sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Opinião de Pedra: Jomar Moraes



                                            Um livro inaugural 


                                                                        Jomar Moraes, membro da AML



Teófilo Odorico Dias de Mesquita, filho de Odorico Antônio de Mesquita e de Joana Angélica Dias de Mesquita, nasceu em Caxias a 8 de novembro de 1854, vindo a falecer em São Paulo a 29 de março de 1889, quando contava 34 anos de idade. Esse poeta era sobrinho pelo lado materno de Gonçalves Dias, e radicou-se em São Paulo, casado em uma família prestigiosa, graças ao que exercer posição de destaque na vida pública daquele estado. Antes, porém, viviam no Rio de Janeiro e ali teve papel saliente na vida literária da então capital do Império.


Seu quarto livro de poemas, intitulado “Fanfarras” é um volumizinho de 11×7,5cm e 99 páginas, publicado em São Paulo por Dolivais Nunes em 1882 e por mim reeditado fac-similarmente em 1887, sob o selo das Edições seCma (da Secretaria da Cultura do Maranhão).


Poucas vezes terá parecido, como agora, necessário, indispensável e eficaz recorrer a um surrado lugar-comum (achado feliz que, esgotado em repetições excessivas e inadequadas, perde a força de que originalmente dotado, transmutando-se-lhe a beleza individualizadora em chavão de repulsiva mesmice): diante deste livro de Teófilo Dias é difícil vencer a tentação de classificá-lo como um pequeno-grande livro da literatura brasileira.


De fato, Fanfarras, com todas as sugestões semânticas e visuais do título e do miniformato, era livro nascido para cumprir um grande destino: o de institucionalizar, no Brasil, o primado da poesia parnasiana.

Não se dirá, em prejuízo do rigor histórico, sejam os poemas que o compõem o brado inicial da nova direção que ensejava revitalizar, através de outros códigos de fundo e forma, a sempiterna poesia, então bastante carecida da renovação que a libertasse do beco sem saída de um romantismo que, já tendo produzido as obras culminantes, rastejava nas reincidências estagnadoras e estéreis.


É verdade consabida que nos anos 70 do século XIX estava no ar uma forte aspiração renovadora. Falava-se em renascença literária e tinha-se por tarefa regeneradora, por missão altruística, disparar o tiro de misericórdia contra os últimos e renitentes românticos.


Jovens estudantes, poetas, prosadores e futuros políticos atuantes, travaram, em 1878, a famosa Batalha do Parnaso, com a ostensiva participação de Teófilo Dias, que também nesse ano publicou dois livros – Lira dos verdes anos e Cantos tropicais – ao mesmo tempo em que colaborava nos periódicos estudantis Direito e Letras e A República e ainda escreveu um texto que serviria de prefácio às Canções românticas, de Alberto de Oliveira.


Esses são fatos muitos importantes, como a seguir se verá. O livro claramente romântico Lira dos verdes anos, indica, no título e no conteúdo, a influência que sobre o nosso poeta exerceram, entre outros (a exemplo de Fagundes Varela, Casimiro de Abreu e Gonçalves Dias, naturalmente), Álvares de Azevedo, uma das estrelas de brilho real na vasta e desigual constelação do nosso romantismo.


Mas Teófilo Dias, que escreveu esse livro entre 1875-76, ao publicá-lo, já dava sinais evidentes de tendência para outra direção. Tanto foi assim, que fez juntar a ele esta ressalva:


“Nota – por motivos que não vem ao caso referir, este livro, deverá ser publicado em fins de 1876, só agora, ao cabo de quase dois anos, aparece.”


“Sirva esta declaração de desculpa ao autor, que pensava de modo muito diverso de hoje quando compôs estes versos./Maio – 1878”.


Cantos tropicais, o outro livro publicado em 1878, ainda era romântico, porém trazia poemas como Olhos Azuis, Teus Cabelos, O Deserto e Ruínas, nos quais é notória a influência de Baudelaire.


