segunda-feira, 28 de março de 2016

Maranharte Informa: lançamento do livro Recorte !, de Talita Guimarães






A jornalista e escritora maranhense Talita Guimarães lança o livro Recorte! (Pod Editora, 2015) em São Luís-MA no sábado (09/04) na Feira Criativa do espaço NAFONTE Coworking (Rua do Alecrim 39 – Centro) a partir das 14h e no domingo (10/04) no Movimento Sebo no Chão (Praça da Igreja Nossa Senhora de Nazaré – Cohatrac) a partir das 17h.



Recorte! reúne um apanhado de crônicas, contos e poemas escritos por Talita Guimarães entre 2010 e 2014 em dois cadernos manuscritos. “A proposta sempre foi registrar ao final do dia alguma cena ou diálogo potencialmente poético e reflexivo que brotasse da vida real. A ideia de ‘recorte’ nasce da necessidade de colecionar pedacinhos especiais de cada dia, ofertados pela realidade a minha volta.”, explica a ludovicense de 26 anos que prioriza no livro o registro não-ficcional de causos cotidianos. “Como jornalista me interesso muito pela realidade e pela forma como as pessoas vivem. Como escritora, tenho uma tendência a olhar para o mundo com um afeto que presta atenção nas miudezas poéticas do cotidiano. Há uma realidade pulsante e inspiradora que não precisa ser inventada pela ficção porque está diante de nós a todo instante em todo lugar. A minha busca sempre foi unir minha preocupação jornalística em apreender a realidade com todos os meus sentidos ao meu interesse pela poesia viva existente nas falas e gestos das pessoas nos ônibus, terminais de transporte, ruas e demais espaços por onde caminho”, afirma a autora, que é jornalista de formação.

 

terça-feira, 22 de março de 2016

Maranharte Indica: livro "Moradas e memórias", de Flaviano Menezes da Costa





       PASSEANDO PELAS MORADAS DA MEMÓRIA



                                      José Neres, professor e pesquisador



Para muitas pessoas, passear pelas ruas de São Luís equivale a dividir espaço com prédios antigos e deteriorados, quase na condição de escombros. Alguns veem possibilidades econômicas, outros percebem oportunidades turísticas desperdiçadas e muitos preocupam-se apenas em mapear os problemas enfrentados diariamente pela histórica cidade. Contudo, no meio dessa profusão de olhares há também quem veja a urbe e seus históricos casarões como fonte inesgotável de pesquisa.

                E foi, provavelmente, com o desejo de expandir seus olhares para além das obviedades e também para mostrar que em cada parede dos antigos prédios há mais que água, pedra e óleo de baleia, havendo também lágrimas, suores e muitas histórias, lendas e tradições, que o jovem professor e pesquisador Flaviano Menezes da Costa dedicou vários meses de sua vida à tarefa de pesquisar uma espécie de ilação entre alguns dos prédios que compõem a arquitetura de São Luís e a produção literária de diversos prosadores que ambientaram seus livros nesses casarões.

                 O que era para ser apenas uma dissertação de mestrado, como outras tantas que, após defendidas para uma banca e para um restrito público, adormece em uma gaveta e/ou na prateleira de referência de alguma biblioteca local, ganhou alguns retoques e se transformou em um belo e interessante livro intitulado “Moradas e Memórias – O valor patrimonial das residências da São Luís Antiga através da Literatura” (EdUfma, 2015, 232 páginas).

                Dividido em quatro longos capítulos e em um apêndice, o livro mostra como diversos prosadores (Aluísio Azevedo, Clodoaldo Freitas, Humberto de Campos, João Mohana, Josué Montello, Conceição Aboud, Nascimento Moraes e Waldemiro Viana) ambientaram suas obras de ficção em locais que passam a pertencer tanto à história quanto à literatura. Porém o pesquisador não se limitou a arrolar obras, autores, personagens e prédios em uma extensa lista baseada apenas no factual. Não. Ele aproveita os aspectos históricos, geográficos e literários imiscuídos nas muitas obras lidas e analisadas para mostrar, destrinçar e discutir questões toponímicas, topofílicas, socioculturais e discursivas tanto pelo viés do olhar literários quanto pelo prisma da historiografia social e da geografia humanista cultural. 

O resultado é um bem elaborado painel que une diversos campos do saber em torno da preservação tanto dos bens físicos como também de uma fortuna imaterial que precisa ser protegida para que o presente e o passado possam ser refletidos em um futuro próximo ou distante.

