sábado, 19 de janeiro de 2013

Maranharte Informa: 30 anos da Casa de Cultura Josué Montello


Opinião de Pedra: José Neres







Depois de um período de férias o blog MARANHARTE está de volta com o que há de mais expressivo na nossa Literatura Maranhense. Comecemos com a retrospectiva feita pelo nosso amigo Prof. Neres sobre as obras publicadas e os autores e colaboradores mais relevantes na nossa literatura em 2012.  




LITERATURA PELO RETROVISOR DE 2012


José Neres


Quando chega um final de ano, é hora de olhar para trás e ver o que ficou de bom e o que pode melhorar para o ano seguinte. No âmbito literário, se 2012 não foi um ano de grandes surpresas, ele também não pode ser acusado de causar decepções.
O ano praticamente começou e terminou em clima de homenagens. De um lado eram comemorados os 400 ano de fundação da capital maranhense, com direito a lançamentos e relançamentos de livros, saraus literários, encenações de peças teatrais (originais ou adaptadas de outros textos literários) e muitos outros eventos que valorizaram o aniversário de São Luís. Do outro lado, em uma louvável iniciativa da Academia Brasileira de Letras, o ano de 2012 foi também dedicado ao bicentenário do jornalista, publicista e escritor João Francisco Lisboa.
Grande parte do cenário literário do ano foi ocupada pelo genial autor do Jornal de Tímon, que teve sua obra comentada, debatida, estudada e revisitada por diversos intelectuais, como, por exemplo, Jomar Moraes, Antônio Martins de Araújo e Sálvio Dino. Em eventos sempre com bom público, a AML trouxe de volta às prateleiras o livro “Notícias acerca da vida e da obra de João Francisco Lisboa”, de autoria de Antônio Henriques Leal e, na mesma data, além de inaugurar uma placa alusiva ao escritor, também, em parceria com a Editora do Senado, também relançou o volume “O Tímon Maranhense”, de Arnaldo Niskier e, para fechar as homenagens, foram entregues a diversas personalidades a medalha do bicentenário de João Francisco Lisboa.
O ano acadêmico foi de perdas e de ganhos, como sempre acontece. Houve o falecimento do jornalista Neiva Moreira, mas também a posse de Antônio Carlos Lima e de Natalino Salgado, bem como a eleição do Luiz Phellipe Andrés, além de diversos eventos.
No decorrer do ano, outras iniciativas merecem destaque. É o caso do Café Literário, promovido pela Secretaria de Cultura do Estado, sob o comando da escritora Ceres Costa Fernandes. Aos poucos, o público, formado principalmente por escritores, estudantes, professores e pesquisadores, foi se acostumando a, na última terça-feira de cada mês, ouvir os relatos de alguém voltado para as letras. Nomes como Joaquim Haickel, Zelinda Lima, Joila Moraes, Hidelberto Barbosa Filho, Nauro Machado, Inaldo Lisboa e Ubiratan Teixeira, entre outros, abrilhantaram o evento, que começou tímido em suas primeiras edições, mas que agora está solidificado no calendário cultural do Estado.
Outro projeto que também merece ser lembrado é o Papoético, idealizado e levado à prática pelo professor e poeta Paulo Melo Souza. Além de conversas informais sobre artes em geral, palestras e lançamentos de livros, ainda houve a realização do 1º Festival Papoético de Poesia, que teve como grande vencedor o poeta Rodrigo Pereira, com o poema “Ante o espelho”. O evento movimentou as noites de quinta-feira na cidade.
O Instituto Geia continuo na sua missão de levar a literatura às pessoas, seja por meio do já tradicional Festival de Literatura que acontece em São José de Ribamar e que, em 2012, contou com a participação especial da historiadora Mary del Priori, seja com o lançamento e relançamento de livros essenciais para a identidade do povo maranhense, como foi o caso, nesse de O pecado da Gula (Zelinda Lima), A Ilha e o Tempo (Luiz Tavares) e Teatro Escolhido de Fernando Moreira (organizado por Ubiratan Teixeira).
Há de se destacar também o grandioso prêmio recebido pelo crítico e ensaísta Ricardo Leão, que conquistou um dos mais importantes prêmios concedidos pela Academia Brasileira de Letras. Premiados em outros eventos tivemos também José Ewerton Neto e Ferreira Gullar.
Foram muitos os lançamentos de livros realizados durante 2012. Alguns tiveram concorridas sessões de autógrafo, outros ficaram apenas nos círculos de amizade dos autores. Mas o futuro irá lembrar-se da qualidade dos textos e não da quantidade de pessoas presentes ao evento. Vale destacar então alguns livros.

