foi aprovada em sessão da ABL no dia 26 de abril. A entrega do prêmio, de R$ 50.000,00, será feita em sessão pública no salão nobre do Petit Trianon, sede da Academia Brasileira de Letras, no Rio Janeiro, às 17h do dia 19 de julho, quando se comemora os 115 anos de fundação da Academia.


 Manifestações — Nessa quinta-feira, 10, a notícia circulou e foi comentada na Rede Nordeste do Livro, Leitura e Literatura, parabenizando editor e autor pela conquista. De Salvador, o veterano editor e livreiro Tarcísio Pereira escreveu: “Parabéns é pouco! Essa conquista é um prêmio à sua garra e ao tino de editor. Hoje o mundo é plano. Não existem mais lugares distantes.. Quando o trabalho é feito com qualidade e capacidade editorial, ele aparece. [...] Esse é o começo.” A ex-diretora da Representação do Ministério da Cultura para o Nordeste, Tarciana Portella, presidente do Instituto Delta Zero, de Recife, que coordena eventos para definir a presença brasileira na Feira do Livro de Frankfurt de 2013, ocasião em que o Brasil será homenageado e enviará uma comitiva oficial de editores, escritores e livreiros, em mensagem a Adalberto Franklin, ressaltou: “Tá vendo porque eu estou insistindo em você estar conosco nesta mobilização da Feira de Frankfurt?”.


De São Luís, o poeta Nauro Machado - que já ganhou o Prêmio ABL na categoria Poesia - e sua mulher, a também escritora Arlete Nogueira, fizeram comentários altamente elogiosos à obra de Ricardo Leão e destacaram a importância da Ética Editora para o Maranhão. De Brasília, a poeta e atriz Lília Diniz, escreveu: “Parabéns. Imperatriz que ainda sai das páginas do horror explode em beleza e histórias bonitas pra contar”. O professor Marcos Matos, do curso de Comunicação do Campus da UFMA em Imperatriz, destacou: “Ricardo Leão, você enobrece nossa inteligência. Parabéns a você pelo labor acadêmico; ao Nauro, por ser o poeta que é, e à Ética Editora, do Adalberto Franklin, pela coragem de plantar sementes de flores em terra espinhenta”.


O AUTOR


 Ricardo Leão (Ricardo André Ferreira Martins) nasceu em São Luís (MA) em 1971. Na década de 1990, na capital maranhense, tomou parte em grupos literários, como o Poeme-SE, Curare e Carranca, quando publicou antologias e organizou eventos. Foi premiado em vários certames literários, entre os quais o Festival Maranhense de Poesia Falada e o Prêmio Literário “Gonçalves Dias”. Atuou em vários grupos literários e artísticos de São Paulo. É licenciado em Letras Português/Francês pela UFMA (1997); mestre em Letras pela UNESP (2000); doutor em Teoria e História Literária pela Unicamp (2009). É docente pesquisador do Programa Pós-Graduação, Mestrado em Letras (Literatura Comparada), e da Graduação em Letras da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI), Campus de Frederico Westphalen (RS). Publicou os seguintes livros: Simetria do parto (2000, poesia), Tradição e ruptura: a lírica moderna de Nauro Machado (2002, ensaio), Primeira lição de física (2009, poesia) e Os dentes alvos de Radamés (ficção, 2009).

Fonte: www.carloshermes.blogspot.com.br



José Ewerton Neto é reconhecido em concurso nacional de contos


Um dos mais premiados ficcionistas maranhenses, o escritor José Ewerton Neto recebeu menção honrosa na 23ª edição do Concurso de Contos Paulo Leminski, da Universidade de Toledo, no Paraná, realizado no mês de março, com o conto Pequeno dicionário de paixões cruzadas. O contista, que também tem novelas, romances e poesias publicados, coleciona pelo menos 10 prêmios e está entre os escritores locais que mais alcançaram reconhecimento nacional.
Essa é a segunda vez que José Ewerton Neto recebe menção honrosa no concurso. A primeira vez foi em 2004, com o conto Volte ao meu romance, publicado na terceira coletânea dos melhores contos da competição.