Escrito em linguagem acadêmica, mas que não compromete sua leitura, e rico em ilustrações, o livro “Moradas e Memórias” pode servir a diversos fins que vão desde a formação de público leitor para a literatura maranhense, pois diversas obras são estrategicamente discutidas ao longo volume, até uma redescoberta da história do Maranhão a partir de seu acervo arquitetônico, passando também pela perspectiva de um turismo lítero-cultural e até mesmo para aplacar o incessante interesse por curiosidades a respeito do patrimônio e de suas peculiaridades. Mas quem não estiver interessado em nenhum desses aspectos pode se divertir (e aprender!) com o apêndice que conta um pouco da história de alguns casarões pelos quais passamos diversas vezes sem nos atermos ao glorioso passado que ali habita.

O livro de Flaviano Menezes é uma daquelas obras que fazem com que o leitor perceba que, em cada caminhada pela Cidade, é possível ir além da superfície do olhar imediatista e ver que cada prédio é constituído de fundação, paredes, cobertura, história, saudades e memórias.





    UM PASSEIO PELA HISTÓRIA DE SÃO LUÍS POR MEIO DA LITERATURA


                                                                               Jock Dean, jornalista.



“Ah! a imponência dos velhos sobrados maranhenses! As varandas escancaradas. As sacadas de ferro. As frontarias de azulejos. E este bater de sinos que me restituiu à infância esmaecida, devolvendo-me a mim próprio.” Estes versos do romancista Josué Montello, citados por Flaviano Menezes da Costa, dão o tom da leitura que o autor propõe em seu livro “Moradas e Memórias”. Para quem acredita na máxima de que os livros nos fazem viajar, nada como aproveitar a literatura para conhecer uma cidade. E é esta a proposta de Flaviano Menezes da Costa. Mesclando literatura e história ele nos conduz a um passeio pelo Centro Histórico de São Luís e os hábitos de sua gente. “Moradas e Memórias” será lançado esse sábado, às 19h, na Casa do Maranhão, Praia Grande.

“Moradas e Memórias” tem origem no projeto “Guarnecer para não se perder”, que Flaviano Menezes da Costa, desenvolveu ainda no curso de Letras da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), tema que foi aprofundado durante seu mestrado. “Eu estava com outro tema, mas quando apresentei um trabalho falando do projeto, decidimos, eu e a professora Dra. Marcia Manir, que poderíamos explorar melhor esse tema que fala sobre a relação de pertencimento entre os moradores e suas moradas no centro histórico de São Luis”, explicou Flaviano Menezes da Costa.

Já no primeiro dos quatro capítulos do livro ele situa o leitor ao falar da formação histórica da cidade através da evolução urbana da cidade fundada em 1612 por franceses cujo território foi retomado pelos portugueses em 1615. A forma como se deram as primeiras construções da vila, as marcas deixadas pelos franceses e o modelo arquitetônico adotado pelos portugueses são relatados, assim como a perda da centralidade do Núcleo Antigo de São Luís bem como um plano de modernização, na primeira metade dos anos 1900, que colocou em risco todo o patrimônio arquitetônico que seria reconhecido pela Unesco em 1997.

Depois de apresentar São Luís sob uma perspectiva histórica o autor tem o cuidado de apresentar aos leitores a São Luís dos romancistas que moraram no Centro Histórico, cujas obras remetem às suas memórias e relações com a velha cidade. “[...] Nasci na Rua da Estrela, número dois, na primeira casa à direita, na grande ladeira que desce para a Praia Grande, centro do comércio que as águas da baía não banham. Dessa casa não tenho recordação. Quando a deixamos eu não tinha dois anos. Mais tarde eu a contemplava e imaginava o seu silêncio interior naqueles três andares elevados e esse silêncio imaginativo tinha a força de me entristecer”, como narra Graça Aranha em sua obra “O meu próprio romance”, publicada em 1932.

Nascido em São Luís, mas morando em outras cidades até seus 15 anos, o autor sempre foi fascinado pelo Centro Histórico. “Olhar essas moradas e imaginar como foram construídos, quem os habitou e porque não existiam ações de preservação mais efetivas com relação a estas moradas antigas eram alguns dos questionamentos que sempre surgiam nas minhas caminhadas pelo bairro da Praia Grande”, comentou.

Motivado por esse sentimento e guiado pelas obras literárias e registros históricos que fundamentaram sua pesquisa ele começa a mostrar como a literatura reflete sobre o espaço habitado, o lar e a sensação de pertencimento ao local. Aqui ele recorre a outras disciplinas como a geografia para mostrar como a organização do espaço urbano reflete as diferenças sociais da população de determinado local. Em São Luís, as construções do Centro Histórico são classificadas em pelo menos 10 tipos diferentes e a escolha pelo tipo de imóvel que seria erguido levava em conta não apenas sua função (se residencial, comercial ou ambos), mas também a classe social do proprietário.

