sábado, 8 de agosto de 2015

Lançamento da 9ª FeliS



A nona edição da Feira do Livro de São Luís acontecerá de 02 a 11 de outubro, no Centro Histórico (Praia Grande). Durante a solenidade de lançamento foi realizada também sessão de autógrafos com escritores premiados no 35º Concurso Literário Cidade de São Luís. Fotos: Lauro Vasconcelos.



Além do lançamento da Feira, que ocorreu no Teatro Alcione Nazaré, na noite de terça-feira (4), no Centro de Criatividade Odylo Costa, foi realizado coquetel e sessão de autógrafos com os escritores premiados no 35º Concurso Literário Cidade de São Luís. Os dois eventos – a Feira e o Concurso Literário – são os principais instrumentos de fomento à produção literária promovidos pela Prefeitura e que atende à política de cultura do município. O concurso, realizado em 2013, premiou oito livros nas categorias: romance, novela, contos, literatura infantojuvenil, poesia, peça teatral, ensaios e jornalismo literário.

Foram premiadas as seguintes obras: “Cafés Amargos” (romance), de Sabryna Rosa Mendes de Castro; “O Labirinto” (novela), de Adonay Ramos Moreira; “O Suicida” (contos), de Antônio Carlos Araújo Ribeiro Júnior; “A Formiguinha Bruna e o Reino das Saúvas” (literatura infantojuvenil), de Wescley Brito da Silva; “A Ilha do Encoberto” (poesia), de Claudicélio Rodrigues da Silva; “Post Mortem” (peça teatral), de André Felipe Cruz Correa; “A Flecha, a Pedra e a Pena: João Affonso, Aluísio Azevedo e a primeira revista ilustrada do Maranhão” (ensaios), de Iramir Alves Araújo e “Vem Cá Curiar Cacuriá” (jornalismo literário), de Inara Conceição Melo Rodrigues.

fonte:  https://funcsl.wordpress.com



quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Nauro Machado: 80 anos - por Ivan Pessoa.




