sexta-feira, 27 de julho de 2012

Maranharte Divulga: Quatro 400 e Crônicas de 400



As obras Quatro 400, e Crônicas de 400 mostram diferentes aspectos de São Luís, abordando desde problemas até uma análise histórica da cidade.


A beleza e história de São Luís inspiram escritores há vários séculos. No ano do quarto centenário, diferentes aspectos, como históricos e culturais e comportamento social, são temas em evidência. Hoje, na programação cultural da 64ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), no espaço Café Literário da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), será lançada às 18h, a obra Quatro 400, de autoria da escritora e atriz Renata Ievins, formada no Centro de Artes Cênicas do Maranhão (Cacem), licenciada em História pela UFMA e pós-graduada em Gestão Cultural pelo Senac (RJ). O livro é uma peça que tem o personagem Pedro como protagonista: um garoto que perdeu a mãe em um acidente e atribui a culpa de sua morte ao socorro tardio oferecido em São Luís.


O livro conta a trajetória de Pedro, que passa a odiar a cidade e tem que enfrentar o desafio de escrever uma redação sobre os 400 anos da capital maranhense como atividade escolar. O garoto permanece em um impasse, até que um dia recebe uma misteriosa visita disposta a lhe mostrar o lado bom de São Luís. “A intenção é levar o discurso de que muita coisa seria melhor se nós agíssemos de forma diferente”, diz a autora, que apresentará o livro com leitura dramática.


De acordo com Renata Ievins, o livro tem a intenção de incitar a consciência crítica sobre o que é público na capital maranhense. "As pessoas estão sempre exigindo atitude dos governantes, mas vão para as praias e deixam lixo, agindo com se aquilo não fosse seu", explica Ievins.


Crônicas - Com previsão de lançamento para setembro, outra produção chama atenção pela análise romanceada da cidade. Trata-se da obra Crônicas de 400, do escritor, professor aposentado da UFMA e membro da Academia Caxiense de Letras, Antônio Augusto Ribeiro Brandão. A obra, que será publicada pela Editora da UFMA (EDUFMA), tem 202 páginas, as quais trazem 27 crônicas, divididas por temáticas, com enfoque em esportes, cidadania, história, passado, personagens, viagens e vida familiar.


Escrito em português e francês, o livro será lançado também na França, por intermédio do Instituto de Altos Estudos da América Latina - IHEAL (Biblioteca Pierre Monbeig), ligado à Université Sorbonne Nouvelle, em Paris, na última semana de setembro. “Esta obra é uma homenagem a São Luís e aos franceses que a fundaram. Reafirmo o estilo narrativo existente desde os tempos de Claude d´Abbeville e Yves d´Évreux, cronistas pioneiros do cotidiano da cidade”, explica.


Crônicas de 400 / Chroniques de 400 ans tem apresentação e revisão geral português-francês do advogado, escritor e crítico literário Cadmo Soares Gomes, que é maranhense e professor da Unieuro, em Brasília. A obra traz aspectos da fundação e movimentos que se seguiram após a fundação de São Luís, com personagens e fatos significativos. Antônio Augusto Ribeiro Brandão é maranhense de Caxias, pós-graduado em Administração Contábil e Financeira e escritor membro também da 1ª diretoria da Federação das Academias de Letras do Maranhão. Na Universidade Estadual do Maranhão (Uema) e na UFMA, de 1968 até 1997, ele lecionou Teoria Econômica, Mercado de Capitais e Economia Monetária e ocupou cargos de direção e chefia nas áreas federal, estadual e municipal.


• Livro/lançamento : Quatro 400, livro de Renata Ievins

• Quando: Hoje, às 18h

• Onde: Espaço Café Literário, na ExpoT&C, na UFMA

• Preço: R$ 10,00



Fonte: Jornal O Estado do MA



quarta-feira, 25 de julho de 2012

Maranharte Prestigia: 64ª SBPC



O Maranharte parabeniza os discentes, docentes, pesquisadores e escritos que estão apresentando suas pesquisas sobre a linguagem, a literatura, a cultura maranhense na 64ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC realizada na Universidade Federal do Maranhã entre os dias 22 e 27 de julho.



Sessão de Pôsteres
(SEEDUC) - O ENGAJAMENTO POLÍTICO-SOCIAL NA POESIA DE FERREIRA GULLAR – UMA FACETA DO POETA MARANHENSE - Rebello, I. da S.; Lopes, E. da C.

(UFMA) - A INDETERMINAÇÃO DO SUJEITO NO NORTE E NO OESTE MARANHENSE - Barbosa, A. B.; Ramos, C. de M. de A.