E hoje estas construções servem também de testemunho para as transformações econômicas, urbanas e sociais da cidade. Se nos idos do século XVIII, a Praia Grande tornou-se um bairro comercial cuja consolidação se deu em decorrência da ampliação das atividades portuárias da cidade, a construção de rampas, da primeira Alfândega e a grande produção de algodão para exportação que fez do bairro o primeiro e mais importante centro econômico da jovem cidade.

Foi nessa época que tiveram início as construções dos casarões históricos, mirantes e sobrados revestidos de azulejos, uma das principais características da arquitetura colonial da cidade. A Praia Grande era também um dos maiores pontos de recepção de escravos para as fazendas de algodão ou para trabalharem em benefício da aristocracia rural que passou a habitar os grandes sobrados da localidade. Com a estagnação econômica, as firmas comerciais instaladas no bairro foram desaparecendo e os velhos sobrados que não foram ocupados por órgãos públicos acabaram se deteriorando e alguns chegaram à completa ruína.

Aqui quatro obras literárias ajudam a entender não apenas os modelos arquitetônicos dos imóveis da São Luís antiga, bem como a distribuição das classes sociais e as condições urbanas e econômicas da cidade. Recorrendo a’Os Tambores de São Luís, de Josué Montello, uma das quatro obras, Flaviano Menezes da Costa conta como eram as moradas dos pretos alforriados da cidade ao apresentar a casa de Genoveva Pia descrita como “baixa, de seis janelas sobre a rua, reboco escalavrado e reboco de batente de pedra”, que contratava com o rico sobrado de Ana Jansen cujo “luxo da casa começava no amplo vestíbulo, com duas janelas gradeadas sobre a rua, uma de cada lado da porta”.

Chegando ao fim de sua viagem pela antiga cidade, ele recorre às obras literárias que recontam os crimes que marcaram a história da cidade e transformaram-se em lendas que por séculos assustam aos moradores mais sensíveis. Uma dessas narrativas é “O Palácio das Lágrimas”, de Clodoaldo Freitas, piauiense que morou em São Luís, que conta a morte de Joaquina, uma das muitas escravas-amantes do comerciante Jerônimo de Pádua, que é morta após desprezar as investidas de Bartolomeu, um dos escravos do comerciante. Bartolomeu envenena e mata os filhos do capitão Bernardo Soeiro, sócio de Pádua que mora com a família no Palácio das Lágrimas. Bartolomeu esconde o veneno no baú da escrava, que é condenada à morte. O nome do palácio é uma referência ao choro da escrava condenada injustamente e cujas lágrimas ficaram tão entranhadas nos degraus do palácio que nunca mais secaram.

Com o romance de Clodoaldo Freitas e outras duas obras que tratam de crimes reais ou imaginários ocorridos em São Luís, Flaviano Menezes da Costa resgata ao leitor debates como o lugar do lar, que representa também o lugar da honra, dos princípios legítimos e rígidos da autoridade e do preconceito.

Sobre a obra, que conta ainda com vasto material fotográfico para apresentar e situar os leitores os casarões e seus moradores no espaço-tempo, Flaviano Menezes da Costa conta que este foi um trabalho revelador. “Não só pela riqueza de informações que encontrei nas obras literárias sobre a vivência e a arquitetônica dos seculares imóveis da cidade, mas também pela inquietante vontade de visitá-los, conhecê-los e, consequentemente, conservá-los”, disse.




 

sábado, 19 de março de 2016

Opinião de Pedra: Benedito Buzar





O Maranhense que Virou Nome Nacional



Benedito Buzar, da AML



José Ribamar Franklin da Costa nasceu em São Luis a 12 de março de 1916. Se não tivesse falecido a 6 de junho de 2000, no Rio de Janeiro, onde morava, teria completado ontem 100 anos.
 

Diante dessa triste realidade, resta cultuarmos a sua memória, considerando que em vida foi um homem que marcou época e projetou-se no cenário nacional como renomado escritor, cronista, jornalista, crítico literário, dono, portanto, de vasta e rica bibliografia.


José Ribamar, em 1938, com 22 anos, troca São Luis pelo Rio de Janeiro, para dar continuidade à carreira jornalística forjada nos jornais maranhenses Tribuna, O Imparcial, Folha do Povo, Diário do Norte e Diário da Tarde, todos carimbados como o selo da política.


Na cidade em que nasceu, também, participou de atividades culturais como membro do Cenáculo Graça Aranha. Nessa época, conheceu Reis Perdigão, que exerceu forte influência na sua vida de jornalista e na militância política, como ativista do Partido Radical Socialista.


Na Cidade Maravilhosa não encontrou dificuldade para empregar-se. Ingressou no jornal A Notícia, como redator, aprovado no teste em que mostrou intimidade com as letras e acentuada cultura humanística.