As poéticas sandálias de um Doutor


Por Ivan Pessoa*

Nada esvazia mais a vida de sentido, que as palavras que jamais são ditas. Quando São João Batista é interrogado pelos sacerdotes judeus acerca de sua provável condição de Cristo, sua resposta é: “Ele é aquele que vem depois de mim, cujas correias das sandálias não sou digno de desamarrar.” (João - 1:27). Ora, em proporção, reconhecer seu próprio limite, e em seguida, valorizá-lo em alguém que porventura o supera, é, para qualquer indivíduo minimamente bem resolvido, um atestado de sabedoria e humildade, constatáveis - por exemplo - nas bíblicas palavras de Goethe: “Produziram todas as nações do mundo um dramaturgo à altura de apresentar a Eurípedes as suas sandálias?”. Pode um povo permanecer sem valorizar os limites de suas próprias sandálias, aos pés de sua própria pequenez ou maturidade, sem os quais nem mesmo uma medida de sua grandeza é dimensionável? Rastreando-a desde as grandes e imorredouras civilizações, se pode observar que a própria conservação de um povo é proporcional ao reconhecimento de seus grandes homens, nem que seja à posteridade ou por estrangeiros, haja vista, o que anotou o francês, visconde de Melchior de Vogué, em 1884, ao execrado e marginalizado russo, Dostoievski: “É um homem enorme (...). Taine me dizia, há alguns dias, que os senhores Zola, Daudet, De Gouncourt e consócio não são dignos de desatar as sandálias desse homem (...).”. Portanto, a possibilidade de ser reconhecido é consequência do humilde desprendimento de alguém igualmente grandioso, capaz de externar, nem que seja por um gesto de nobreza, a medida da extraordinariedade.
Em pleno ano de 2015, ou seja, no mesmo período em que completa 80 anos, eis que o maior poeta vivo de São Luís - Nauro Machado - é, enfim, reconhecido por aquela que é a maior Instituição de Ensino Superior do Maranhão, a Ufma, ocasião em que o título meritório de Doutor Honoris Causa lhe será concedido. Por oportuno, vale considerar que a iniciativa começara a surgir, desde uma viagem que fizemos ao município de Balsas em visita à Ufma daquele campus: eu, o Magnífico Reitor da Ufma, Professor Doutor Natalino Salgado, e o também Professor, João de Deus Mendes da Silva. Na ocasião sugeri, despreocupadamente, que a Universidade precisava reconhecer e atestar - de um modo simbólico - o valor do já consagrado poeta Nauro Machado. De súbito, o Reitor ponderou sem arrodeios: “- Escreva uma justificativa.”. Dimensionando a precisão e o sentido daquelas palavras, compartilhei com um ex-aluno do curso de filosofia, e igualmente literato, Adonay Ramos, a necessidade de ambos escrevermos a tal justificativa, de modo que assim fizemos. Em menos de cinco dias, tendo em mãos o escrito entusiasmado do poeta Adonay, dediquei algumas horas para ajustá-las dentro de um enfoque eminentemente formal, e que, com algum apelo estético, subsumisse a formalidade exigida pelo regimento da Universidade e a necessidade de referendar literariamente o agraciado. Na perspectiva de reconhecer a grandeza daquele gesto, identificável desde a acolhida incondicional do Magnífico Reitor Natalino Salgado, além do auxílio pontual do Professor João de Deus; passando pela prestativa ajuda de Adonay Ramos, cujo texto inicial desencadeou a exitosa propositura encaminhada e unanimemente aceita pelo Conselho Superior da Ufma, é que, em conjunto, fomos capazes de conceder ao poeta Nauro Machado, aquela que é a medida acadêmica de seu prestígio intelectual, em uma cidade que por vezes o desconhece orgulhosamente. Ciente de que jamais conseguiria desamarrar-lhe solitariamente as sandálias, reparando a vaidade provinciana daqueles que se supõem à sua altura: sem obra ou mesmo mérito, é que reconheço humildemente todos aqueles que me ajudaram em tal iniciativa, de modo que, na perspectiva de brindar os entusiastas de sua obra, tanto quanto presentear o poeta, e agora Doutor Nauro Machado, cedo parcialmente - afinal sairá por completo em uma próxima edição do Suplemento Literário Guesa Errante - o resultado final da vitoriosa justificativa. Meus parabéns, grande Nauro!

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“Todos os críticos de sua obra estão de acordo, em relação ao fato de que se trata de um poeta extraordinariamente incomum, um desses artistas - inusitados, e igualmente acossados pelas circunstâncias provincianas de seu tempo - que surgem por uma necessidade de compreensão estética superiormente inalcançada. Tão grande é sua expressiva capacidade intelectual, perpassável não apenas em seus livros, mas no diálogo mais informal, que de longe sua presença literária se torna remissível àquilo que a ensaísta mexicana Rosa Maria Philips escreveu sobre a obra de Dostoiévski: "uma espécie de epopeia do dilema." Pontuar o epos deste dilema universalmente escrito pela tradição, entrevisto e renovado em meio à dor e o sofrimento; o tempo e a eternidade; a província e o centro, eis o que consagra Nauro Machado ao panteão da verdadeira poesia. Portanto, reconhecê-lo à altura dos maiores méritos que as Letras asseguram a um homem e cultor do intelecto, que não deve ser esquecido - sob pena de comprometer a cidade e sua faina poética, eis, outrossim, o propósito deste título. Acerca deste poeta dissonante à crítica superficialmente apressada, escreveu o imortal da ABL Antônio Olinto:


Tornou-se Nauro Machado, com sua obra, o poeta brasileiro por excelência. Só de pensar que o Brasil tem um poeta da altitude e da força de Nauro Machado pode levar-me à certeza de que chegaremos bem mais longe na conquista de uma civilização, mesmo que outros setores oficiais do país não o façam. Sim, o Brasil verdadeiro é o de Nauro Machado, poeta como poucos, e não o que a nossa imprensa quer levar-nos a acreditar. Ela e o que suas páginas mostram hoje serão em breve coisas do passado. Nauro Machado é quem fala por nós e, através dele, sobreviveremos.