Ao soneto Ruínas, composto de versos alexandrinos, hemistíquios perfeitos e com largo recurso à sinérese e à elisão, pertence este segundo quarteto:




Quanto ao livro de Alberto de Oliveira, apesar do título, continha os germes da fermentação em curso, e Teófilo os identificou tempestivamente, asseverando na carta a Artur Barreiros, tomada para prefácio das Canções românticas: “O livro de Alberto de Oliveira faz, na essência e na forma, parte da espécie de renascença literária, que às surdas, porém já distintamente, vai-se operando entre nós”.


Fanfarras, publicado em 1882, se não é o brado inicial do parnasianismo (sejam lembrados, entre outros, Cantos do fim do século, 1878, de Sílvio Romero; Canções românticas, id., de Alberto de Oliveira, e Parisina, 1879, de Carvalho Júnior), tem pleno direito ao reconhecimento que o consagrou na história literária: o de livro inaugural desse estilo de época. Sim, porque até então, lutava-se pela extinção do romantismo, proclamava-se a sua morte desde há muito, como o fez Sílvio Romero no prefácio de seu livro referido, declarando-o “um cadáver, e pouco respeitado”, mas se estava em face de uma solução de continuidade.


O caminho a seguir é vitoriosamente indicado pelas Fanfarras, toque de reunir que logo apôs em marcha um grande cortejo de eleitos e meros cortejadores, os primeiros, com expressões da importância circunstancial ou efetiva de Alberto de Oliveira, Raimundo Correia, Francisca Julia, Olavo Bilac, B. Lopes, Vicente de Carvalho, mais epígonos, menores, retardatários, equivocados, insignificantes e nefastos.


Hoje parece que o parnasianismo explica poeticamente um intrigante mistério da fé, já que a chamada trindade parnasiana bem que pode resumir-se a este único poeta: Raimundo Correia, cuja obra é, com certeza, o ponto alto da escola, embora Vicente de Carvalho mereça a justiça de uma citação muito especial.


Tempos houve, porém, em que a trindade, agora passível de reduzir-se a um, mas também podendo ser dois, compreendeu quatro, segundo o juízo de muitos críticos, inclusive Sílvio Romero, para quem existia a “aurea quadriga,” Teófilo Dias à frente, seguido de Raimundo Correia, Olavo Bilac e Alberto de Oliveira, exatamente nessa ordem, nas repetidas vezes em que os mencionou.


“Aurea quadriga,” além de ensejar a irônicos, mordazes e ressentidos, alusões a corcéis em parelha e a “aurea mediocritas,” era locução que, a par de sofisticada, não vinha a quadrar com a nossa mística numerológica. Nem Teófilo viveu o necessário para alcançar a moda das conferências declamatórias que fizeram a literatura sorriso da sociedade, com propagandas comerciais em versos, trocadilhos fáceis, ditos chistosos, autógrafos em álbuns ornamentais, concursos de sonetos e escolhas dos versos mais bonitos da língua, enfim – um arquipélago de fatuidades onde havia a ilha da poesia, “torre de marfim” alçada a principado e provida de seu respectivo poeta-príncipe.





quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Maranharte Indica: Maranhão Sobrinho - Poesia esparsa, pesquisa e organização de Kissian Castro




Por Celso Borges
Especial para o Estado do Maranhão


O poeta Maranhão Sobrinho morreu há exatos 100 anos, no natal de 1915, em Manaus, de cirrose hepática, cinco dias antes de completar 36 anos de idade, longe de sua Barra do Corda (MA), onde nasceu em 1879. De lá pra cá sua obra viveu quase na sombra. A grandeza de sua poesia não merecia tanto descaso. Pra começar a virar a página desse esquecimento, o poeta Kissyan Castro, conterrâneo do autor de Papéis velhos, Estatuetas e Vitórias Régias, está lançando o livro Maranhão Sobrinho – Poesia Esparsa, que reúne 105 poemas inéditos, coletados de sua vasta produção dispersa em publicações da imprensa. O evento acontece dia 4 de dezembro, sexta-feira próxima, na livraria Poeme-se, Praia Grande, às 19h, com leitura da obra de Maranhão Sobrinho por poetas maranhenses.