Mas foi no semanário literário Dom Casmurro, em 1950, que mostrou a que veio e onde teve o seu nome alterado para Franklin de Oliveira, a quem deve a dois importantes jornalistas e com os quais fez grande amizade: Joel Silveira e Dante Costa.


Com o novo nome, prestou serviços aos jornais A Vanguarda, Boletim Mercantil, Diário da Noite e O Radical, onde recebeu convite para trabalhar nos Diários Associados, em preparativo para lançar a revista O Cruzeiro. Aceitou a proposta e a indicação para assumir a coluna Sete Dias, inserida na última página da revista, de conteúdo lírico e sobre o cotidiano, que agradou leitores de todos os níveis, destacando-se os intelectuais Humberto de Campos, Guimarães Rosa e Carlos Drumond de Andrade, este, inclusive, chegou a perguntar ao cronista maranhense “onde ele buscava tanto lirismo para escrevê-la”.


Por conta desse lirismo, a Academia Maranhense de Letras o elegeu em 21 de outubro de 1948 para integrar os seus quadros como fundador da Cadeira nº 38, patroneada por Adelino Fontoura.


Ao longo de sua bem-sucedida trajetória jornalística Franklin de Oliveira, em duas oportunidades, viu-se envolvido pela política partidária. A primeira em 1950, ao se lançar candidato a deputado federal. Em vez de disputar o pleito por um partido de esquerda ou de oposição, faz a opção pelo Partido Social Trabalhista, fundado e comandado pelo senador Vitorino Freire.


Após o registro da candidatura, montou em São Luis uma estrutura publicitária rica e moderna, planejada sob a ótica do marketing político, jamais vista no Maranhão. Instalou o comitê de propaganda eleitoral na Praça João Lisboa e preparado para fazer uma campanha de alto nível, de modo a convencer o eleitorado a votar num candidato culto e glorificado como “Um nome nacional a serviço do Maranhão”.


Ao final das apurações, contestadas pelas Oposições, veio à tona o inequívoco fracasso de Franklin de Oliveira nas urnas: só obteve 2.754 votos, resultado considerado bem abaixo do seu desempenho financeiro. Como prêmio de consolação, ganha o apelido de Nome Nacional.


A segunda vez que Franklin de Oliveira incursiona na política maranhense foi em 1954, em que o dono dos Diários Associados e seu patrão, Assis Chateaubriand, após perder a eleição de senador na Paraíba realiza uma espúria negociação de compra de mandato, apoiado Vitorino, que resulta numa eleição intempestiva no Maranhão.


O mandato comprado foi do senador Antônio Bayma, depois de uma negociação da qual participou a cúpula nacional do PSD, que precisava da presença de Chateaubriand no Senado e da cobertura de seus jornais, rádios e televisão na consolidação da candidatura de Juscelino Kubitscheck à presidência da República, no pleito de 1955.


Concluída a operação de compra do mandato, consubstanciada na renúncia de Antônio Bayma e do suplente, Newton Bello, estava armado o circo para eleger Chateaubriand ao Senado, fato que as Oposições Coligadas denunciaram à Nação e tentaram inviabilizá-la, mas não conseguem diante da força política do beneficiado e do interesse do PSD de patrocinar inominável barganha, que manchou o Maranhão de vergonha.


Registrada a candidatura de Chatô no Tribunal Regional Eleitoral e marcado o pleito para 20 de março de 1955, inobstante as reações das Oposições, que acuadas decidem participar da pugna eleitoral, convocando para enfrentar o candidato vitorinista, o coronel da Aeronáutica, Armando Serra de Menezes, e o jornalista Franklin de Oliveira, este, como suplente.


Franklin de Oliveira paga um preço alto pela ousada decisão de não apoiar o patrão e de insurgir-se contra a negociata que fez dele o representante do Maranhão no Senado da República.


Perseguido e demitido de O Cruzeiro, luta pelos seus direitos trabalhistas, batalha longa e penosa, tendo por palco a Justiça do Trabalho, no Rio de Janeiro, onde assistido pelo brilhante advogado Vitor Nunes Leal, ganha a causa que obriga os Diários Associados a cumprir o que mandava a lei pelos doze anos de trabalho prestados à revista O Cruzeiro.


Letra da propaganda musical de Franklin de Oliveira.


Eis aí um nome nacional

Sempre a serviço do Maranhão

Franklin de Oliveira cristaliza o ideal

De manter viva essa terra-tradição

Jornalista e escritor, homem capaz, trabalhador

Indicado pela cidade de Caxias

Faz jus a glória de Gonçalves Dias

Nós e também você

Votaremos com o PST

Para eleger Franklin de Oliveira

Que tudo fará pela Atenas brasileira

Como deputado federal.


Fonte: www.academiamaranhense.org.br