(UFMA) - A METÁFORA NO DISCURSO ESPECIALIZADO DA CANADE-AÇÚCAR DO MARANHÃO: UM RECORTE EPISTEMOLÓGICOSerra, L. H.; Bezerra, J. de R. M.

(UFMA) - A QUEDA DAS ÁTONAS FINAIS EM PROPAROXÍTONOS: A APÓCOPE NO FALAR MARANHENSE - Santana, A. P.; Bezerra, J. de R. M.

(UFMA) - São Luís do Maranhão, única capital brasileira fundada por franceses: um estudo sobre a reatualização da memória de identidades - Costa, D. N. A. D.; Cutrim, I. do S. G.

(UFMA) - PERAMBULANDO PELOS FESTINS DA VIDA: FESTA RELIGIOSA E COMPORTAMENTO SOCIAL EM SÃO LUÍS (1850-1910) - Ataide, N. S. S. V.; Moreno, S. A. G.

(UFMA) - CONTOS E ENCANTOS: RELATO DE EXPERIÊNCIA DA OFICINA DE LEITURAÇÃO E INTERPRETAÇÃO TEXTUAL EM UMA ESCOLA DA ZONA RURAL DE SÃO LUÍS. - Salazar, J. W. R.; Dublante, C. A. S.

(UFMA) - NO VAGÃO DO TEMPO: A HISTÓRIA ORAL NA CONSTRUÇÃO DAS IDENTIDADES ETNICAS NOS QUILOMBOS DE ITAMATATIUA E CAJUEIRO EM ALCÂNTARA - MA - Carvalho, H. de S.; Rodrigues, M. dos R. D.; Lima, M. S.

(UFMA) - O APORTE DA LEITURA E ESCRITA PARA O PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DE ALUN@S CRÍTICOS: UM ESTUDO DESSA TEMÁTICA NO CENTRO DE ENSINO Y BACANGA EM SÃO LUÍS – MA - Moreira, I. M. A.; Melo, J. C. de

(UEMA) - A LEITURA LITERÁRIA NO ENSINO FUNDAMENTAL: DIÁLOGOS COM MÚLTIPLAS LINGUAGENS - Nunes, V. R. de S.; Oliveira, R. do N.; Carvalho, D. B. A. de.

(UFMA) - ADEQUAÇÕES DE NATUREZA FONÉTICO-FONOLÓGICA MANIFESTADAS POR FALANTES DA CAPITAL MARANHENSE DIANTE DE PRENOMES IMPORTADOS DA LÍNGUA INGLESA - Souza, S. M. L. S. de; Massini-Cagliari, G.

(UFMA) - O PROBLEMA DO MITO NA “FUNDAÇÃO DA CIDADE DE SÃO LUÍS” - Souza Filho, J. C. de; Oliveira, R. de C.

(UFMA) - A CONSTRUÇÃO DISCURSIVA DAS IDENTIDADES QUILOMBOLAS EM JAMARY DOS PRETOS – TURIAÇU-MA - Sousa, C.; Cutrim, I. G.

(UFMA) - A MEMÓRIA SOCIAL INSCRITA NOS BECOS DE SÃO LUÍS - SOUZA, J. de M. de; SANTOS, A. da C. dos; SILVA, T. D. B. E.

(UEMA) - MONOTONGAÇÃO E ROTACISMO: PROCESSOS FONOLÓGICOS NA FALA DA COMUNIDADE QUILOMBOLA DE CIPOAL DOS PRETOS - Silva, M. S.; Sousa, J. H. B.
(UFMA) - O Calor do Tambor: Análise do discurso das cantigas e toadas do Tambor de Crioula de São Luís no Maranhão - Nogueira, T. V. A. dos S.; Ferretti, S. F.

(UFMA) - O TABU LINGUÍSTICO: A LEXIA DO DIABO NO FALAR DOS MUNICÍPIOS DE PINHERO E ALTO PARNAÍBA - Araújo, B. M.; Cardoso, L. P.; Rolim, T. L.; Ramos, C. de M. de A.

(UFMA) - A alegoria carnavalesca nos Grupos de Acesso do carnaval carioca: técnicas, significados e resignificações. - Ferreira, A. E. A.

(UFMA) - OS NOVOS ATENIENSES: APROPRIAÇÃO DO IMAGINÁRIO DA ATENAS BRASILEIRA NA PRIMEIRA REPÚBLICA - Rocha, A. G. da; Nascimento, D. do.

(UFMA) - LENDAS DO MARANHÃO / IMAGINÁRIO POPULAR UTILIZADAS NO ENSINO DE HISTÓRIA EM ESCOLAS PÚBLICAS - Martins, R. C.; Silva, J. V. A.; Mota, A. da S.