       Que outro conteúdo o trabalho traz além dos poemas inéditos?
O livro é uma edição alusiva ao Centenário da Morte de Maranhão Sobrinho. Assim, pensei incluir também um apêndice que contivesse informações pertinentes ao evento, como por exemplo: Que repercussão teve sua morte? Houve de fato algum projeto que concedeu perpetuidade à sua sepultura? E por que, então, essa lei foi violada? Maranhão Sobrinho deixou algum trabalho inédito? Onde se encontra hoje o seu espólio literário? O que dele disseram os amigos de convívio e a crítica nacional? O trabalho é complementado por uma extensa biografia do poeta, a que preferi chamar de “Itinerário Biográfico”, tanto pelo duplo circuito São Luís-Belém-Manaus, como pelo caráter dinâmico das raras “paradas” de Maranhão Sobrinho.

    O livro revela alguma grande descoberta biográfica?
     Ao organizar a parte biográfica, procurei incluir o máximo de elementos novos e, entre esses, algumas grandes descobertas. Por exemplo, quando ele deixa Barra do Corda, sua intenção era seguir para o Rio de Janeiro, onde pretendia cursar engenharia na Escola Militar, mas acaba mudando de ideia. Fica um tempo em São Luís e depois vai para Belém. Ali, num primeiro momento, envolve-se no jornalismo engajado, político, militante, em protesto às injustiças sociais. Acreditava-se que a vida inteira de Maranhão Sobrinho girava em torno do sonho jamais realizado de transferir-se para a capital do país e publicar ali sua “obra prima”. No entanto, quando a tão esperada oportunidade lhe é oferecida pelo governador Luís Domingues, amigo de Urbano Santos, então vice-presidente da República, rejeita e prefere seguir para Manaus.  Até então acreditávamos que a atuação poética de Maranhão Sobrinho limitava-se ao seu estado natal, Pará e Amazonas, mas acabei encontrando poemas e artigos de jornais e revistas também no Ceará, Pernambuco, Alagoas, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, dentre outros, onde já usufruía, mesmo em vida, do respeito e reconhecimento do seu gênio poético.

      Por que a obra de Maranhão Sobrinho é tão importante? Qual o seu diferencial como poeta simbolista?
O escritor Josué Montello disse certa vez que “o que distingue Maranhão Sobrinho é a clareza simbólica”. O verbo “sugerir”, caro à estética simbolista, é raramente encontrado em sua obra. Esforça-se antes por desvelar sua tragédia interior. “Do modo que ele recebe a impressão das coisas, assim a transmite; do modo que lhe vem a comoção assim a exterioriza”, disse dele Nascimento Moraes. Além disso, não devemos esquecer que Maranhão Sobrinho transitou pelo Romantismo, Parnasianismo e Simbolismo com maestria, sem dever a nenhum daqueles que se bitolaram a apenas uma dessas escolas. Extraiu o que de melhor havia em cada uma dessas vertentes para inaugurar o seu apostolado estético.
     Cabe ao poeta recuperar o sentido primeiro das palavras.  Eis o débito que a Língua Portuguesa (em particular) tem para com o poeta: ele não deixa a Língua morrer. Nesse sentido, vale a pena ler Maranhão Sobrinho, esse recuperador de mitos, esse celebrador de antigos episódios, guardião da caixa de absurdos e tensões, pois, além disso, em sua obra encontramos várias expressões que são únicas na Língua. Não encontraremos seus neologismos em nenhum dicionário convencional.


      Ele é um poeta pouco reeditado. Há alguma justificativa para esse silêncio?
Creio que o fato de Maranhão Sobrinho estar longe dos grandes centros favoreceu, de certa forma, esse silêncio em torno de sua obra. O próprio poeta acreditava que transferindo-se para a capital e publicando seu livro de estreia pela editora Garnier ou Laement, segundo nos informa Antonio Lobo, lhe daria a projeção almejada. No entanto, no início de 1910, ele desiste do sonho de reconhecimento nacional, abandona completamente as propostas estéticas que vinha cultivando e que lhe permitiria um voo mais alto, refugia-se no Amazonas e volta a escrever poemas de cunho romântico. Mas já era tarde


Há alguma diferença de estilo entre esses poemas inéditos e os que conhecemos dos três livros publicados do poeta?
Há mais diferenças que semelhanças, assim como acontece entre os três livros que publicou em vida, e por que não dizer dentro de uma própria obra, como é o caso do bloco de poemas intitulado “Cromos”, pastoris, que destoam dos demais, de predominância simbolista, no livro Papéis Velhos.
Como deixo claro numa nota introdutória, meu livro não constitui uma seleção oficial de Maranhão Sobrinho, nem possui caráter antológico, no sentido de extrair o “suprassumo” da sua obra, mas mostrar sua trajetória poética desde a fase temporã de suas lucubrações estéticas, fase tida como condoreira, a partir de 1896, até o salto soberbo na produção de sonetos magistrais que lhe renderam a fama de “o mais completo sonetista da língua”, como nos informa o Jornal do Brasil, de 10 de janeiro de 1939.