O autor:

José Ewerton Neto, ocupante da Cadeira 11 da Academia Maranhense de Letras, natural da cidade de Guimarães (MA), morou no Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia. Formado em Engenharia Metalúrgica pela Universidade Federal Fluminense, no Rio de Janeiro, é Pós-Graduado em Letras e Literatura pela Faculdade Atenas Maranhense (FAMA), e em Jornalismo Cultural pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Na literatura atua como poeta, prosador e cronista maranhense. Seus livros foram premiados e publicados em diversos órgãos do Maranhão.



Opinião de Pedra: José Neres


SONIA ALMEIDA: A ALEGÓRICA PENUMBRA DA PALAVRA


José Neres


      A luta com a palavra é algo constante, seja para quem utiliza as diversas linguagens apenas com o intuito de comunicar-se no dia a dia, seja para quem faz da palavra seu objeto de estudo e/ou de trabalho. De modo geral, as pessoas não dão tanta  atenção ao poder que emana das palavras e acreditam que comunicar é a única função que interessa na lide diária com os vocábulos. Mas não é bem assim! Quem faz da palavra sua fonte de trabalho, dores ou prazeres sabe que por trás de cada palavra pode se esconder um universo de significações, um mundo de ramificações que não se esgotam na troca cotidiana de informações. A palavra pode ferir, mas também tem poder de curar. Exalta, mas também intimida. Palavra é vida, é sangue, é abstração, é realidade... é sonho...


      E é dentro dessa atmosfera de limite entre o sonho e a realidade, entre o concreto e o abstrato que se situa o poeta, o ser que tenta tirar das palavras o fluido vital para tentar inocular nas demais pessoas tanto as belezas da vida quanto as agruras e os sofrimentos dos demais seres que nem sempre estão preparados para conviver com o universo das metáforas. O poeta nem sempre tem consciência de que, ao pôr os signos no papel ou na tela de um computador, pode alterar para sempre a percepção de mundo de todos os que virão ler ou ouvir aqueles versos. Por isso as palavras são, além de fonte de prazer é uma ameaça constante  ao poder constituído e forma de transgressão das possibilidades apenas racionais.


      Sonia Almeida, membro da Academia Maranhense de Letras e uma das homenageadas na V Feira do Livro de São Luís, é uma dessas pessoas que todos os dias tenta extrair do cerne das palavras a razão de toda uma existência. Seja como professora de Língua Portuguesa, seja como pesquisadora da linguagem ou como poetisa, ela todos os dias navega nas águas nem sempre calmas das palavras e luta para fixar no papel aquilo que parece tão claro e simples na imaginação. Desde seu primeiro trabalho publicado – Alegorias –, quando a escritora ensaiava seus primeiros passos rumo a uma produção mais madura, Sonia Almeida já demonstrava que a palavra seria seu maior desafio e sua proteção ao mesmo tempo. Já em seu primeiro trabalho, Sônia Almeidachama a atenção para as palavras.



É a palavra que me faz querer.

Hoje escolho a primeira: viagem.

Vou várias vezes. Vestida  de palavras sou agora, de forma incontrolável, esse balão que some nas nuves.

Nua de mim mesma, desapareço para me encontrar.



      Anos depois da estreia, ao publicar Penumbra, livro que foi recebido com grande entusiasmo por Josué Montello, a poetisa, em pleno domínio da linguagem poética, deixava claro que escrever é uma forma de usufruir uma liberdade que ultrapassa os limites corpóreos e alcança a dimensão do inefável. No primeiro poema do livro, o eu lírico diz:



Coloco a palavra na asa do poema

e faço o que mais quero:

vou na asa das palavras,

voo na alma do verso

e, sempre, que preciso,

futuro nas (a)venturas do signo.