(UFMA) - A VIRTUDE, A CONSCIÊNCIA E A DECADÊNCIA NO SER NEGRO NO ROMANCE ÚRSULA, DE MARIA FIRMINA DOS REIS - Pereira, P. V.; Cavalcante, J. D. C.

(UFMA) - “NÓS/A GENTE” OU “A GENTE” EM VEZ DE “NÓS”? UM ESTUDO DA ALTERNÂNCIA PRONOMINAL DO PORTUGUÊS DO MARANHÃO - Ferreira, C. M.; Ramos, C. de M. de A.

(UFMA) - A CONSTRUÇÃO DISCURSIVA DA CAPITAL BRASILEIRA DA FESTA DO BUMBA-MEU-BOI EM SITES DE TURISMO - Nascimento, P. R. M. do; Cruz, M. da S.

(UFMA) - A NOTÍCIA NOS ENTORNOS DA CIDADE: LEITURA DE JORNAIS COMO MECANISMO DE PRODUÇÃO TEXTUAL - Silva, C. N. L.; Cutrim, I. G.; Cruz, M. S.

(UEMA) - CONTATO DIALETAL: A FALA RURAL E O ESTABELECIMENTO DE UMA VARIEDADE URBANA EM IMPERATRIZ-MA - Sá, O. de S.; Gomes, C. A.

(UFMA) - UM ESTUDO SEMÂNTICO-LEXICAL DA JUÇARA, NO DISTRITO DE MARACANÃ – MA - Morais, A. C. G.; Silva, M. N. C. d.



PROGRAMAÇÃO SBPC jovem

Oficina .

Narrando, encanta ndo econhecendo escritores maranhenses.
Ministrantes: Claudinete da Conceição Araújo, Lucidalva Mendes Baldez, Raquel Oliveira Dourado, Vanessa Santos Martins, Heloísa Cardoso Varão Santos. UEMA.

LIVRO ABERTO: “Os quatrocentos Anos de São Luís: uma declaração de amor em verso”
 Ministrantes: Núcleo de Educação Ambiental


Palestras.

São Luís – Patrimônio da Humanidade.
Ministrante: Unidade de Educação Básica Antônio Lopes


Projeto Gonçalves Dias em cena: uma prática teatral focada nas relações de gênero.
Palestrante: José Carlos Lima Costa. UFMA



site oficial com toda a programação da SBPC:  http://www.sbpcnet.org.br/saoluis/home/



terça-feira, 24 de julho de 2012

Maranharte Divulga: ilhavirtualpontocom N° 15


Chegamos ao décimo quinto númro de nosso infromativo virtual. Neste número você terá:
1) Entrevista com o professor e escritor Marcos Fábio Belo Matos
2) Sonetos de Abmael Lopes
3) Homenagem a Antônio Martins de Araújo
4) Poesia de Rosemary Rêgo
5) Artigo de José Neres

ILHAVIRTUALPONTOCOM Nº 15 

 

 

 

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Caminho das Pedras: romance Pítia, de José Oliveira Filho




O futuro pode mudar a inimagináveis segundos... Poderia um desastre de avião mudar a vida de uma família? De um dia para o outro, os anos de conquistas e fracassos se tornam meros detalhes na vida científica da renomada Juliana e uma ilha misteriosa e desconhecida da humanidade surge em sua vida como uma ironia do destino. Nesse novo lugar, onde a realidade e a imaginação se confrontam, a bela Juliana descobre um estranho dom que pode ser perigoso e útil em uma terra onde o futuro é jogado e definido pela soberana do mal, Lady Morgan. A pequena família descobre as interfaces do futuro em meio a um mundo novo em que dois desejos movem tudo, o desejo de conquista e de libertação. E uma nova paixão pode dar rumos aos acontecimentos. 


Publicado pela Editora Biblioteca 24 Horas o romance Pítia do escritor (e também biólogo) maranhense José Oliveira Filho  é,  na definição do seu autor;  “ uma aventura transtemporal em que presente e futuro se entrelaçam perigosamente e cuja inspiração mais sutil baseia-se na mitologia grega” . A fantasia é escrita pelo maranhense desde os 12 anos de idade, mas somente agora, aos 21, o autor apresenta a história ao público.