     Há ecos da poesia de MS em algum poeta contemporâneo?
Existe um fio condutor que percorre toda a obra de Maranhão Sobrinho, a que costumo chamar de “Itinerário do Voo”, indo desde a ânsia do voo em Papéis Velhos, à execução e frustração em Estatuetas, e, por fim, o término do voo, com a deposição das asas, em Vitórias-Régias. Há, nos dois primeiros livros, um visível desencanto com o mundo, sem qualquer interesse de interferência no sentido de modificá-lo. Por outro lado, não se desengana, nem perde a esperança; pelo contrário, torna-se o fundador de outra pátria, dessa vez celestial, sem qualquer relação com o Céu cristão, já que neste seu “chalé de luz e flores” só há lugar para ele e sua amada, com quem trava discurso em quase todos os poemas que compôs. Daí a recorrência de expressões como: asas, voo, ninho e azul, símbolos de todo esse processo. É em Vitórias-Régias, entretanto, que notamos o desencanto por ambos os mundos, constituindo-se, assim, num livro nostálgico, derradeiro. Olhando por essa ótica, não encontrei, até o momento, nenhuma ressonância em qualquer poeta contemporâneo.



 Celso Borges é cantor e compositor








terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Maranharte indica: Compulsão agridoce, de Antonio Aílton.



Maranharte Informa: Lançamento do livro Café Literária - Memória


Maranharte divulga: ilhavirtualpontocom Nº 25



 
Depois de uma longa espera, o ilhavirtualpontocom está de volta !!

Com edição, diagramação e revisão do professor e pesquisador José Neres, este número do informativo literário  tem colaboração de: Carvalho Junior, José Ewerton Neto, Ricardo Leão e Lindalva Barros.

Uma edição especial em homenagem ao grande poeta Nauro Machado. 

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Maranharte Informa: FLAEMA - Feira do Livro e Editor Maranhense

               

Um evento totalmente dedicado a escritores e editores maranhenses - tem uma capacidade de exposição de até 3.500 LIVROS repartidos por cerca de 700 TÍTULOS (selecionados em consideração de seu valor literário) distribuídos por 50 metros de estandes (com três níveis) e quatro ilhas dedicadas a editoras maranhenses e às obras dos escritores homenageados (saiba mais). 3 Telas projetarão booktrailers e teasers de obras apresentadas na FLAEMA. Haverá ainda um espaço dedicado para as obras infantojuvenis e outro dedicado à apresentação de trabalhos de Arte Educação produzidos nas escolas estaduais maranhenses.

270 LIVROS SORTEADOS: No decurso dos 10 dias da feira, numa média de 3 livros por hora, serão sorteados cerca de 270 livros entre os visitantes presentes no momento de cada sorteio (a hora de cada sorteio será aleatória).

PESSOAL TRAJADO: Todo o pessoal da FLAEMA em contato com o público no espaço de eventos estará trajado com indumentária alusiva à Grécia antiga.

No TEMPLO GREGO do espaço de exposição da FLAEMA, ao longo dos 10 dias do evento, haverá: 19 lançamentos, dos quais 4 de obras infantojuvenis; 4 apresentações de obras literárias infantojuvenil pelos seus autores;  10 eventos de bate-papo com autores, dos quais 9 com autores homenageados;  2 rodas de conversas com escritores maranhenses; 6 saraus temático; 5 eventos “Viagem ao futuro”: Cerca de 10 autores de primeira viagem apresentam, ao público e editoras, suas obras literárias concluídas, mas ainda não editadas; 2 rodas de conversa, uma das quais sobre o tema: "Verdade e ficção, a narrativa histórica e a literatura;  9 palestras, uma das quais sobre o tema: "Como publicar seu primeiro livro".