   Como se nota, a grandeza poética de Nauro Machado é evidente; autojustificável e notoriamente sustentável a despeito da indiferença daqueles que não a contemplam. Por contemplá-la como o maior milagre literário dos últimos anos, naquela que já fora há muito, merecidamente: Atenas Brasileira, e, sobretudo, por compreendê-lo como herdeiro e remanescente de uma tradição poética imediatamente universal, ainda que solapada por cataclismos de vanguardas efêmeras, é que se reclama à obra de Nauro Machado a concessão deste título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Maranhão.”.      



 *Professor de Filosofia/ Ciências Humanas da Ufma (Bacabal).



Na foto: o poeta Nauro Machado; o reitor da UFMA, Natalino Salgado; o diretor do Suplemento Cultural & Literário Guesa Errante, Alberico Carneiro; e o professor e ensaísta Ivan Pessoal. Obrigado, Ivan, pelo texto.

Obs.: o texto foi originalmente escrito para o Suplemento Cultural & Literário Guesa Errante.
          


segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Nauro Machado - 80 anos - por José Neres





OITENTA NAUROS DE POESIA

José Neres*

Especial para o Alternativo (Jornal O Estado do Maranhão)



            Praticamente todas as ruas, praças, becos e pedras de São Luís estão impregnados do olhar, dos passos e dos versos do grande poeta Nauro Machado, um dos mais argutos críticos da cidade e, ao mesmo tempo, um de seus maiores defensores.
            Dono de uma singularíssima dicção poética, Nauro Machado começou a publicar seus poemas há quase seis décadas, quando, em 1958, trouxe à luz seu livro de estreia – Campo sem Base, no qual já é possível encontrar um de seus mais emblemáticos poemas: O Parto, em cujos versos já traz uma espécie de profissão de fé do que seriam seus poemas a partir daquele momento. O então estreante já tinha consciência de que habitam no mesmo ser um Homem e um Poeta, mas que só deles um pode aspirar à completude, pois o lado poesia do ser humano está sempre em construção, “é duro e dura/ e consome toda/ uma existência”.
            A partir desse primeiro livro, uma profusão de outros textos de autoria do vate maranhense inundou a vida poética da Cidade. Mas essa inundação de palavras, imagens, cores e versos não se limitou à Ilha e acabou transbordando para outros pontos do estado, do Brasil e de outros países, tornando Nauro Machado um dos mais conhecidos poetas maranhenses do mundo a partir do último quartel do século XX e no início do XXI.
            Autodidata, Nauro Machado fez do contato com grandes nomes da literatura universal a sua escola e sua universidade. Sua poética dialoga em altíssimo nível com o que temos de melhor na obra dos grandes mestres da literatura de diversas nacionalidades e épocas. Em uma leitura mais atenta é possível perceber em seus textos traços da vivência diária com grandes poetas como Mallarmé, Cummings, Fernando Pessoa, Augusto dos Anjos, Gonçalves Dias e Ezra Pound. Mas sempre com respeito à própria identidade na construção dos versos.
            A princípio, no entanto, a obra do autor de O Exercício do Caos foi considerada estranha, principalmente dentro de sua própria província, e recebeu a pecha de hermética, indecifrável ou ininteligível. De maneira paradoxal, o mesmo autor cultuado como dono de versos geniais por críticos de altíssimo nível em diversos eventos no Brasil e no exterior era um quase desconhecido em sua própria terra. Essa distorção começou a ser corrigida quando alguns estudiosos locais começaram a perceber que a obra de Nauro Machado poderia transformar-se em um vasto campo para pesquisa e para análises.
            Estudos como os de Maria de Nazaré Cassas de Lima Lobato (A Revelação de Nauro Machado), Ricardo Leão (Tradição e Ruptura: A Lírica Moderna de Nauro Machado) e  Antônio Ailton (A Humanologia do Eterno Empenho) vieram a somar-se a outros nomes que já eram referência nos estudos literários e que admiravam a obra Naurena, como, por exemplo, Nelly Novaes Coelho, Assis Brasil, Carlos Nejar, Pedro Lyra, Fábio Lucas e Paschoal Motta, servindo como ponte de divulgação da obra do poeta e o público em geral.
            Mesmo assim, com quase meia centena de livros publicados, dezenas de prêmios e horarias recebidas e uma carreira de sucesso, muitas pessoas que diariamente cruzam com ele pelas ruas de São Luís não sabem que aquele homem de olhos claros, aproximadamente 1,70m de altura, jeito calado, olhar enigmático e passos decididos, munido de seu guarda-chuva e de sua pasta cheia de livros é uma das maiores referências poéticas da atualidade. Então as pessoas passam como se passassem por um transeunte qualquer e nem imaginam que tiveram a honra de passar por um homem que leva em sua bagagem a fina flor da poesia.
            Agora, em seu octogésimo aniversário, esse homem nascido no dia 02 de agosto de 1935, filho do senhor Torquato Rodrigues Machado e Maria de Lourdes Diniz, esposo da professora e também escritora Arlete Nogueira, pai do cineasta Frederico Machado, autor de inúmeros poemas e que enfrentou com galhardia enfermidades, indiferenças e até mesmo maledicências, ao atravessar calmamente a Praça, pode ter a certeza de que seu nome já faz parte da história de nossa literatura e de que a cidade que ele cantou em tantos versos se entranha mais e mais a cada segundo nas páginas de seus livros.