Maranharte Informa: Prêmio SESC de Literatura


Prêmio Sesc de Literatura está com inscrições abertas





Autores iniciantes com obras produzidas ou sendo produzidas, mas ainda não publicadas, têm a oportunidade de terem reconhecida a sua literatura. O Prêmio Sesc de Literatura 2012/2013 está com as inscrições abertas, gratuitamente, até o dia 30 de setembro. Os inscritos devem ter a partir de 18 anos,  residentes no Brasil e escrever em língua portuguesa. As obras podem ser inscritas em duas categorias: romance, contendo de 130 a 400 páginas; e com 70 a 200 p. , caso seja livro de conto. As obras somente poderão ser enviadas aos Departamentos Regionais do SESC do Estado de residência do candidato. As obras enviadas a unidades de outro Estado serão automaticamente desclassificadas.

Mais informações: http://www.sesc.com.br/premiosesc/index.html





quarta-feira, 18 de julho de 2012

Maranharte: Literatura Maranhense





Opinião de Pedra: Jomar Moraes


Duas Evocações

Jomar Moraes



De um dia exatamente como o de hoje, 11 de julho, porém correndo o emblemático ano 1922, comemorativo do I Centenário da Independência Nacional, dois acontecimentos serão aqui evocados, dentre dezenas, talvez centenas que poderiam sê-lo, mas dos quais não guardo memória. E até me arrisco a assegurar que terão sido esses dois eventos, produzidos em duas cidades maranhenses, os mais notórios deste dia naquele ano, para a vida cultural desta nossa província literária, ainda quem sabe, talvez. Sendo esses dois acontecimentos de natureza diametralmente oposta, porque um, auspicioso e outro, lutuoso, gestaram eles o duplo efeito de fazeremdo 11 de julho de 1922 uma data alegre e triste ao mesmo tempo. E isso independentemente do ângulo a partir ao qual os vejamos. Serão sempre, no ponto evocado, e para nossos sentimentos de bons maranhenses, uma data simultaneamente fasta e nefasta.


Vamos então a ela, começando pela primeira, que de bom aviso é sempre dar passagem primeiramente à alegria. E vem ela trombeteada pelo nascimento, em Caxias, de Lucy de Jesus Teixeira, não por mero acaso vinda ao mundo meses depois que explodira em São Paulo, em fevereiro, como o segundo e altissonante brado do Ipiranga, que ainda hoje ecoa, e a partir do qual a cultura brasileira não seria jamais a mesma.


Prenunciando as conturbações cataclísmicas prestes a manifestar-se na Semana de Arte Moderna, São Paulo foi ligeiramente abalada por um terremoto de verdade, porém tão pouco severo, que causou bem menores estragos do que a Semana, vendaval que aluiu, avariou e destruiu cunhais, coruchéus, colunatas e entablamentos da esgotada arquitetura parnasiana, em volta da qual até algumas figuras proeminentes do modernismo fizeram seu batismo literário, os dois grandes Andrades (não parentes nem aderentes, saibam os desinformados), Mário e Oswald, nesse rol incluídos. O palpitante assunto, a despeito da vasta bibliografia que já produziu, continua oferecendo motivo para bons livros, a exemplo do relato jornalístico de Marcos Augusto Gonçalves, intitulado “1922; a semana que não terminou”, editado neste ano pela Companhia de Letras.


Voltemos ao assunto de que já me desviei bastante, influenciado pela empolgação que ele me desperta. Antes, porém, seja-me permitido lembrar que a Semana de Arte Moderna foi um movimento tão surpreendente, incompreendido e atordoante, que até mesmo Graça Aranha, tido e havido por seu corifeu, entrou nesse imbróglio um tanto desnorteado, ensejando as referências desairosas que a seu respeito fez Mário de Andrade na célebre conferência acerca do movimento, proferida em abril de 1942.


Lucy, lúcida e lucilante, nasceu provida das antenas da raça, antenas que Ezra Pound afirmou que os artistas são. Havendo feito sua formação superior em Minas Gerais, ali estabeleceu contato com uma geração brilhante na qual se contavam Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos, Murilo Rubião e Fernando Sabino. De volta a São Luís, sacudiu a modorra provinciana, que aqui repousava nos brilharecos de uns alexandrinos hirtos, cesurados por hemistíquios muitas vezes artificiais, a que punham termo uma efetiva ou suposta chave de ouro.


Lucy, a talentosa e inovadora cronista Maria Karla, de “O Imparcial”, impactou a vidinha literária da São Luís dos anos 50 do século passado, fundado o Movimento Antquentismo de repúdio ao Sentimento Fácil em Poesia. Depois, aproveitando uma bolsa que lhe custearia uma viagem de estudos à Europa, por lá permaneceu durante largo tempo. Foi adida cultural do Brasil na Bélgica, na Espanha e na Itália, onde mais se demorou. De volta ao Brasil e a seu Maranhão natal, fez-se mais ainda de sua terra, ingressando na Academia Maranhense de letras, onde, solenemente empossada a 28 de julho de 1979, foi saudada pelo acadêmico José Sarney, seu amigo e contemporâneo de vida literária.