Na ÁREA DE AUTÓGRAFOS, haverá lugar a 46 sessões de autógrafos com dedicatórias.
No PALCO CULTURA, no espaço de exposição da FLAEMA, ao longo dos 10 dias do evento, haverá lugar a: 8 Caleidoscópios de cantores e músicos maranhenses consagrados - Durante os 10 dias de eventos 8 horas serão dedicadas à apresentação de composições musicais populares ou eruditas maranhenses tocadas e cantadas por 16 artistas maranhenses;  2 Caleidoscópios de novos talentos da música maranhense - apresentação de 10 jovens artistas maranhenses; 5 eventos de Arte Educação produzidos nas escolas do Maranhão.


Pedra preciosa: Odorico Mendes



Manuel Odorico Mendes nasceu em São Luís, em 24 de janeiro de 1799, e faleceu, em 17 de agosto de 1864. Sua descendência vem, segundo Antônio Henriques Leal, de famílias ilustres do Maranhão. Do lado materno, indicam-lhe como ascendente o ilustre Manuel Beckman, o Bequimão, só que através da linhagem deixada pelo seu irmão Tomás Beckman. Ainda bastante jovem, foi enviado para Portugal, a fim de prestar os exames preparatórios do curso de medicina em Coimbra. Retornando ao Maranhão em 1824, antes da conclusão do curso.

Com sua atividade como jornalista, Odorico dá início à carreira política na cidade de São Luís, sustentando a publicação do periódico intitulado O Argos da Lei, em que iniciou as suas atividades, em 07 de janeiro de 1825, sob a influência da crescente onda de nacionalismo entre os maranhenses. Com apenas 26 anos de idade, a sua reputação como homem público consolida-se rapidamente em São Luís, torna-se membro do Partido Português, integrado pelos portugueses radicados no Maranhão e chefiados pelo jornalista de O Censor, João Antônio Garcia de Abranches. Odorico foi eleito para a Assembleia Legislativa do Império. No Rio de Janeiro, a sua fama cresceu e, em pouco tempo, o jornalista maranhense alcança o status de celebridade política, sobretudo entre os maranhenses, que o reelegeram para a legislatura de 1830 a 1834.

Paralelamente às suas atividades como parlamentar de grande prestígio no Primeiro Reinado, Odorico Mendes dá continuidade a sua atividade no jornalismo político. Funda com Feijó, Vergueiro, João Bráulio Muniz e Costa Carvalho o periódico Astréia. Trabalhou como redator de muitos artigos deste periódico e até ajudou na composição como aprendiz de tipógrafo, devido a escassez de operários, já que o único compositor disponível era natural do Rio da Prata, e confundia o português com a sua própria língua, o que resultava em equívocos de redação.


A razão pela qual seu nome ainda hoje é lembrado, sobretudo como patriarca da literatura maranhense, é a sua importante produção como homem de letras, que se avolumou especialmente após o fim de sua carreira parlamentar e a sua aposentadoria. Ainda no Brasil, Odorico empreendeu duas traduções de Voltaire: Mérope (1831) e Tancredo (1839). Todavia, a produção intelectual de Odorico, no campo das letras, teve uma fase especialmente fértil após a sua mudança, com família e tudo, para a Europa. Dedicando todo o seu tempo à tradução de Virgílio e Homero, um projeto intelectual que acalentava há vários anos. São publicadas postumamente: a Ilíada (1874), e a Odisseia (1929), ambas do Rio de Janeiro. Além disso, Odorico teve vários de seus poemas inclusos em diversas antologias, como no Parnaso Brasileiro (1843), de João Manuel Pereira da Silva, Mosaico Poético (1844), de Emílio Adet e Joaquim Norberto de Sousa Silva, e no Parnaso Maranhense (1861). Segundo alguns críticos literários, Odorico antecipou-se à narrativa social rural de José de Alencar, uma vez que o autor cearense publica O Gaúcho (1870), O Tronco do Ipê (1871), Til (1872) e O Sertanejo (1875), seguindo de perto o projeto elaborado pelo tradutor maranhense em seus romances.

Fontes: site da AML e do Suplemento 
 Cultural Guesa Errante