* Professor, escritor e membro da Academia Maranhense de Letras


domingo, 2 de agosto de 2015

Nauro Machado: 80 anos.






A poesia de Nauro segundo Nauro Machado.


“Minha poesia, como você diz, apresenta uma grande dissonância imagética, se vista sobretudo sobre o foco exaustivo dos seus oxymorons, como tópico às avessas do meu inerradável pasmo existencial. Minha lírica, versando sobre o escatológico no seu duplo sentido e com suas perquirições metafísicas, de abissal inquinação no âmbito até mesmo lingüístico do homem que a faz, está vinculada à tradição lírica moderna, transcendendo a simples compreensão de uma elementaridade vocabular simplesmente confessional (no seu termo mais amplo) para ater-se às culminâncias de um sistema lingüístico epistemologicamente interativo e em torno do qual giram, como estrelas (ainda que sujas), as galáxias de outros mundos e universos. O sentido dessa lírica desenreda um fio narrativo infenso a qualquer enredo fundado pela codificação mecanicista do fato consensual e público. Penhora do divino na catarse humanitária da dor, o poema lírico, como o vejo e faço, pertence a uma categoria inclassificável, além de qualquer dor comprometida simplesmente com o humano enquanto diminuição associativa do simples e estéril sentimento, pertencendo, pois, à categoria do salto teológico indispensável para que o eterno possa revelar-se, no plano humano, na sua condição de aposta feita também por um jogo a não abolir jamais o acaso.”


Fonte: Jornal de Poesia. 




Nauro e o Cinema








Durante todo o mês de agosto, o Cine Lume oferecerá diversas atividades em comemoração ao aniversário do poeta Nauro Machado, como o lançamento do DVD oficial de "O Exercício do Caos" de Frederico Machado, baseado nos temas da poesia do escritor; o lançamento do novo livro do poeta, "O Baldio Som de Deus"; além do lançamento do novo filme de Frederico Machado, "O Signo das Tetas", que tem Nauro Machado como ator do filme! 

O filme acabou de ser selecionado para mais um importante festival de cinema! Em breve a divulgação oficial!

Cine Lume: Avenida Colares Moreira, S/N, Ed. Office Tower - Renascença II, São Luís – MA.