Lucy, jornalista, dona de admirável cultura geral e literária, importante poetisa e vigorosa prosadora, não foi autora prolífica. Afora originais que permanecem inéditos e reclamam publicação, deixou, como livros principais: “Elegia fundamental” e “Primeiro palimpsesto”.Este,um poema muito mal editado, reconhecimento que faço sem ofender a ninguém, pois fui eu o mau editor dessa pequena-grande obra literária digna de mais digno tratamento editorial.


Na prosa, Lucy publicou os contos de “No tempo dos alamares & outros sortilégios” e o romance “Um destino provisório”, ambos pela Editora Revan, do Rio de Janeiro, lançados em 1999 e 2001, respectivamente.


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Luís Antônio Domingos da Silva, maranhense de Turiaçu, onde nasceu a 11 de junho de 1862, faleceu, segundo já dito, no dia de hoje do ano de 1922, contando 60 anos de idade.


Espirito visceralmente talhado para a militância política, foi um brilhante parlamentar. Eleito e reeleito consecutivamente para a Câmara dos Deputados, desde a primeira legislatura republicana, instaurada em 1891, exerceu sete mandatos consecutivos ali, até que, eleito governador do Estado, veio exercer esse cargo no quadriênio 1910-14.


O versátil e brilhante tribuno que até então se impusera ao respeito e admiração na capital da República, tinha agora um grande e ainda não enfrentado desafio: reanimar, revigorar as esquálidas economias do Estado, cujo Tesouro há tempos não dispunha de capacidade para prover os mínimos recursos com quemanter em funcionamento a máquina do Estado.


Nesse ponto, o seguro conhecedor da língua portuguesa, hábil esgrimista do estilo posto a serviço da eloquência, virtude que haviam construído e consagrado o tribuno admirável, foi instado a demonstrar, sem mais delongas, uma competência ainda não comprovada. E urgia adotar providências capazes de reverter a caótica situação encontrada, e que depois de superá-la com o conjunto de medidas saneadoras posta em prática, assim o governador rememorou no opúsculo intitulado “Dois anos de governo”:


“Ainda conservam todos com a angústia e o vexame do espetáculo, a lembrança da romaria de funcionários e mais credores do Estado, que, desalentada, saía diariamente do Tesouro e, desalentada, voltava de Palácio, em súplica de pagamento. Os funcionários, perdido o crédito com o atraso do pagamento anos e anos, ou se resignavam a recebê-lo em apólices depreciadas mais de 50%, e até em estampilhas, ou procuravam, na venda dos vencimentos até por menos de metade, ou em variadas agências, os meios de subsistência; e aos credores, mal lhes continha a educação as expansões contra o pedido de paciência.”


Embora havendo elevado a arrecadação do Estado, com o maior rigor na cobrança de tributos, o estado de inanição de nossa economia obrigou o Governo a fazer, com o prestígio de seu titular, o primeiro empréstimo externo, no valor de 20 milhões de francos, operação realizada junto ao Banco Francês-Argentino. Essas e outras medidas extremas renderam-lhe desgostos e acusações insultuosas que precisou repelir com altivez e no tom cortante de seu sarcasmo ferino e inteligente. As intrigas e futricas fizeram o que restava para pôr em situação de confronto deputados e o governador.


Este, quando chegou o momento de apresentar ao Legislativo a mensagem que é dever do Executivo enviar à chamada Casa do Povo, não o fez por seu secretário de Governo, como de praxe. Fez questão Luís Domingues de levá-la pessoalmente à Assembleia e, olhando nos olhos dos congressistas, dirigiu-lhes a palavra, nesta saudação em que propositadamente escandiu as sílabas do adjetivo final: “Senhores membros deste Congresso OR-DI-NÁ-RIO! E por aí foi.


Fez um governo realmente profícuo e não submeteu à tutela do chefão Urbano Santos, um dos motivos da política de campanário que sofreu.


Apesar disso tudo, ao deixar o governo conseguiu eleger-se deputado federal, integrando nossa representação nas nona, décima e décima primeira legislaturas. A última, cumprida parcialmente, por motivo da grave moléstiade que foi vítima, e que o obrigou a regressar ao Maranhão, onde faleceu.