      Mas essa relação da palavra com a libertada não se limita ao poema de abertura do livro. Ela permeia o livro, atravessando todo o trabalho como se fosse uma linha invisível a ligar versos e idéias. No poema Libertação, a recorrência de um dístico marca o ritmo dessa interação entre o uso das palavras e o desejo de liberdade.



Lá vem a palavra

Arrastando mais uma liberdade.



Consciente de que o ato de escrever é fruto não só da imaginação, mas também de intensas leituras de autores modelares que são absorvidos ao longo dos anos de contato com os livros, Sonia Almeida faz uma grande homenagem àqueles que sedimentaram seu caminho rumo a uma formação letrada. Desse modo, o poema R(d)eferência é muito mais do que um amontoado de nomes de escritores de títulos de livros, torna-se uma espécie de guia de leitura para quem também deseje mergulhar na mais genuínas águas literárias.


Em Palavra Cadente, livro prefaciado por Lygia Bojunga Nunes, a escritora continua envolvida com a metalinguagem, porém de forma mais contida. Contudo a relação com a palavra continua como um imperativo dos versos. Metaforizando a imagem da lua como reflexo do próprio ser humano que se metamorfoseia ao longo de seus ciclos e, em suas constantes mudanças, interfere na própria natureza, a autora trabalha constante jogos de palavras, com alterações sutis na forma que demandam imensas alterações no significados das palavras. Na leitura de diversos poemas, pesquisadora da Língua não consegue se esconder por trás da poetisa. Uma voz sempre alerta às questões vernaculares aproveita-se da poesia para trabalhar tanto a essência metafórica dos versos quanto as relações semânticas que se alteram com breves permutas de fonemas, como no poema abaixo.


A estrela esclarece

quem vem de encontro,

quem vem ao encontro,

de encontro a mim.



a estrela esclarece

quem vem ao encanto,

vindo contra mim;



quem vem de encontro,

quem vem ao encontro,

quem vem ao encanto,

quem vem contra mim.



A palavra esclarece.



            Em outros poemas a relação palavra-vida toma ares de essência vital para a existência do Ser. Não se entrega ao leitor/ouvinte apenas os versos impressos em uma página. Entrega-se um pouco de quem pôs nas palavras o transpor das emoções para o papel,  como pode ser visto em um dos últimos poemas do livro.


 
E eu me entrego no verso

quando o meu verso lhe entrego,

porque a palavra é feita dessa vida

mas o que eu faço é uma vida de palavra.

(...)

Porque se eu quiser morrer,

o meu desejo é feito de palavra.

Se eu quiser viver, basta querer

E a palavra faz.



            Em Há Fogo no Jogo, os elementos lúdicos do início do livro são aos poucos substituídos por vigorosas imagens que podem até mesmo confundir o leitor menos atento. O trabalho com a linguagem novamente deixa entrever, pelas frestas dos versos, a professora de Língua Portuguesa em constante trabalho com as armadilhas do idioma. As figuras de linguagem se multiplicam nas páginas e convidam a uma reflexão mais apurada. O leitor tem que ler os versos e também concentrar-se nos aparentes vazios textuais, afinal:



O silêncio é o calar, mas nem sempre o não-dizer.

Da mesma forma que a cinza pode estar quente,

o gelo pode queimar.



Sonia Almeida trabalha em todos os seus livros uma grande alegoria do Ser ou pelo menos da busca do Ser. E essa busca passa não apenas pelo sentir, mas também pelo dizer, pelo pôr no papel as alegrias e angústias do dia a dia. Na obra dessa autora, o crepitar do fogo e das chamas não se perde, ele ilumina palavra cadentes e tira da penumbra o vazio da existência humana.

Para Sonia Almeida, a palavra e o poeta estão imbricados e formam um todo que pode até se esfacelar, mas que não se perde. Como ela mesma declara:



Sob a tutela da palavra,

O poeta se livra.

Sob a condição da palavra

O poeta se escraviza...

Sob o jugo do verso, o poeta se faz.

Sob a servidão do verbo, o poeta é.


fonte: http://joseneres.blogspot.com