 Memória dos Porcos (Ronaldo Costa Fernandes) o ótimo livro de poemas que leva o leitor a refletir sobre cada página, sobre cada verso.

 O Perdedor de Tempo (Dyl Pires) – Os poemas mostram um amadurecimento temático da poética desse grande escritor e ator maranhense.

 Contos, Crônicas Poemas e outras Palavras (Joaquim Haickel) - Uma mistura de diversos gêneros em um único livro. Bons textos e boa produção gráfica.

Poema da Diferença (Sonia Almeida) – Neste livro a autora mostra uma nova faceta de sua produção literária o jogo metafórico que une o concreto e o abstrato da nossa passagem pelo mundo.

Província – O Pó dos Pósteros (de Nauro Machado) – Reunião de diversos artigos de Nauro Machado, todos escritos em um estilo fluido e envolvente.

O Rio (de Arlete Nogueira) – O novo livro de Arlete Nogueira comprova que ela é uma das maiores escritoras de nossas letras.

Pérolas ao tempo (de Rosemary Rêgo) – Menos introspectivo que o anterior, o livro traz uma escritora mais madura e consciente do fazer poético.

Marcas Indeléveis (de Ahtange Ferreira) – Usando o receituário do best-seller, a estreante escritora traz a luta de uma mulher por dias melhores.

Tear (de Quincas Vilaneto) – Excelente livro de poemas. Mistura metalinguagem e visão particular dos ambientes retratado.

A Poesia sou Eu (obra completa de Luís Augusto Cassas em 2 volumes) – essencial para quem deseja mergulhar na produção desse poeta. Além dos livros, traz uma fortuna crítica que auxiliará leitores e pesquisadores da obra de Cassas.

Entre Viana e Viena (Lourival Serejo) – Ótimo livro de crônicas. Nesse livro, Serejo mostra que há múltiplas formas de retratar um evento que às vezes parece ter importância apenas para o cronista, mas que pode abarcar a todos.

Bastidores (Ubiratan Teixeira) – Livro que traz um pouco da movimentação teatral do Maranhão nas últimas décadas.

Ana do Maranhão (Lenita Estrela de Sá) – Relançado trinta anos depois. Esse livro é um marco no teatro maranhense.

Teatro Escolhido, de Fernando Moreira – O Instituto Geia e o escritor Ubiratan Teixeira fizeram um grande serviço à literatura trazendo á luz esse importante volume com a obra de um escritor hoje esquecido. Algo que também deve louvado é a fundação ou fortalecimento de academia de letras municipais, como a Paçoluminense, a de Caxias, A Sambentuense, a Imperatrizense e tantas outras que vêm se fortalecendo ano após ano. Com isso, esperamos, haverá uma maior divulgação de valores locais e de suas obras.

Alguns eventos, como o Salão de Livros de Imperatriz (Salimp) e A Feira de Livro de São Luís, ganharam similares, como é o caso o do Salão do Livro de Coelho Neto e das diversas pequenas feiras de livro que foram realizadas durante o ano. E a Capital maranhense ganhou também uma livraria de bom porte em um de seus shoppings, além da livraria Resistência Cultural, que vem ganhando espaço aos poucos. Um avanço para uma cidade que viu diversas livrarias fechando as portas nos últimos anos.

Outra iniciativa interessante foi a de alguns escritores de optarem pela publicação de seus livros de forma alternativa, principalmente na internet, como fizeram o professor João de Deus Vieira Barros, que publicou A Bala na Garganta de forma digital e a maranhense radicada na Alemanha Helena Frenzel, que publicou a coletânea 15 Contos Mais na internet, com a participação dos maranhenses José Neres e Marcos Fábio Belo Matos. Além de blogs voltados para as letras, como é o caso do Maranharte, administrado pelo pesquisador Flaviano Menezes.

 Algumas escolas contribuíram para a divulgação da literatura maranhense, convidando escritores e estudiosos das letras para encontros e palestras. Isso foi um marco significativo neste 2012 e certamente terá reflexos em um futuro bem próximo.

O principal problema para a literatura maranhense ainda é a falta de divulgação e de forma de escoamento da produção para outros lugares. O livro lançado aqui raramente alcança um público além das linhas divisórias do Estado. As divulgações digitais estão quebrando um pouco essas barreiras, mas ainda falta muito a ser feito. Outro obstáculo é a falta de uma crítica mais atuante no campo das letras. Um livro é publicado e na semana seguinte cai no esquecimento, pois falta um debate mais efetivo acerca do que é produzido aqui. Sem contar que as livraria vem desaparecendo em uma velocidade impressionante.


Fonte:  http://joseneres.blogspot.com