Fonte: http://www.academiamaranhense.org.br



segunda-feira, 9 de julho de 2012

Opinião de Pedra: Ricardo Leão


Entrevista de Ricardo Leão a Ivan Pessoa (Poeta, Ensaísta e Professor de Filosofia) publicado no Suplemento Guesa Errante, do Jornal Pequeno



Antes de qualquer coisa é necessário agradecer a colaboração de três pessoas: Ricardo Leão, que educadamente e ainda que, com inúmeros compromissos se dispôs a nos ajudar com tal entrevista; a minha noiva Glaucia Lindoso, por ter me sugerido de um modo pontual, a orientação a ser seguida no encaminhamento das perguntas, e por fim, Antônio Aílton por ter participado ativamente na edição da matéria. Ademais, outro nome a ser citado, digno dos maiores agradecimentos, é o do Professor Alberico Carneiro, que por motivos óbvios, presta um favor inestimável à cidade de São Luís, comungando da fé daqueles que ainda acreditam no poder redentor da arte, em suas mais variadas expressões. Feitas as devidas considerações é que eu, em nome do Guesa Errante e de todos aqueles que creem no potencial intelectual de nossa terra, tenho o prazer de tornar público, o até então inédito contato com Ricardo Leão, vencedor do Prêmio de Ensaio e Crítica Literária (2012), concedido pela Academia Brasileira de Letras à obra: Os Atenienses, a invenção do cânone nacional. A comissão julgadora composta por Alfredo Bosi, Antônio Carlos Secchin e Eduardo Portella, argumentou que o livro - resultado de uma tese de doutorado - por meio de fontes primárias e extensa bibliografia, vincula a origem do cânone nacional com a expressiva literatura maranhense do século XIX. Mais uma vez, parabéns Ricardo Leão.
 
Ivan Pessoa: Às vésperas de completar 400 anos, a cidade de São Luís, conhecida por suas escaramuças políticas, se vê ainda às voltas com problemas já superados por países do terceiro-mundo, o que a põe, por vezes, no limiar da extrema pobreza. Somado a isso eis que surge: o analfabetismo, o aumento da criminalidade e a desesperança. Desse modo a questão mais importante é aquela que nos inquieta interiormente: é possível haver mudança sem uma efetiva vida cultural e um determinado espírito criador?

Ricardo Leão: Costumo dizer, principalmente para meus alunos, que não há salvação fora da educação. Fora da educação e da cultura, só há barbárie e atraso. O analfabetismo, inclusive o funcional, é apenas um dos muitos sintomas do atraso, da barbárie e da extrema pobreza. Para o azar de nós, maranhenses, nosso estado vem sendo mantido à margem da prosperidade e do desenvolvimento que grassa pela maioria dos estados brasileiros, e isso não se deve somente à indolência, à incapacidade e à pantagruélica corrupção de nossos líderes e governantes; deve-se, sobretudo, à inércia e à inaptidão de nosso povo tomar as rédeas de seu próprio destino, satisfazendo-se, no lugar de progresso e desenvolvimento em todos os setores, em festas sobre festas, em um delírio dionisíaco cujo único objetivo é a completa anestesia diante do caos, do absurdo sem precedentes, e da miséria, além da embriaguez para sufocar e afogar o horror diante de nossos indicadores sociais escabrosos, e de nossos atrasos e descompassos ululantes. Já uma amiga poeta (Jorgeana Braga) me disse recentemente que o Maranhão não existe mais. É possível, uma vez que nossa alta cultura e nossa cultura popular vêm sendo desmanteladas em função de interesses, os mais espúrios e nefastos possíveis, através de discursos reacionários (um oximoro político) de nossa esquerda aloprada, coadjuvada também pelo apetite insaciável de verbas públicas de nossas oligarquias vampirescas, nutridas pelos desdentados e descamisados de nosso povo, que não conseguem enxergar o oceano de ignomínias que todos os dias nos cerca de imundícies, doenças e morte. Não posso crer no que vejo a todo o momento em minha terra, mas o Maranhão tem ares de Macondo, de um país ou terra do nunca, um lugar onde o tempo parou e a modernidade, no sentido iluminista da palavra, sequer existe. Talvez estejamos pagando o ônus, quiçá o carma, de termos sido o estado mais escravista do país. Talvez amarguemos o atraso porque jamais seremos capazes de prover aos nossos cidadãos, sobretudo os afrodescendentes (ampla maioria de nossa população), a justiça e os privilégios que teimamos em conceder somente aos que vêm ao Maranhão para roubar a inocência e as riquezas de nossa terra, dilapidada em tudo, até em sua cultura. Não vejo outra salvação para o Maranhão senão a revolução, que tem que partir, em especial, de sua pujante e pungente cultura, de seu povo festeiro, mas que precisa acordar do secular sono da miséria e da decadência em que estamos imersos desde que esquecemos que já fomos um dos principais estados e forças políticas desse país. É hora do maranhense recuperar o orgulho e despertar a consciência para depor os seus algozes e déspotas.

Ivan Pessoa: No que diz respeito ao cânone nacional, pontualmente esmiuçado em sua obra como proveniente do romantismo oitocentista e a ênfase de Herder quanto à compreensão orgânica de cultura, qual teria sido, em linhas gerais, o elemento característico da literatura maranhense do século XIX, algo que a identificaria perante as demais literaturas?

Ricardo Leão: A literatura maranhense, ou a literatura produzida por maranhenses fora e nos limites geográficos do Maranhão, sempre se distinguiu das demais literaturas de outros estados e regiões do país pelo culto ao vernáculo da língua portuguesa. Sempre fomos castiços, sobretudo no estudo da gramática normativa, que é a palma e o palmo de nossas glórias literárias, desde sempre. Fomos e somos ainda cultores da língua portuguesa, assimilamos em nossos textos e vocabulário cotidiano um léxico de cepa lusitana legítima, o que faz da cultura maranhense a mais lusitana das culturas brasileiras. Isso não é nenhum demérito, pois conseguimos gerar, a partir de nossos limites provinciais, escritores de timbre nacional e até mesmo internacional, alguns gênios como Gonçalves Dias, João Francisco Lisboa, Aluísio Azevedo, Maranhão Sobrinho, Ferreira Gullar, Nauro Machado, para ficarmos entre os nomes mais exponenciais. O nosso lugar no quadro amplo da literatura brasileira e das literaturas de língua portuguesa é inequívoco. Somos os guardiões das tradições da língua. Temos uma noção universalista da arte literária, pois queremos ousar além dos limites do local e do característico, motivo que faz com que a maioria de nossos poetas acompanhe a produção internacional de perto, lendo os grandes nomes da modernidade, seguindo de perto seus passos, criando a grande literatura que renovou os nossos quadros e práticas culturais desde Bandeira Tribuzi, ainda na década de 40. A literatura maranhense é uma grife de renome. Cabe aos maranhenses defendê-la, pois é o nosso patrimônio cultural de maior relevância e influência sobre a cultura nacional. Basta para isso fazer o simples levantamento de escritores maranhenses que foram conduzidos à Academia Brasileira de Letras, desde a sua fundação. A participação maranhense para os quadros da cultura de língua portuguesa é um fato histórico incontornável, insofismável, inegável.

Ivan Pessoa: Por um motivo eminentemente provocador, o que exige uma resposta bem pessoal, por que resgatar de um modo quase arqueológico uma parcela da memória literária já sedimentada sob outras expressões artísticas? Do mesmo modo: para qual acrópole se remetem os atenienses? Seria à mesma de outrora?

Ricardo Leão: Como expus ao longo de toda a minha tese, a minha arqueologia da construção da Atenas Brasileira é a tentativa de responder a uma pergunta que me inquietava desde jovem: como um estado miserável, atrasado, com tantos problemas de ordem econômica e social, possui uma cultura literária capaz de influenciar e decidir os rumos da literatura brasileira? Como tantos escritores, pensadores e homens de letras foram gerados nessa terra? Por que a literatura se tornou a principal expressão do humanismo maranhense? Foi nesse sentido que me pus a investigar o passado de nossa cultura, através de suas fontes, documentos, vestígios, sinais, emblemas. Procurei saber, sobretudo, se o mito da Atenas Brasileira era real ou era apenas um mito, uma reles construção histórica, como afirmam alguns historiadores da negação e do ressentimento que se põem como baluartes do pensamento e da cultura locais. Descobri que o mito é verdadeiro, apesar de algo exagerado, como qualquer mito. A Atenas Brasileira foi apenas o nome dado ao fenômeno até então não explicado pelos maranhenses e brasileiros da época, através de sua radical historicidade, ao fato do Maranhão possuir em seus quadros tantos escritores, historiadores e mesmo alguns cientistas (geógrafos, matemáticos, antropólogos, etc.). A acrópole, no entanto, para a qual os maranhenses se remetem, não é a grega. É a acrópole lusitana, da língua portuguesa. Foi por causa disso que Gonçalves Dias escreveu as célebres Sextilhas do Frei Antão, assim como Odorico Mendes compôs suas traduções das obras de Homero e Virgílio, ou Sotero dos Reis escreveu seu Curso de literatura portuguesa e brasileira. Os maranhenses se julgavam tão lusitanos quanto os metropolitanos. Desejavam mesmo constituir um estado ultramarino português. Foi isso que nos fez recusar a independência do Brasil, e não outra coisa. A esse desejo, somavam-se todos os estados do norte brasileiro, que formavam com o Maranhão uma região à parte, com economia e cultura autônomas em relação ao resto do país recém-fundado. A acrópole, pois, era Portugal e a língua portuguesa, essa última flor do Lácio que tanto prezamos e tanta devoção consagramos.

Ivan Pessoa: Da mesma forma que Ernest Renan em seu poema magistral: Oração sobre a Acrópole de 1865 vê em Atenas uma nostalgia da cidade perfeita, André Malraux afirmaria anos depois: ‘uma Grécia secreta repousa no coração de todos os homens do Ocidente. ’ Guardadas as devidas proporções, na atualidade, não estaria a Athenas Maranhense mais próxima da cidade de Kaváfis, que indispõe seus homens à espera dos bárbaros?

Ricardo Leão: A grande questão hoje é saber se os bárbaros não somos nós mesmos, é saber se os bárbaros já não estão instalados entre nós, como os gregos entre os troianos, com o expediente do cavalo de madeira. Toda civilização idealiza o seu passado em função de um mito fundador. O mito fundador da cultura maranhense, na verdade, são dois: o mito da fundação francesa e o mito da Atenas Brasileira. É através desses dois mitos que articulamos o discurso de nossa genealogia, tentando conferir nobreza a um passado, como o passado de qualquer cultura, atravessado por barbaridades e vilipêndios. Não há cultura nobre. Como afirma Nietzsche em Genealogia da Moral, tudo que possuímos de nobre está banhado em um oceano de sangue. Tudo que temos de bom hoje é resultado de uma violência ancestral. A questão é como saldamos essas dívidas, que temos com os nossos ancestrais. Sacrificamos bezerros, bodes? Oramos a um ídolo de barro ou de ouro? Fazemos abluções, ritos, aplacamos a fúria dos deuses com sacrifícios humanos, sangue? Ou partimos para a refundação de nosso passado através de uma prospecção honesta do que realmente fomos e decidimos reiventar o nosso modo de ser? Cabe a todos nós fazermos essas escolhas, ou nos afundarmos de vez em nossa decadência e miséria. E nunca mais retornarmos à Atenas de nossos sonhos, estátuas e bustos.
Ivan Pessoa: A última, e não menos importante questão, me parece a mais decisiva: é necessário reinventar São Luís partindo-se assim de um modelo de ruptura, ou, muito pelo contrário, urge uma reevocação alegórica que se remeta à tradição fundadora dos luminares da terra? A mesma questão se resume do seguinte modo, trazendo consigo as palavras do sociólogo francês Roger Caillois: ‘Uma cidade, qualquer que tenha sido sua magnificência, somente permanece pelos vivos que nela habitam, pelos que a ela foram e pelos que dela se lembram’.  

Ricardo Leão: Eu teimo em dizer que precisamos reinventar a nossa identidade, sem abandonar, entretanto, os antigos luminares locais, que não são apenas locais. Precisamos voltar a cultivar o orgulho de nossa identidade, relembrar quem fomos, para decididamente sabermos quem somos e optarmos pelo que seremos daí por diante, como nos relembra Foucault. Os maranhenses andam perdidos de si mesmos, cultuam deuses ocos, divindades corruptas, que os ludibriam com a promessa de uma felicidade de ópio, de cânhamo, de absinto.  No lugar disso, proponho uma volta consciente ao nosso passado, às nossas glórias esquecidas e vandalizados, que rendamos culto aos nossos mais brilhantes ancestrais, ergamos estátuas, bustos, quadros, panteões, bibliotecas, editoras, e refundemos a cultura local, a partir de nossas riquezas, que já foram o centro nervoso de nossa vida social, e hoje se encontram à margem dos incentivos institucionais, até mesmo acadêmicos. O Maranhão merece um Mestrado e um Doutorado em literatura, voltado para a prospecção de sua gigantesca cultura literária, assim como merece institutos e fundações voltadas para o cultivo de sua memória, para o estudo de seu passado, transformação de seu presente, e permanente trabalho de seu futuro. Para isso, são necessários todos: poetas, romancistas, historiadores, geógrafos, antropólogos, artistas, pesquisadores, folcloristas, produtores culturais, jornalistas, povo, a sociedade toda. Para isso tornar-se uma realidade, basta deixarmos de delegar as nossas vidas e recursos aos que desejam apenas nos dilapidar e nos manter na miséria e no atraso. Porque isso é apenas culpa nossa, apenas nossa, e de mais ninguém. Basta de nos pormos como vítimas de nossas próprias ações. Somos o espelho de nossas escolhas! 


A equipe do Maranharte agradece ao Professor Ivan por atender nosso pedido e disponibilizado, na íntegra, esta entrevista.